5 Razões para Reduzir o Tempo de Exposição das Crianças a T.V., Tablet, Computador e afins

Tempo de leitura: 7 minutos

“Criança hoje em dia já nasce com o mouse na mão”, “Meu filho de três anos se vira melhor com o computador do que eu”, “Na escola do meu filho aboliram os cadernos, é tudo no tablet, pois a criança precisa se preparar para o futuro”, “Meu filho está aprendendo inglês jogando games online.”

Se você é pai ou mãe, já deve ter ouvido algo como as afirmações acima. Há muito entusiasmo em torno das novas tecnologias, especialmente devido a seus inquestionáveis benefícios para a vida dos adultos. Porém, pais e educadores precisam estar atentos às conclusões das pesquisas científicas sobre os impactos das novas tecnologias e da TV sobre o desenvolvimento cognitivo, social, moral e até físico das crianças. Há razões de sobra para crer que os benefícios supostamente proporcionados pela exposição precoce a monitores são infinitamente ultrapassados pelos prejuízos para o desenvolvimento dos pequenos, justificando a preocupação dos pais com o assunto e a adoção de medidas para limitar o uso dos dispositivos eletrônicos por seus filhos.

Segundo as pesquisas, a exposição excessiva à TV, monitores e displays está associada ao desenvolvimento de problemas como obesidade, distúrbios do sono, problemas de comportamento agressivo, compulsivo e hiperatividade. Ainda mais profundos parecem ser os efeitos dessa exposição sobre o imaginário das crianças, prejudicando o pensamento criativo, a capacidade de concentração e o interesse pelo mundo real.

Mas será que isso não é um exagero? Afinal, já que a tecnologia está por toda parte, não seria melhor que as crianças aprendessem a tirar proveito dela o mais cedo possível?

Se você tem dúvidas sobre o assunto, continue lendo e conheça 5 razões por que o tempo de exposição das crianças a esses dispositivos deve ser limitado e supervisionado pelos pais.

1. Distúrbios do sono

O tempo e a qualidade do sono são fatores essenciais para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Não é de hoje que os pesquisadores alertam para os impactos negativos da TV e dos videogames sobre o sono dos pequenos. A preocupação, agora, é com o aprofundamento desses prejuízos devido ao advento dos smartphones e tablets, que, por sua portabilidade, foram parar na cama das crianças.

Um estudo publicado pelo periódico Scientific Reports (2017) examinou a relação entre o uso de dispositivos touchscreen e os efeitos sobre o sono de crianças entre 6 e 36 meses, concluindo haver relação entre o tempo de uso desses aparelhos e prejuízos tanto para o tempo quanto para a qualidade do sono.

Um estudo publicado no periódico Pediatrics – a revista oficial da Academia Americana de Pediatria (AAP) – em 2016, sobre o impacto dos dispositivos eletrônicos sobre o sono de crianças e adolescentes de 5 a 18 anos, concluiu que a exposição à luz (especialmente à luz azul) e à atividade dos monitores antes da hora de dormir afeta os níveis de melatonina e pode fazer com que a criança demore mais a pegar no sono. O estudo afirma ainda que o uso de mídias próximo ao horário de dormir pode causar distúrbios do sono e prejudicar o desempenho escolar.

2. Excesso de peso e obesidade

O mesmo estudo conduzido pela AAP constatou que a incidência de sobrepeso é 5 vezes maior em adolescentes que assistem a mais de 5 horas por dia de televisão, quando comparados a adolescentes que assistem de 0 a 2 horas por dia. Estudos mais recentes concluíram que assistir à TV por mais de 1,5 hora por dia é um fator de risco para obesidade entre crianças de 4 a 9 anos de idade.

Além do fato de o tempo gasto com monitores ser um tempo subtraído à atividade física, o hábito de ingerir alimentos calóricos enquanto se assiste à TV, juntamente com a indução, pela publicidade, ao consumo desse tipo de alimento, contribuem para esse resultado.

3. Problemas de atenção e hiperatividade

Outro estudo publicado na revista Pediatrics (2004) concluiu existir uma relação entre a exposição de crianças de 1 a 3 anos à TV e o desenvolvimento de problemas de atenção aos 7 anos. Acredita-se que, por ser uma idade em que o cérebro apresenta grande plasticidade, a superestimulação provocada pela rápida sucessão de imagens do monitor pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral.

Além disso, o hábito de ver TV acostuma a criança a um estado de passividade mental associado à superestimulação dos sentidos, levando os pequenos a achar monótona e entediante toda atividade que demande atenção ativa e esforço de concentração.

A relação com a hiperatividade é explicada pelo acúmulo de energia ocorrido durante a exposição à tela. O tempo de inatividade da criança é posteriormente “compensado” com um excesso de atividade e agitação que geralmente se seguem ao período gasto vendo TV, jogando videogame ou “brincando” com aplicativos.

4. Transtorno do jogo

Um risco cada vez mais presente entre crianças e adolescentes que utilizam mídias eletrônicas sem nenhum tipo de controle é o chamado gaming disorder, ou “transtorno do jogo”. Dentre os sintomas, estão um excesso de preocupação com o jogo, uma redução do interesse por relacionamentos fora do mundo virtual, incapacidade de controlar o uso do computador, tablet ou smartphone (ou revolta quando os pais tentam impor limites ao uso desses dispositivos) e um maior retraimento (indisposição para conversar, interagir, interessar-se por outras atividades etc.).

O caso é tão grave, que a Organização Mundial da Saúde estuda a proposta de classificar o transtorno do jogo como distúrbio psiquiátrico, incluindo-o na Classificação Internacional de Doenças (CID) – um parâmetro utilizado por médicos de todo o mundo para o diagnóstico de doenças.

5. Baixa eficácia dos vídeos, softwares e apps “educativos”

Devido à conformação cerebral das crianças, a transmissão de conteúdos em duas dimensões (por meio de monitores ou displays) é muito menos eficaz do que a transmissão “real”, em três dimensões, por meio da mediação de um ser humano.

O problema da transmissão por meio de monitores, chamado video deficit effect, já foi abordado pelo Dr. Italo Marsili aqui no blog (Vídeos e Aplicativos Educativos Valem Mesmo a Pena?). Em suma, uma criança exposta ao aprendizado por meio de vídeos terá um déficit de aprendizagem. A criança precisa da mediação humana para que possa processar de modo eficaz as informações que recebe do mundo exterior.

Esse déficit pode ser explicado porque a transferência do conhecimento obtido por meio de uma plataforma bidimensional para o mundo tridimensional requer um maior desenvolvimento do pensamento simbólico, dos controles de atenção e uma maior flexibilidade da memória – tudo isso ainda incipiente na criança, que, antes dos 2 anos de idade, ainda está desenvolvendo habilidades cognitivas, de linguagem, motoras, emocionais e sociais. Por isso é tão importante que ela passe por experiências reais, concretas, e interaja socialmente com outros seres humanos, para o seu adequado desenvolvimento.

Mas os efeitos negativos da exposição precoce e exagerada das crianças a monitores não param por aí. Na próxima semana, apresentaremos mais 5 razões para você limitar o tempo de exposição de seus filhos a eles e supervisionar mais de perto o uso das novas tecnologias.


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8 Comentários


  1. assim se torna um pouco complicado quando pai e mãe não estão em sintonia com o objetivo

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  2. B OM DIA PROF CARLOS
    ACABEI DE COMPRAR UM TABLET P MEU FILHO.QUERIA SABER SE VC PODERIA ME NDICAR JOGOS REALMENTE EDUCATIVOS.EM CASA A TV É LIMITADO,E COM O TABLET SERA ASSIM TBM.
    VC PODE ME INDICAR ALGUM PROGRAMA BOM.
    GRATA ELAINE

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  3. Pura verdade…toda vez que brinco mais com o fabinho e interajo com ele,ao invés de deix-lo na frente da tv ou com cel ele fica mais calmo ,compreensivo ao conversar e menos preguiçoso e dorme cedo.

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  4. Acho positiva atitude desde o momento que todo encare com seriedade, e para o bem das nossas criancas.
    forca Dr.

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  5. Olá, muito útil o conteúdo, já existe a continuação? Obrigado!

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  6. Super interessante, só me deu mais base para criação de minha filha com brincadeiras reais! Amei ♡

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