Atividades para Estimular as Funções Executivas dos 3 aos 5 anos

Tempo de leitura: 8 minutos

Este é o terceiro artigo da série sobre estimulação das funções executivas. Apresentaremos hoje atividades para crianças entre 3 e 5 anos.

Segundo estudos, nessa fase da infância as habilidades das funções executivas e de auto-regulação crescem em ritmo acelerado. Daí a importância de adaptar as atividades às habilidades de cada criança e reduzir gradativamente a ajuda prestada para que ela vá ganhando autonomia, conseguindo resolver cada vez mais problemas sozinha. As crianças mais novas precisarão de mais apoio para aprender e lembrar regras e padrões ao passo que as mais velhas conseguirão ser mais independentes.

BRINQUEDOS

Estimule as crianças a criarem seus próprios brinquedos

Desde muito pequenas, as crianças se divertem com os objetos que encontram pela casa. Por volta dos 3 anos elas já estão mais aptas a “transformar” os objetos, adaptando-os com o auxílio de um adulto, recortando, colando, pintando, etc.

Há vários materiais que se pode aproveitar para confeccionar brinquedos. Caixas de papelão convertem-se em carros, navios pirata, trens, aviões, castelos, casas, camas, fogões… Com galhos, pedrinhas, areia e terra, criam-se incríveis cenários para brincar com bonecos e animais de brinquedo. Rolos de papel alumínio viram lunetas, foguetes e torres de castelos. Lençóis e toalhas velhas amarrados a cadeiras, grades ou hastes transformam-se em lindas cabanas onde as crianças podem passar horas brincando ou ouvindo histórias.

Pega varetas

Este jogo já foi indicado aqui. Além de ser um bom treinamento para a coordenação motora fina, ele exercita as habilidades das funções executivas, é barato e tem regras muito simples.

Quebra-cabeça

Como já dissemos anteriormente, os quebra-cabeças ajudam a desenvolver a capacidade de resolver problemas com apenas uma solução possível, treinam a memória de curto prazo e as capacidades cognitivas de comparar, analisar e sintetizar.

Para crianças de 3 a 5 anos, o ideal é escolher um quebra-cabeça de 20 a 60 peças grandes ou médias. Se a criança tiver muita dificuldade, ajude-a dando dicas de como posicionar as peças. Quando montar um determinado quebra-cabeça já for uma tarefa fácil para o pequeno, providencie um novo, mais desafiador.

BRINCANDO COM A IMAGINAÇÃO

Quando uma criança brinca de bombeiro, de médico, de cozinheiro ou de professora, ela estabelece certas regras que orientarão sua conduta durante a encenação. Ao longo da brincadeira, ela busca seguir aquelas regras e inibe impulsos e atitudes que não se adequam ao papel desempenhado. Em geral, ela se inspira em adultos com que tem algum contato ou em personagens de livros, filmes ou desenhos.

Ela atua como o médico examinando um paciente, dando uma injeção, prescrevendo medicamentos… O “doutor” fala com a segurança de um doutor, o doente age e fala como um doente, com a voz fraca, denotando certo medo. A menina que embala a boneca diz que tem nos braços sua filha. Leva-a para passear no carrinho, troca suas fraldas, dá-lhe de comer. Para encarnar o papel de mãe, a menina imita a voz de sua própria mãe, seu linguajar e suas expressões faciais.

Embora crianças mais novas costumem brincar sozinhas, crianças com 3 anos ou mais já estão aprendendo a brincar com outras de maneira cooperativa, assim como a regular o comportamento delas. É comum vermos meninos de 4 ou 5 anos corrigindo colegas que desrespeitam as regras de uma brincadeira ou que infringem normas estipuladas pelos adultos.

Seguem algumas dicas de como promover brincadeiras imaginativas mais frutuosas:

Faça viagens para o campo, para a praia, para as montanhas e leia muitas histórias. Em geral, o repertório das crianças pequenas é limitado, restringindo-se ao que observam à sua volta. Os pais devem, portanto, ajudá-las a preencher as lacunas deixadas por uma experiência de vida restrita. Como fazê-lo? Nutrindo-lhes com imagens ricas, alimentando-lhes o imaginário.

Coloque seu filho em contato com as mais variadas belezas da natureza e com muitas situações e tipos de comportamento humano representados pela boa literatura e pela arte. Ele irá se maravilhar com tudo isso e não terá apenas um repertório maior para as brincadeiras; estará apurando o senso estético, a sensibilidade e a inteligência, e conhecendo e aprendendo a ler a realidade com os grandes autores e artistas e com o Autor do mundo.

Disponibilize materiais para as brincadeiras. Crianças pequenas podem precisar de “muletas” nas brincadeiras imaginativas, que as ajudarão a ingressar na fantasia: um quadro negro para brincar de professora, espadas e um chapéu para brincar de pirata, um pano para o doutor enfaixar o braço do paciente, uma bolsa para o carteiro levar as correspondências. Não há necessidade de comprar nada. Com o material que se tem em casa é possível inventar muita coisa! Reaproveitar objetos é uma ótima maneira de exercitar a flexibilidade cognitiva.

CONTANDO E ENCENANDO HISTÓRIAS

Além de manter a prática da leitura em voz alta – fundamental para a alimentação do imaginário, o aumento de vocabulário e o contato com estruturas frasais mais complexas -, estimule a criança a recontar histórias que ouviu, a criar e contar as suas próprias e a fazer encenações. As crianças adoram! As primeiras histórias criadas costumam ser um encadeamento de eventos com alguma relação entre si, mas sem uma estrutura mais ampla. Com a prática – associada à escuta freqüente de histórias -, elas irão desenvolver enredos mais complexos e organizados. Contando e recontando histórias, elas têm de armazenar e utilizar informações da memória de trabalho e usar a criatividade.

Incentive a criança a contar histórias para você. Escreva-as e leia-as posteriomente para ela. Ela também pode fazer desenhos ou pinturas a partir da história criada e criar seus próprios livros de histórias – obviamente, se se tratar de uma criança que ainda não escreve, você terá de escrever em seu lugar.

Crie histórias em grupo. Uma criança inicia contando uma história e as demais vão dando prosseguimento ao enredo. Para tanto, ela terá de prestar atenção ao que as outras pessoas dizem, esperar pela sua vez, refletir sobre possíveis reviravoltas e pensar em uma continuação para a história. É um desafio para a atenção, a memória de trabalho e o auto-controle.

Proponha a encenação de histórias. Escolha uma história de que a criança gosta muito, leia-a para ela e escreva no papel um resumo com as principais cenas em seqüência. Junto com a criança, crie figurinos e adereços para incrementar a encenação. Isso ajuda a criança a empolgar-se com a atividade e a envolver-se com a história.

CONTROLANDO O CORPO

Atividades físicas

Essa é uma ótima idade para as crianças começarem a brincar em balanços, gangorras e estruturas para escalada. Providencie também cordas, colchonetes, bolas, pneus, bambolês, traves de equilíbrio e construa circuitos que desafiem a criança a fazer movimentos como saltos, aterrissagens e rolamentos. Ao passar por essas atividades, elas precisam concentrar-se, monitorar e ajustar suas ações e persistir para alcançar o objetivo. Eles ainda as ajudarão a adquirir consciência corporal e noção espacial, o que abre caminho para um bom desempenho em leitura e escrita no futuro.

Normalização

Convide a criança a fazer a lição do silêncio e a realizar atividades de vida prática – como transvasar líquidos e sólidos, abotoar camisas, pegar objetos com a pinça, dobrar camisas, etc. Essas são formas muito eficazes de ensiná-la a controlar e neutralizar os movimentos do corpo conscientemente e a inibir movimentos dispersivos.

Brincadeiras com música

Jogos e brincadeiras envolvendo música, gestos e movimentos corporais estimulam as funções executivas, porque as crianças têm de se mover em um determinado ritmo e sincronizar palavras e ações com o andamento da música. Todas essas tarefas colaboram com o controle inibitório e a memória de trabalho. É importante que essas canções e jogos sejam cada vez mais complexos. Assim representarão sempre um desafio para as crianças e evitarão que percam o interesse.

Cante uma música em andamento muito rápido e depois em andamento muito devagar e proponha à criança que acompanhe o ritmo da música. É algo simples, mas exige que a criança esteja atenta aos comandos verbais e acelere e desacelere seus movimentos logo que os ouvir. A clássica dança das cadeiras e a brincadeira vivo-morto são outras formas de exercitar a atenção e o controle.

Gostou das dicas? Não perca as sugestões de atividades para crianças de 5 a 7 anos que publicaremos na semana que vem!


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