10 Brincadeiras Antigas para Resgatar Imediatamente

Tempo de leitura: 9 minutos

Criança hoje em dia só quer saber de videogame e jogos eletrônicos? Talvez, se ela só conhecer videogames e jogos eletrônicos! A verdade é que brincadeiras antigas podem interessar muito às crianças, bastando que haja um incentivo para isso. Vale a pena resgatar essas brincadeiras em sua casa, experimentando divertimentos que fizeram a infância de tantas gerações, aproveitando ainda para desenvolver habilidades como consciência corporal, lateralidade, atenção e foco, controle de impulsos e habilidades sociais.

Nesta série de artigos, você encontrará sugestões de brincadeiras simples e divertidas para incorporar ao repertório de seus filhos.

1. PULAR CORDA

Faixa etária indicada: acima de 05 anos

Participantes: a partir de 03 para a modalidade abaixo, mas pode ser uma atividade solo

Habilidades envolvidas: Consciência corporal; Coordenação motora grossa; Ritmo; Lateralidade; Equilíbrio; Atenção e foco

Duas crianças (“batedores”) seguram cada uma em uma ponta da corda e começam a batê-la em sentido horário, enquanto uma terceira criança (ou uma terceira e uma quarta simultaneamente), posicionada entre as outras duas, salta toda vez que a corda tocar no chão. O ritmo das batidas pode variar de lento a rápido. É comum acrescentar à brincadeira uma música que envolva comandos que devem ser cumpridos pelo “saltador”. Um exemplo clássico:

Um homem bateu em minha porta
E eu abri
Senhoras e senhores: ponham a mão no chão
Senhoras e senhores: pulem de um pé só
Senhoras e senhores: dêem uma rodadinha
E vão pro olho da rua (comando para a criança sair e dar a vez ao colega)

Com crianças pequenas, há algumas variações possíveis:

“Cobrinha” (a partir de 02 participantes): segurando a corda por uma das pontas, um dos integrantes começa a girá-la rente ao chão, devendo a outra criança saltá-la. Essa atividade é semelhante à brincadeira do “jacaré”, ensinada pelo professor Robson Furlan neste vídeo.

“Cobrinha (II)” (a partir de 03 participantes): havendo dois batedores, cada um segura a corda por uma das pontas e, mantendo-a rente ao chão, começam a movimentá-la para a esquerda e para a direita, simulando o movimento de uma cobra. A terceira criança deve saltar a “cobra” sem encostar nela.

2. ESTÁTUA

Faixa etária indicada: acima de 04 anos

Participantes: a partir de 03

Habilidades envolvidas: Consciência corporal; Equilíbrio; Atenção e foco; Controle de impulsos

Um dos participantes – o “mestre” – toca uma música enquanto os outros dançam. O “mestre” interrompe a música de repente, e as demais crianças devem manter a última posição em que estavam. Vence quem conseguir manter a posição por mais tempo. Pode-se definir se dar risada conta como “mexida” ou não, pois, quando o “mestre” começar a andar por entre as crianças, fazendo caretas e tentando desconcentrá-las, vai ser difícil não cair na risada.

3. BOLA DE GUDE

Faixa etária indicada: acima de 04 anos

Participantes: a partir de 02

Habilidades envolvidas: Coordenação motora fina; Orientação espacial; Atenção e foco; Controle de impulsos; Raciocínio lógico; Habilidades sociais

Há muitas possibilidades de brincar com bolas de gude (inclusive as que seu filho mesmo pode inventar). Uma das mais simples é fazer um triângulo no chão, dispondo cerca de dez bolinhas no centro. De fora do triângulo, e com o dedo indicador rente ao chão, cada jogador lança sua “bola atiradora” (uma bola que se diferencie das outras pela cor ou pelo tamanho) contra as demais bolinhas, tentando “capturá-las”, ou seja, expulsá-las do triângulo. Os jogadores se revezam, vencendo quem capturar mais bolas.

Outra possibilidade é simular uma sinuca de bolas de gude, usando para isso uma mesa com copos plásticos presos junto às quinas, um palitinho para bater nas bolas e uma bola maior, ou de cor diferente, para ser a “bola branca”. Pode-se brincar também no chão, desenhando-se um retângulo e posicionando latinhas nos ângulos para coletar as bolas (se for possível brincar em chão de terra, faça buracos em vez de usar latinhas). Vence quem colocar mais bolas dentro dos vasilhames ou dos buracos.

4. ESCRAVOS DE JÓ

Faixa etária indicada: acima de 04 anos

Participantes: a partir de 04

Habilidades envolvidas: Ritmo; Lateralidade; Atenção e foco; Controle de impulsos; Memória auditiva de curto prazo

Assentadas no chão, formando uma roda, as crianças devem passar o objeto que têm em mãos para o vizinho à direita e receber, com a esquerda, o objeto da criança à esquerda.

Aparentemente muito simples, essa brincadeira é na verdade bastante desafiadora: basta ver que muitas vezes os participantes se perdem nos comandos, ou não seguem o ritmo da música, “embolando” a sincronização. Por isso, talvez seja necessário treinar isoladamente os movimentos antes de cantar a música.

Supondo que o objeto selecionado para a brincadeira seja um copo plástico, vale a pena treinar com a criança, previamente, os seguintes movimentos:

  • Erguer e abaixar o copo até o chão, cantando uma musiquinha para ajudar a manter o ritmo do movimento, ex: “sobe o copo, desce o copo, sobe o copo, desce o copo”;
  • Pegar o copo oferecido pela criança à esquerda e passá-lo para a criança à direita (“pega e passa, pega e passa”). É bom que esse movimento não ocorra no ar, mas no chão, mantendo-se o copo à frente da criança, pois é mais difícil manter o ritmo quando o movimento é executado no ar;
  • Treinar o movimento de zigue-zague, ou seja: sem soltar o copo, leva-lo à direita, à esquerda e à direita novamente, cantando o“zigue-zigue-zá”.

Quando os movimentos já estiverem treinados, comece a cantar a música, combinando o ritmo da melodia à execução dos movimentos:

Escravos de Jó jogavam caxangá (cada criança passa o objeto para a criança à sua direita. Lembre-se: realizando o movimento no chão, o objeto à frente do corpo, fica mais fácil manter o ritmo)
Tira, (erguer o objeto)
põe, (pôr o objeto no chão)
deixa ficar (as crianças dão as mãos)
Guerreiros com guerreiros (voltar a passar o objeto para a criança à direita)
fazem zigue, (colocar o objeto à frente do corpo à direita, sem soltar)
zigue, (colocar o objeto à frente do corpo à esquerda, sem soltar) 
 (colocar o objeto à frente do corpo à direita)

[Repetir: “Guerreiros com guerreiros”…]

Com crianças mais novas, de 4 ou 5 anos, pode-se propor uma variante mais simples, que consiste em passar o objeto para a direita durante a música, seguindo o ritmo, e, ao cantar “zigue-zigue-zá”, manter o objeto parado no chão, com a mão direita sobre ele.

5. CABANINHA

Faixa etária indicada: acima de 02 anos

Participantes: a partir de 02

Habilidades envolvidas: Habilidades sociais; Imaginação e criatividade

Poucas brincadeiras conseguem ser mais simples e estimular tanto a imaginação quanto essa. Com lençóis e o apoio de uma mesa e cadeiras, monte uma cabaninha. Dentro dela, as crianças podem colocar colchonetes, almofadas, ou até fazer divisórias, dependendo do espaço disponível. É uma boa idéia reunir-se à noite na cabaninha com lanternas para contar histórias, simular um acampamento etc.

6. DANÇA DAS CAVEIRAS/TUMBALACATUMBA

Faixa etária indicada: acima de 04 anos

Participantes: a partir de 02

Habilidades envolvidas: Consciência corporal; Coordenação motora; Atenção e foco; Ritmo; Memória auditiva de curto prazo

Canta-se a música e as crianças devem fazer mímica das ações das caveiras (a melodia pode ser facilmente encontrada na internet):

Quando o relógio bate a uma

Todas as caveiras saem da tumba

Tumba alá catumba

Tumba alá catá.

Quando o relógio bate as duas

Todas as caveiras saem pras ruas

Tumba alá catumba

Tumba tá alá catá.

  • Três – jogam xadrez
  • Quatro – tiram o sapato
  • Cinco – apertam o cinto
  • Seis imitam chinês
  • Sete – mascam chiclete
  • Oito – comem biscoito
  • Nove – dançam o rock
  • Dez – lavam os pés
  • Onze – andam de bonde
  • Doze – fazem pose
  • Uma – voltam para as tumbas

7. ESCONDE-ESCONDE

Faixa etária indicada: acima de 06 anos

Participantes: a partir de 03

Habilidades envolvidas: Orientação espacial; Controle de impulsos; Habilidades sociais

Uma das crianças fará o papel de perseguidor, tapando os olhos e contando até cem enquanto os outros se escondem. Após terminar de contar, o perseguidor vai atrás dos demais. Quem for encontrado e tocado pelo perseguidor fica fora do jogo.

Há variações dessa brincadeira, como o pique-esconde: o perseguidor não precisa tocar no jogador, mas apenas gritar seu nome, depois de avistá-lo, e sair correndo para o “pique” – neste caso, o jogador flagrado também correrá em direção ao pique, saindo a salvo se chegar lá antes do perseguidor.

8. CASINHA

Faixa etária indicada: acima de 02 anos

Participantes: a partir de 02

Habilidades envolvidas: Controle de impulsos; Raciocínio lógico; Habilidades sociais

Como a “Cabaninha”, essa brincadeira é muito simples e ajuda a desenvolver habilidades sociais. Você pode ceder utensílios para serem utilizados na “casinha”, ou seus filhos podem produzi-los usando sucata. A simulação da vida real é uma ótima maneira de despertar na criança a noção de responsabilidade.

9. BAMBOLÊ

Faixa etária indicada: acima de 03 anos

Habilidades envolvidas: Consciência corporal; Coordenação motora grossa; Equilíbrio; Orientação espacial; Lateralidade; Ritmo

Com um pouco de treino, as crianças (especialmente as meninas) conseguem manter o bambolê girando em volta da cintura. Pode-se tocar uma música durante a brincadeira. Se houver mais de uma criança, vence quem mantiver o bambolê no ar por mais tempo, devendo a outra pagar prenda.

10. CANTIGAS ACUMULATIVAS

Faixa etária indicada: acima de 03 anos

Habilidades envolvidas: Atenção e foco; Controle de impulsos; Ritmo; Memória auditiva de curto prazo

Aprender essas canções, além de ser um ótimo passatempo, desenvolve a memória auditiva de curto prazo, a atenção e a consciência fonológica de seu filho. Dentre as canções cumulativas mais conhecidas, podemos citar “A velha a fiar”, “A árvore da montanha”, “Fui visitar minha tia em Marrocos”, “Lá em casa” e “Meu galo”.


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9 Comentários


  1. Muito bom o resgate de brincadeiras. Principalmente agora que estamos trabalhando o Folclore.

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  2. Bom dia professor Carlos! Sou professora da rede municipal de ensino e tenho consultado muito seu blog e aprendendo bastante com as dicas dadas nos vídeos. esta atividade com brincadeiras veio de encontro com projeto que minha escola está desenvolvendo, Projeto Brincantar onde estamos fazendo um regate das brincadeiras tradicionais agregando este tema nas diferentes áreas do conhecimento. Obrigada pelo material e parabéns pelo seu trabalho!

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  3. Muito bom. Sou Educadora Musical e utilizo muitas dessas brincadeiras. Obrigada por me lembrar de algumas que estava esquecida… Eu gosto de ensinar brincando, pois no lúdico há aprendizado… trabalhamos a criança por inteiro… Amo educação… mais uma vez obrigada… Está sendo um “revival” acompanha-los…

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  4. Só de lembrar dessas brincadeiras vem a saudade da infância. E sim, concordo totalmente que só criança que não conhece não gosta. Cabe ao adulto organizar o tempo pra cada tipo de atividade.
    Adoro suas dicas!

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  5. Parabéns!
    Acredito muito no resgate da brincadeira de maneira geral. O aprendizado lúdico é mais simples, prazeroso e duradouro, uma vez que atinge um outro nível de registro, graças ao envolvimento afetivo/emocional!
    Vamos brincar com as crianças!!

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  6. Ótimas brincadeiras! Lembro-me de cantar muito com a minha mãe A Árvore da Montanha – e até hoje gosto! rs.
    Escravos de Jó era outra que sempre brincávamos.
    Tem mais uma que não foi mencionada, mas que é bem legal também: Adoletá.
    E também parlendas, como Hoje é Domingo, por exemplo.
    Fica a sugestão!

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  7. Muito lindo tudo isto!
    Vou precisar muito de tudo o que o que vc esta compartilhando.

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