Ansiedade na Infância: Como Identificar e o Que Fazer?

Tempo de leitura: 9 minutos

Estar ansioso significa sentir-se preocupado, nervoso ou temeroso. Quando você se sente ameaçado ou em perigo real, a ansiedade age como um sistema de alarme para mantê-lo longe do dano. Todos nós experimentamos ansiedade às vezes e ela pode inclusive ser útil em determinados momentos. Por exemplo, ficar ansioso antes de fazer um teste ou entrevista ou de falar em público pode servir como estímulo para nos preparamos melhor para essas ocasiões.

Com as crianças não é diferente: elas têm medo e ansiedade com freqüência. Contudo, a maioria dos medos e ansiedades infantis são normais – muitas vezes decorrentes do processo de aprendizagem em cada fase – e é comum que desapareçam naturalmente. Você se lembra de quando aprendeu a andar de bicicleta ou de quando amarrou o tênis pela primeira vez? Lembra-se das primeiras palavras lidas, das primeiras frases? Certamente esses desafios geraram muita ansiedade; mas, vencido o obstáculo, a inquietude deu lugar ao prazer.

A ansiedade passa a ser um problema quando se torna disfuncional e impede a criança de realizar tarefas simples, como dormir, brincar com outra criança ou ir à escola. Nesses casos, pode-se falar em transtornos de ansiedade, os problemas de saúde mental mais comuns entre crianças e jovens – 20% das crianças apresentam ou apresentarão algum traço ansioso.

Afinal, como saber se meu filho é ansioso?

Antes de julgar que a ansiedade está se tornando um problema, é importante ficar atento aos sinais e levar em conta a idade e a fase pela qual a criança está passando. Crianças tímidas, que sentem muito medo, fazem muita birra, regridem a fases anteriores – começam a fazer xixi na roupa, por exemplo – ou roem as unhas possivelmente são crianças ansiosas. Embora seja natural crianças apresentarem essas atitudes em determinadas circunstâncias, se você notar que, em quase todas as situações, seu filho reage de um modo “diferente” do esperado para a idade dele, é provável que tenha um traço de ansiedade.

Mas atenção: não rotule seu filho, aluno ou qualquer criança sob seus cuidados de portador de algum transtorno. O diagnóstico só pode ser emitido depois de verificada a recorrência de episódios de ansiedade dentro de um determinado período. Além disso, caso a recorrência seja observada e identifique-se que a criança possui um traço ansioso, convém procurar um profissional, pois talvez seja necessário intervir com medicação.

Tipos de transtornos de ansiedade

Existem cinco tipos de transtorno de ansiedade. Informar-se sobre cada um deles pode auxiliar os pais a detectá-los.

Transtorno de Ansiedade de Separação: As crianças podem ficar assustadas quando têm de se separar dos pais – geralmente quando começam a freqüentar a escola. É normal que crianças pequenas tenham medo de ficar com um desconhecido, mas elas conseguem adaptar-se facilmente. A criança com ansiedade de separação, contudo, tem dificuldade para se adaptar. Para ela, algo aparentemente simples como passar do quarto dos pais para um quarto separado pode ser um desafio.

Crianças com transtorno de ansiedade de separação podem:

  • Recusar-se a ir à escola
  • Chamar muitas vezes os pais para irem para casa – muitas passam a urinar ou evacuar nas roupas
  • Chorar e se apegar a um professor
  • Fazer birras constantemente
  • Negar-se a ir para a cama à noite
  • Não comer
  • Imaginar que algo ruim poderá acontecer com os pais
  • Queixar-se de sintomas físicos antes, durante e após a separação

Transtorno de Ansiedade Social (ou Fobia Social): Uma criança com transtorno de ansiedade social experimenta muita preocupação e temor ao interagir com outras pessoas e fica ansiosa quando é (ou pensa que é) o centro das atenções. Essa criança tem um forte medo de se sentir constrangida e de que outras pessoas pensem mal dela. Aflige-se com coisas simples, como vestir a “roupa errada” ou falar algo inapropriado.

Crianças com transtorno de ansiedade social podem evitar diversas circunstâncias, dentre elas:

  • Conversar com colegas ou adultos
  • Ir a eventos sociais como festas de aniversário
  • Falar ao telefone
  • Fazer apresentações em público
  • Freqüentar a escola
  • Comer em público
  • Usar banheiros públicos

Fobias específicas: Crianças com fobias específicas têm medo excessivo de certas situações ou objetos. Seu medo é mais forte do que o perigo real representado por eles. Elas se esforçam para evitar o contato com o que temem.

Situações específicas: pontes, transportes (andar de carro, voar em aviões), espaços fechados (elevadores, túneis)

Ambientes: lugares escuros, tempestades, alturas, água

Animais: cães, aranhas, cobras, insetos (besouros, abelhas)

Fobias ligadas à saúde: injeções, agulhas, hospitais, consultórios odontológicos, vômito, asfixia

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Crianças com TAG apresentam preocupações freqüentes e difíceis de controlar com relação a diferentes aspectos da vida. Elas estão a todo o tempo imaginando possíveis perigos (“E se não der certo? E se eu não for capaz? E se acontecer isto? E se acontecer aquilo?”) E precisam de reafirmação constante (“Você tem certeza de que minha lição de casa está certa?”) São comumente descritas como inseguras e perfeccionistas.

Elas tendem a se preocupar com muitas coisas, tais como:

  • Desempenho escolar
  • Fazer as coisas com perfeição
  • Opinião das pessoas a respeito delas
  • Catástrofes mundiais (desastres, doenças, guerras, fenômenos climáticos)
  • Doenças (contrair AIDS, gripe suína; padecer de câncer)
  • Segurança e bem-estar dos entes queridos (família, amigos, animais de estimação)
  • Segurança ou dano (roubo, acidente, morte)
  • Finanças da família
  • Situações do dia-a-dia (o que vestir, para onde ir)

Transtorno do pânico: Crianças com transtorno do pânico têm ataques de pânico inesperados que incluem muitos sintomas físicos, tais como:

  • Tontura
  • Coração disparado
  • Tremores
  • Náusea ou dor de estômago
  • Sudorese
  • Falta de ar

 Elas podem estar com medo de que algo ruim ocorra em decorrência do ataque de pânico. Temem, por exemplo, desmaiar, ficar loucas ou até mesmo morrer. Um traço distintivo do transtorno do pânico é o pavor de que ocorram novos ataques de pânico inesperados.

Crianças com transtorno de pânico podem sentir medo extremo em determinados lugares ou em situações que associam aos ataques de pânico, como lugares lotados ou espaços fechados, como elevadores. Esse medo pode levá-los a evitar tais lugares ou situações e é chamado de agorafobia.

O que fazer?

Primeiramente, você, pai ou mãe, precisa observar se o seu comportamento está gerando a ansiedade em seu filho. Manter a calma quando seu filho está aflito por conta de uma situação ou evento é muito importante. Pais ansiosos, filhos ansiosos.

Preste atenção aos sentimentos de seu filho. As crianças – mesmo os bebezinhos – tendem a ficar ansiosas, entediadas. Ajude seu filho a dar nome aos sentimentos: não os menospreze. Por exemplo, muitas crianças têm medo de ir ao dentista. Esse medo gera ansiedade. Ao invés de repreender, diga: “Eu sei que você está com medo, e isso é bom. Eu estou aqui e vou ajudá-lo a passar por isso.”

Uma sugestão: há diversos livros e jogos educativos que auxiliam as crianças a nomear os sentimentos. Compre ou crie algo que possa auxiliar seu filho nisso.

Reconheça e elogie pequenas realizações. Esse gesto vale mais que muitos presentes, acredite. As crianças, ao realizar uma tarefa, fazem-no porque os pais querem e esperam delas algum resultado. Ou seja, elas vivem para fazer os pais felizes. Quando conseguem e são reconhecidas, sentem-se ainda mais amadas e seguras.

Mantenha uma rotina em casa, mas seja flexível. A rotina é fundamental na vida de qualquer pessoa, especialmente na infância. Ter hora para tomar banho, para dormir, para comer e para brincar gera um sentimento de previsibilidade nas crianças. Mas há dias em que as coisas não acontecem da forma como planejamos – a criança adoeceu ou não dormiu bem à noite, apareceu uma visita repentina em casa, etc. Quando isso ocorre, tendemos à frustração e à ansiedade. Ao ficarmos assim, deixamos o “ambiente pesado” e as crianças têm a sensibilidade suficientemente aguçada para percebê-lo. Se você ficar  ansioso ou irritado, seu filho perceberá, além de notar a forma como você lida com os próprios sentimentos – e é bem provável que ele o imite.

Observe o temperamento de seu filho e a forma como ele reage em cada situação. Esse é um fator importante, pois ajudará você a compreender e auxiliar a criança de maneira assertiva. Os temperamentos são quatro: fleumático, sangüíneo, colérico e melancólico – no próximo artigo falarei sobre eles.

Por fim, ajude seu filho a enfrentar as situações que geram ansiedade. Afinal, tais circunstâncias o acompanharão por toda a vida. Muitas vezes, numa tentativa de proteger os pequenos, os pais se esforçam por evitar as situações e lugares que geram ansiedade nos filhos. Na verdade, deveriam ajudá-los a enfrentar os medos e, assim, reduzir a ansiedade.

Para finalizar, deixo aqui a dica de algumas atividades práticas e muito eficazes que poderão ajudar a controlar a ansiedade de seu filho: faça com ele a lição do silêncio e as atividades de vida prática.

Se você tem um filho muito ansioso, conte-nos o que tem feito para ajudá-lo!


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7 Comentários


  1. Meu filho tem 11 anos, está com queda de cabelo e Sombrancelha. A dermatologista disse que eh stress. Ele eh super ativo, pratica futebol, vai super bem na escola, dorme bem e come bem!
    Ele tem um instinto de querer liderar tudo, quer saber de tudo, fica bravo e fecha a cara Qdo recebe uma bronca. Devo levar em psicólogo?

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  2. Bom dia,
    tenho uma filha de 8 anos, e ela tem medo de tudo , fica aflita quando bate o sinal da escola e se não tiver alguém la esperando por ela já começa a chorar, tem medo quando o pai sai de casa pra ir fazer algo na rua, fica perguntando se ele vai demorar se vai voltar pra casa, tem medo de dormir sozinha, dorme no meu quarto e no horário de dormir tenho que ir com ela pra cama senão não vai, tem medo de ir para outros cômodos da casa sozinha, na hora de dormir quer que eu fique segurando na maos dela ate dormir…..o que eu devo fazer??

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  3. Muito bacana o artigo, Araceli! Sei que as crianças podem ter transtornos de ansiedade e podem ser descritas como inseguras e perfeccionistas, mas é novidade para mim que algumas podem ser diagnosticadas com TAG. E o mais triste é que a tendência de termos crianças afetadas com isso é grande não só pelo mundo agitado em que estão inseridas, mas por conta do quanto aprendem com as atitudes dos adultos… Falar com as crianças sobre o aspecto emocional é fundamental para a saúde e o sucesso delas como um todo! Um forte abraço! 😉

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  4. Boa noite! Meu filho tem 8 anos, e possui uma grande dificuldade de interação, ele não conversa com pessoas adultas, até mesmo familiares próximos, e quando responde alguma pergunta, fala tão baixo que ninguém entende! Em alguns lugares, ele chega a se esconder atrás de mim ou do pai dele, pra não ter que encarar algum desconhecido. Não sei o que fazer! Na escola ele tem uns dois coleguinhas, que sempre brincam com ele, e na vizinhança dois meninos, com quem ele conversa bastante, mas é só.

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  5. Olá tenho um filho de 4 anos e de algum tempo pra cá tenho achado ele muito ansioso. Quase sempre quando entra no carro ele precisa de algo para comer, mesmo que já tenha comido alguma coisa ou mesmo jantado ou então ele sempre pergunta “mamae o que eu vou fazer agora” “Nao tem nada pra eu fazer agora”. Eu sempre tento distraí -lo com revistinhas ou desenhos para colorir, as vezes ate mesmo o celular para jogar ou ver desenhos.
    Não sei o que fazer algumas vezes. Tem dias que chego extremamente estressada em casa pq ele ficou inquieto todo o caminho.

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  6. Olá. Meu filho de 6 anos de 1 ano para cá tem se mostrado muito ansioso em diferentes situações medo de se perder, medo de a irmã menor se perder, de ser roubado, do cachorro fugir, em vários eventos sociais leva muito tempo para sair de perto de nós pais e interagir com outras crianças. O principal ponto que estamos trabalhando é controlar noss própria ansiedades. Depois conversar tentando mostrar para ele os medos reais e os que não são e auxiliando a enfrentar as situações. Vou aproveitar as orientações do texto tambem. Obrigada

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