Carlos Nadalim entrevista Yuri Vieira

Tempo de leitura: 9 minutos

Um dos grandes escritores que tive a oportunidade de entrevistar na casa do prof. Olavo de Carvalho, na Virginia, foi Yuri Vieira. Durante a entrevista ele indicou algumas leituras que considera importantes para as crianças. Confira!

Quando estive na casa do professor Olavo de Carvalho, na Virgínia, para participar do II Encontro de Escritores na Virgínia, tive a oportunidade de conversar com um dos escritores presentes, Yuri Vieira.

PROF. CARLOS: Tudo bem, Yuri?

YURI: Tudo bem.

PROF. CARLOS: Você sabe que eu o conheci no YouTube e acompanhei todas as entrevistas com o professor Olavo. São entrevistas famosas na internet.

ÉRICO: Aquelas que fiz com o Olavo em 2006…

PROF. CARLOS: Aprendi muito com você e o professor Olavo. Yuri, você pode se apresentar para as pessoas que ainda não o conhecem?

YURI: Meu nome é Yuri Vieira, sou escritor. Algumas vezes trabalho também como cineasta, diretor de vídeos e roteirista. Que mais posso dizer? Sou paulistano e “ex” um monte de coisas: ex-montanhista, ex-ambientalista, ex-esquerdista…

PROF. CARLOS: Como surgiu em sua vida esse desejo de se transformar em um escritor?

YURI: Eu acho que isso aconteceu de maneira natural, porque meu pai tinha uma biblioteca com muitos livros. Se bem que minha mãe conta que, quando meu pai viajava e ficava muito tempo distante – ele trabalhava na VASP -, ela juntava eu e minhas irmãs para dormir no quarto dela e ficava lendo histórias para nós. As minhas irmãs dormiam, às vezes minha mãe começava a dormir, mas eu não. Ela começava a cochilar e eu a acordava: “Mãe, acorda. Como é que continua a história?” E ela continuava lendo a história, achando que eu ia dormir, mas eu não dormia nunca. Ela dizia também que lia histórias em quadrinhos para mim e eu adorava, mesmo sem entender. E depois eu ia à biblioteca do meu pai como curioso, pegava um livro atrás do outro, folheava, lia as enciclopédias… Meu pai queria que eu fosse piloto – pois ele trabalhava na VASP – e começou a comprar uns livros que tratavam de pilotagem, como “Terra dos homens” e “Pilotos de guerra”. Mas, ao invés de eu querer ser piloto, comecei a querer escrever; ou seja, o meio é que foi a mensagem. Eu era bom em redação na escola, mas só fui começar a escrever mesmo quando estava fazendo intercâmbio no Equador e um professor de física ficou sabendo pela professora de espanhol que eu escrevia bem e me convidou para escrever contos e crônicas para o jornal da cidade. Com uns 17, 18 anos eu comecei a publicar no jornal da cidade alguns textos. E achei interessante. Quando voltei para o Brasil, queria fazer Jornalismo – pois parecia que eu dava certo para a coisa.

PROF. CARLOS: Vou repetindo uma pergunta aqui, porque a recebo com muita freqüência no blog Como Educar seus Filhos. Como você sabe, meu trabalho é direcionado a famílias, a pais que querem educar seus filhos em casa. E a pergunta mais freqüente é: “Prof. Carlos, este livro aqui é bom? Posso ler para o meu filho?” São títulos e mais títulos! Você teria alguma dica para os pais no momento da escolha dessas obras? Quais critérios eles devem adotar para não contaminar as crianças?

YURI: Acho difícil você ter um critério sem conhecer o autor. É preciso ler o livro antes. Mas posso indicar alguma coisa que tenha lido e gostado na minha infância. Um livro que li onze vezes – eu lembro que ia lendo e marcando em algum lugar, não me lembro se em um caderno – é um livro chamado “Gênio do crime”, de João Carlos Marinho. É uma história em que as crianças colecionam figurinhas, mas as figurinhas param de ser vendidas. Eles vão investigar por que. O dono da fábrica diz que elas estão sendo falsificadas e eles começam a investigar quem está falsificando. É como se fosse uma história de detetive, mas para crianças. E eu gostava dessas histórias de mistério, desse tipo de trama. Adorei o livro. Outro livro de que gostei muito quando tinha por volta de 12, 13 anos foi um livro de Ofélia e Narbal Fontes, “Coração de onça”. É a história de um rapaz apaixonado por uma garota que não dá bola para ele. Ele resolve entrar nas bandeiras com o pai, é atingido por uma flecha e se perde no meio do sertão do Brasil. Ele vai acabar no Peru e só volta vinte anos depois. É uma história de aventura muito impressionante, escrita por um casal, Ofélia e Narbal Fontes, cada um escrevia um capítulo. Eles também têm um livro muito bom chamado “Cem noites tapuias”, que conta a história de uma criança seqüestrada pelos índios que depois passa a viver com eles. Foram livros de que gostei e não me esqueci de ter lido. Fora isso, como vocês estavam falando, tem o Isaac Bashevis Singer, que é um grande escritor. Eu nunca li um livro infantil dele, mas como li alguns ótimos livros dele para adultos imagino que deva ser bom para crianças. O livro de memórias “Amor e exílio” e o romance “O penitente” são muito bons. É um autor que merece ser lido. Às vezes a gente não conhece o livro, mas é bom conhecer o escritor, pois a árvore podre não produzirá bons frutos. Você tem que escolher um autor que seja uma boa árvore, pois dali sairá uma coisa boa.

PROF. CARLOS: Eu assisti àquele curta-metragem “O espelho”. Você poderia falar um pouquinho sobre ele e aproveitar para divulgar também? Eu gostei muito.

YURI: Teve uma época em que eu estava muito envolvido com o pessoal de cinema e freqüentava muitos festivais de curta-metragens e via que também no cinema as pessoas não sabem escrever histórias com começo, meio e fim, e fazem umas histórias que chamam de experimentalismo, quando muitas vezes nem sabem fazer um roteiro; são histórias sem pé nem cabeça. Então criei uma história que se passa dentro de uma sala de cinema. O ponto de vista da câmera é o da tela do cinema, então no meu vídeo você fica vendo uma platéia. Quando ele foi projetado no cinema, as pessoas ficavam olhando uma platéia de cinema que estava assistindo a elas também. E fica um tempão em silêncio, até que um personagem se revolta e fala “Que filme besta é esse? Não acontece nada!” Quando ele fala isso, em geral muita gente no cinema também já falou o mesmo. Então, quando finalmente o personagem começa a se manifestar, depois de uns 2 ou 3 minutos, as pessoas se identificam, porque elas também estavam achando o filme idiota. E ele começa a reclamar como se também estivesse assistindo àquela platéia parada. É uma crítica que faço a esse experimentalismo. E ficou bem divertido. Sei que o efeito no cinema foi bem mais interessante, mas dá para ver no vídeo, gostar e entender a idéia. Ele foi convidado para um festival em Portugal e um na Noruega, na cidade de Tromso. E eu nem me inscrevi, eles simplesmente viram no Youtube e me convidaram para projetar lá como convidado. Tive uma boa repercussão com o curta. E é uma crítica a quem não sabe narrar, pois é um curta que tem começo, meio e fim, clímax… E o começo é para enganar mesmo, é uma pegadinha. Chama-se “Espelho”.

PROF. CARLOS: Antes de terminarmos o bate-papo, você poderia indicar para os pais o seu site, onde eles poderiam encontrar seus escritos?

YURI: Meu site é http://yurivieira.com. Mas é bom ir na parte de Seleção de textos: http://textos.yurivieira.com. Ali é onde está grande parte dos meus contos, trechos de livros, crônicas, relatos de experiências pessoais. No meu site você encontra meu canal no Youtube, leituras de poemas de Fernando Pessoa, Camões, etc., está tudo embaixo naqueles iconezinhos.

PROF. CARLOS: Muito obrigado, Yuri. Foi um prazer falar com você, conhecê-lo aqui na Virgínia…

YURI: O prazer é meu também, porque gostei muito de te conhecer. Fiquei espantadíssimo com seu conhecimento com relação à educação, às crianças. Gostei muito! Fiquei impressionado!

PROF. CARLOS: Que bom, Yuri! Vamos continuar conversando sobre esses assuntos por um bom tempo.

YURI: É claro!


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2 Comentários


  1. Tudo de bom… São informações de grande valor educacional para pais e tb educadores.

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