4 Estratégias para Desenvolver a Fala de Seus Filhos

Tempo de leitura: 9 minutos

Seus filhos falam palavras incompletas? Não conseguem terminar uma frase? Em vez de dizer o nome das coisas, só apontam para elas? Parece que têm preguiça de falar? Pois bem! No vídeo de hoje, vou lhe ensinar 4 estratégias muito eficazes para você ajudar seus filhos a desenvolver a fala. Assista!

Retomarei um assunto importantíssimo, que já foi tratado em outra oportunidade no blog: a modelagem da linguagem. Mas, além de refrescar sua memória, relembrando uma das estratégias de modelagem da linguagem já explicada aqui, agora vou lhe ensinar outras estratégias que o ajudarão – e muito! – a desenvolver a fala de seu filho, tornando-a mais clara e articulada.

É mais do que sabido que as crianças aprendem a falar naturalmente. Ainda bebês, ouvem a voz dos pais, as conversações cotidianas, a leitura de histórias por adultos, e, graças a esse contato com a linguagem oral em diversos ambientes e contextos, vão colecionando uma imensa variedade de sons verbais. Enquanto não conseguem falar, gesticulam, balbuciam, mexem-se, respondendo aos estímulos verbais do ambiente. Nós, pais, adoramos essa etapa, quando as crianças balbuciam “dá”, “dá, “dá” para cá, “tá”, tá”, “tá” para lá, “má”, “má”, “má” para cima, “bá”, “bá”, “bá” para baixo. É uma verdadeira profusão de sílabas!

Porém, como diz o ditado popular, “o tempo é o mestre de tudo”, e as crianças vão percebendo que o balbucio que até então faziam não corresponde exatamente aos sons verbais que ouvem ao seu redor. A partir daí é que elas começam a tentar imitar sucessivamente, e com mais precisão, os sons verbais que ouvem.

Nas Confissões, Santo Agostinho nos conta como foi que aprendeu a falar. Se você já leu esse clássico da literatura (e, se não leu, faça um favor a si mesmo: leia!), você há de lembrar que tudo o que ele narra coincide com o que acabei de dizer. E isso foi há mais de 1.600 anos!

Voltando agora ao presente, o meu filho Francesco, por exemplo, está prestes a completar três aninhos. Faz um bom tempo que ele saiu do período de balbucio e entrou no universo da imitação. Mas, quando ele tenta proferir certas palavras e frases, ainda comete erros de pronúncia e constrói estruturas frasais muitas vezes incompletas ou até sem sentido. É claro que minha esposa e eu toleramos esses erros, pois, no fim das contas, são parte do processo de imitação. No entanto, em alguns momentos, fazemos pequenas correções, ou melhor, modelagens na linguagem dele. E sempre com muita naturalidade. Daqui a pouco vocês saberão exatamente como fazemos isso!

O problema é que muitos pais ficam atormentados com esses “erros” que as crianças cometem durante o período de imitação. As queixas são de todo tipo. Um diz, preocupado: “Ao tentar expressar um desejo ou descrever o que está vendo ou ouvindo, meu filho apenas aponta para as coisas, trocando as palavras por gestos e por expressões faciais.” Outro se queixa: “Quando meu filho resolve falar, no lugar de frases bem feitas, ora ele diz apenas uma palavra, ora frases incompletas, muitas vezes sem sentido algum”. A mãe, aflita, diz: “Há situações em que meu filho diz palavras incompletas: no lugar de ‘rato’, pronuncia ‘ato’; no lugar de ‘cama’, diz ‘ama’. Tenho a sensação de que ele está com preguiça de falar. Não sei o que fazer!” E a agonia parece interminável!

Afinal, o que fazer em situações como essas que acabo de narrar? Existe alguma solução? A resposta é sim, sugiro que você ajude seu filho a desenvolver a linguagem dele, utilizando estratégias de modelagem da linguagem.

E que estratégias são essas? Ora, são basicamente quatro. A primeira chama-se conversa consigo mesmo.

Suponhamos que seu filho esteja perto de você, a uma distância tal em que ele possa ouvi-lo. Chamemos a essa distância “área de escuta”. Comece, então, a descrever em voz alta o que você está vendo, ouvindo, fazendo ou sentindo.

Um ponto importante: enquanto você estiver fazendo a descrição em voz alta, seu filho não precisa estar muito próximo, nem prestar atenção em você. Basta que ele esteja dentro da área de escuta, ou seja, nem muito perto, nem muito longe.

Outra coisa importante: pronuncie palavras claras e frases simples, que seu filho seja capaz de compreender. E tudo bem vagarosamente.

Imagine que você esteja na garagem de casa, lavando o carro, enquanto seu filho brinca por perto, na “área de escuta”. Nesse momento, você começará a descrever o que está percebendo e fazendo: “água gelada”, “pneu sujo”, “esfrego, esfrego, esfrego”, “o carro está limpo”. Faça isso em diferentes ambientes, descrevendo outras ações e situações.

A segunda estratégia se parece muito com a primeira. Chama-se conversa paralela. Mas agora, em vez de descrever o que você está fazendo, você dirá em voz alta aquilo que está acontecendo com o seu filho. Quando ele se encontrar dentro da área de escuta, comece a descrever o que ele está fazendo, olhando, ouvindo ou sentindo. Aqui vale a mesma regra da estratégia anterior: seu filho não precisa estar muito perto ou prestar atenção no que você diz. E, assim como antes, suas palavras e frases devem ser claras e simples, de modo que a criança seja capaz de compreendê-las. E tudo bem devagar.

Vamos a um exemplo. Seu filho e você estão a passear tranqüilamente. De repente, ele tropeça, e você diz: “João tropeçou”, “João caiu”, “sua roupa está suja”, “João anda pelo parque”, etc.

Em síntese: nesta estratégia, você irá descrever não o que você faz, mas o que seu filho faz.

A terceira estratégia é a da extensão, que já foi apresentada por mim no blog. Mas não custa nada relembrá-la.

A extensão consiste, essencialmente, em reformular a fala da criança, dizendo o mesmo que foi dito por ela, mas de forma correta, acrescentando uma ou mais palavras, se necessário.

Preste atenção neste exemplo. Seu filho está a observar um bichinho de estimação, quando, de repete, não mais que de repente, vira-se para você e diz: “Cachorrinho latindo!”. Tendo entendido perfeitamente o que seu filho quis dizer, você reformula a frase dele, mantendo o sentido: “Sim, o cachorrinho está latindo.”

A partir dessas reformulações, seu filho irá comparando as próprias frases com as suas, e aos poucos começará a compor frases mais corretas e mais bem elaboradas.

Mas atenção nisto: as crianças se deleitam em ouvir suas próprias palavras repetidas por outra pessoa. Portanto, na reformulação, é muito importante não alterar o significado do que elas querem expressar.

Vejamos outros exemplos. A criança emite o som “mumm, mumm”, que para ela significa algo mais ou menos como “colo”; então você diz: “Maria quer colo”. Considerando que o “mummm” da criança significa a palavra “colo”, você acrescentou duas palavras, certo?

A criança diz “papai”, ao que você completa: “Papai chegou”.
A criança diz “carro rápido”, e você, entendendo o que ela quer expressar, faz a seguinte reformulação: “O carro anda rápido”.
A criança diz “passarinho voando”, e a mãe reformula: “O passarinho está voando”.
A criança diz “não qué”, e a reformulação poderia ser: “Você não quer”.
A criança, por fim, diz “jogar bola”, e você reformula assim: “Vamos jogar bola”. Simples, não é mesmo?

A quarta e última estratégia é a do elogio. Grosso modo, você terá de reagir às tentativas de fala do seu filho, usando de elogios verbais ou não verbais. Por exemplo, como elogio verbal, você pode repetir num tom carinhoso o que ele acabou de dizer, ou manifestar, com palavras de aprovação, o quanto gostou da fala dele, e assim em diante. Já os elogios não verbais podem ser um abraço, um sorriso, uma expressão facial de aprovação, um piscar de olhos, etc. Vamos novamente aos exemplos práticos.

Seu filho quer pular na cama. Ao tentar descrever o que deseja, diz ele: “pama”, “pama”, “pama”. Você pode abrir bem os olhos, sorrir e reformular: “Cama. A cama é macia. João adora pular na cama. É muito gostoso ouvir você dizer a palavra ‘cama’”.

Outro exemplo: seu filho aponta para uma bola que está em cima do armário e diz “bola”. Na verdade, “bola” equivale à sentença: “eu quero a bola”. Então você pode bater palmas e dizer: “Bola! Você quer a bola!” Ao dar a bola para ele, acrescente: “Pegue a bola.”

Por fim, um último exemplo. Você está preparando o almoço. Seu filho se aproxima e, sabendo que só depois do almoço poderá comer doce, lhe pede: “Eu …oce”. Então você dá um abraço nele e responde: “Você quer um doce! Gostei de sua fala! Agora, porém, não posso lhe dar um doce. Primeiro, almoce. Depois, ganhará um doce.”

Finalmente, vou expor em resumo algumas orientações que irão auxiliá-lo a fazer com mais eficácia esta atividade. Pois bem.

1º As estratégias podem ser praticadas em diversos ambientes: na fila do banco, em casa, na sala de espera de um consultório, etc.

2º Caso queira exercitá-las em momentos específicos do dia, reserve cinco minutos por criança – não mais do que isso! Durante esse período, concentre-se apenas no ensino de aspectos da fala.

3º Pratique sempre com uma só criança de cada vez.

Não aplique as estratégias a todo momento, pois isso pode aborrecer os pequenos.

Evite emitir comandos ou fazer perguntas durante os exercícios de modelagem da linguagem.

Seguindo esse passo a passo, você ajudará seu filho a desenvolver a fala e a expressar-se cada vez melhor!


Faça o download da versão em áudio e ouça essa dica quando quiser!

Assine nosso podcast no iTunes e receba gratuitamente nossos conteúdos em áudio. Assine em seu computador pelo link bit.ly/cesf-podcast. Siga-nos e deixe um review!


Deixe suas dúvidas e opiniões aqui embaixo! Obrigado por compartilhar nosso conteúdo!

Receba em seu email nosso ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, um guia completo e totalmente gratuito para introduzir seus filhos no universo da Alfabetização. Clique aqui: https://goo.gl/FDS4xU.

26 Comentários


  1. Olá, me filho tem 2 anos e meio e não pronuncia nenhuma palavra, nem mama e papa.
    Só pronuncia sons e as vezes demostra que quer falar, mas é como se estivesse falando um idioma desconhecido. Nem “dá” ele faz, só aponta.
    Me apoio em “cada criança tem seu próprio tempo”, para não ficar desesperado.
    O que posso fazer? É preocupante ?

    Responder

  2. Parabéns pelo blog, muito didático para os pais de primeira viagem como eu e as atividades sugeridas geram resultados.

    Responder

  3. Tenho uma filha com 26 anos ela tem síndrome de down não conseguiu alfabetizar conhece todas as letras mas não consegui sílabar tem algum metodo e ainda tem como alfabetiza-la.

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Olá, Fatima! Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?

      Lamentamos a situação de sua filha. Não tivemos experiência com alunos portadores de Síndrome de Down, porém, uma de nossas alunas que é fonoaudióloga aplicou o método do curso em crianças que têm muitas dificuldades de aprendizagem, ela trabalha na Apae.

      O Prof. Carlos gravou uma entrevista com ela, deixo o link aqui, caso queira assistir: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/fonoaudiologa-melhorou-o-desempenho-dos-seus-pacientes-com-os-exercicios-de-pre-alfabetizacao/

      Abraços!

      Pâmela Arumaa
      Suporte

      Responder

  4. Sou Enfermeira e Professora, sedenta de novos conhecimentos sobre TEA. Obrigada, pela oportunidade.

    Responder

  5. Eu tenho um filho de 2anos e 8meses e ele tem autismo eu me escrevi nessa etapa 5 de aula para ajudar mais o meu filho ele ainda não fala muita coisa tá começando a interagir agora ele tá na escola tá tendo uma melhora mas com esses videovídeo aula vai ser ótimo valeu prifessor vou usar esse métodos passo a passo?

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Faça isso, Michelle. E depois nos conte como foi! 🙂

      Abraços.

      Responder

  6. Estou cursando Pedagogia e gostando muito de ler seus artigos.Parabéns!

    Responder

  7. Olá Professor Carlos.
    Quero agradecer por toda ajuda que tem dado para nós pais. Tenho um filho de 4 anos e estou aprendendo muito com seus vídeos e dicas. Estou alfabetizando ele pelo método fônico, mas acredito que estou aprendendo junto com ele, pois como muitos fomos ensinados de uma forma bem diferente, com isso preciso de moldar a cada dia para trabalhar com seu método.
    Mas graças a Deus, Ele tem me ajudado a cada dia e agradeço pela sua vida também pois tem me ajudado muito.
    Obrigada
    Denise

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Seu depoimento muito nos alegra e motiva, Denise.

      Conte conosco!

      Também aprendi juntamente com minha filha enquanto a alfabetizava, hoje me surpreendo toda vez que ela lê algo. É realmente precioso fazer parte disso.

      Abraços.

      Responder

  8. Obrigada prof. Carlos!
    Gostei muito das dicas, pois foram esclarecedoras.
    Tenho um filho de 1 ano e 2 meses que ainda não fala palavra alguma e, por isso, vou colocar em prática os exercícios que passou.

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Faça isso, Mariane. E depois nos conte como foi! 🙂

      E nós que agradecemos a confiança.

      Abraços.

      Responder

    2. Meu filho de um ano e dez meses também não fala. Somente vocaliza.
      Isso me frustra mas ao mesmo tempo me conforto com o fato de que os meninos de minha família costumam falar mais tarde.
      Eu O tive aos 42 anos. Único filho. Nenhum diagnóstico nos leva à crer que seja um problema. O pediatra chegou à dizer que a culpa é minha que não o incentivo. Realmente não sei o que fazer. Converso e canto com ele. Não sei o que posso estar errando.
      Espero que agora a escola possa me ajudar!
      Vou tentar essas dicas tb no que for possível.
      Obrigada!!!

      Responder
      1. Pâmela Arumaa
        Responder

  9. Tenho gêmeas de 2 anos e oito meses justamente na fase que vc se refere nestes comentários acima. Minha esposa cuida sozinha das meninas, qual truque poderá fazer para desenvolver a fala delas pois como são gêmeas fica difícil ter momentos só somente com uma por vez… Aguardo seu retorno.

    Responder

  10. Muito obrigado pelos seus ensinamentos e dicas, Professor Nadalim.

    Responder

  11. Adorei essas técnicas, já venho fazendo de forma intuitiva a um bom tempo,mas de qualquer jeito, sem disciplina. Por sorte tenho tido resultados maravilhosos! Mas agora com sua ajuda,com riquezas de detalhes, vou aplicá-las com mais confiança.
    Assim que comecei a ver os seus vídeos e por em prática os seus ensinamentos, eu e meu esposo estamos satisfeitos com os resultados. Agora eu consigo fazer ele prestar atenção na leitura, quando falo o nome do personagem e peço para ele mostrar onde esta a figura. Isso foi fantástico. Deu certo!

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Que maravilha, Mara. Isso muito nos alegra.

      Parabéns por sua dedicação.

      Abraços.

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *