Por que seus Filhos Devem Praticar Ginástica?

Tempo de leitura: 9 minutos

Dois benefícios que convencerão você de que a ginástica é a melhor modalidade esportiva para seu filho

Hoje vou falar um pouco sobre dois dos muitos benefícios que a prática da ginástica pode proporcionar aos seus filhos. Como este é meu primeiro texto aqui no blog Como Educar Seus Filhos, permitam-me que eu me apresente. Meu nome é Robson Furlan (mais conhecido como Furlan), sou graduado em Esporte e curso mestrado na linha de pesquisa “Fatores psicossociais e motores relacionados ao desempenho humano”. Trabalho com ginástica há quatro anos e há dois estou na escola do professor Carlos Nadalim.

Nós nos conhecemos no Centro de Ginástica de Londrina, onde o professor Carlos foi meu aluno. Após algumas conversas, ele me convidou para ministrar aulas de ginástica na Escola Mundo do Balão Mágico. Ele me contou que havia pesquisado esse assunto e tinha chegado à conclusão de que a prática de atividades físicas, especialmente da ginástica artística, tem um papel crucial no desenvolvimento cognitivo das crianças. Trata-se exatamente de um dos benefícios de que pretendo falar neste texto. Mas, antes disso, vou contar a vocês como foi o início das aulas de ginástica na escola do professor Carlos Nadalim.

Inicialmente, achei interessante a preocupação dele de procurar alguém para ministrar aulas de ginástica na escola, já que nenhuma escola privada da cidade oferecia tal modalidade. Depois de algumas conversas, apresentei-lhe um programa. Até aí tudo bem. O que eu não sabia era que as crianças que iriam participar das aulas tinham entre 18 meses e 5 anos de idade. Isso mesmo, caros leitores! Ensinar ginástica a crianças a partir de 1 ano e meio!

“Só pode ser brincadeira”, pensei eu, que trabalhava com crianças de mais de 6 anos de idade e já encontrava algumas dificuldades. Lidar com crianças ainda mais novas, aos meus olhos, era tarefa impossível. Além do mais, há aquela velha história de especialização esportiva precoce de que as crianças dessa idade devem apenas brincar por brincar. Tudo isso ia contra o que eu havia aprendido em grande parte de minha graduação em Esporte.

Bom, após refletir alguns dias, resolvi topar o desafio. Porém com uma condição: todas as atividades que eu ministraria seriam lúdicas, somente brincadeiras. Por pouco o professor Carlos não me despediu antes mesmo de eu começar a dar as aulas! Ele já estava saturado dessa coisa de ludicidade, de que as crianças só devem brincar. Então, instruiu-me a montar planos de aula nos quais o foco principal não era exclusivamente a diversão, mas também o aprendizado.

Embora o objetivo das aulas não fosse a diversão, a prática da ginástica alegrava muito os pequeninos. Comecei a perceber que era possível ensinar ginástica a crianças de apenas um 1 e meio. Ufa! Ainda bem que ouvi e coloquei em prática aquilo que o “tio” Carlos, como as crianças o chamam na escola, me havia sugerido. Hoje, após aproximadamente dois anos, estamos colhendo os frutos.

Feito esse resumo sobre mim e sobre a minha atuação profissional, vamos então falar sobre os benefícios, conforme prometi. Que a prática de atividades físicas contribui para a saúde geral das crianças, tanto dos meninos quanto das meninas, você já sabe, não é mesmo? No entanto é provável que você, papai ou mamãe que está lendo este texto, ainda não tenha ouvido falar dos benefícios da ginástica para o desenvolvimento cognitivo e para a saúde óssea dos seus filhos.

Não comprometa o desenvolvimento cognitivo de seu filho

O desenvolvimento saudável do cérebro nos primeiros anos de vida é fundamental, pois contribui para o crescimento cognitivo e favorece o bom desempenho escolar no futuro. O cérebro desenvolve-se de maneira mais acentuada na primeira infância (até os 5 anos), período considerado crítico pelos especialistas. Não estimular seus filhos de maneira correta poderá comprometer o desenvolvimento cognitivo deles. E fique atento: essa deficiência pode se estender por toda a vida.

Na primeira infância, o desenvolvimento cognitivo ótimo depende da aquisição de habilidades cognitivas em diversos campos. Por exemplo, no campo da linguagem, a criança deve adquirir a habilidade de compreender e produzir a fala para se comunicar; no campo espacial, ela precisa aprender a codificar e usar informações sobre a organização espacial de objetos para orientar seu comportamento locomotor; no campo executivo, tem de aprender a controlar a atenção, os pensamentos, as ações e emoções. Assim, é indispensável entender os fatores determinantes para o desenvolvimento do cérebro e promovê-los durante a primeira infância.

A atividade física tem sido reconhecida como um determinante das funções cognitivas. Os campos mais estudados são o da linguagem e o executivo. Está comprovado que, quanto mais duração e frequência a prática tiver, maiores os benefícios nesses campos. Pesquisas também mostraram que crianças mais ativas alcançaram desempenho escolar mais elevado na juventude e apresentaram risco reduzido de declínios cognitivos, demência e Alzheimer na vida adulta. Além disso, em relação ao desenvolvimento cognitivo, nenhuma pesquisa relatou efeitos maléficos de um estilo de vida mais ativo (ver referência 1, no final do artigo).

Os mecanismos que explicam a relação entre a prática de atividades físicas e o desenvolvimento cognitivo de crianças na primeira infância referem-se a mudanças em padrões na região frontal do cérebro. Estudos apontam que crianças mais ativas possuem padrões cerebrais semelhantes aos de adultos, ao passo que tais padrões não foram encontrados em crianças de comportamento sedentário.

“Quer dizer que qualquer atividade física auxiliará o desenvolvimento cognitivo do meu filho?”, você pode perguntar. Respondo: em geral, sim. Todavia, após ler o último tópico deste texto, não tenho dúvidas de que você se convencerá de que a ginástica é a melhor modalidade para o seu filho.

Saúde óssea e prática da ginástica

A inatividade física é reconhecidamente uma das causas de obesidade na infância e de diversas outras doenças crônicas. No entanto o comportamento sedentário raramente é tido como precursor da osteoporose, doença típica de pessoas com idade avançada. Sabe-se que o pico de massa óssea, alcançado no final do período de crescimento, é um marcador importante da saúde óssea e pode predizer em 60% o risco de desenvolvimento de osteoporose na vida adulta.

Os ganhos na massa óssea, resultado da prática de atividades físicas, variam entre 1% e 8% na primeira década de vida. Tais ganhos são reduzidos caso as crianças se tornem ativas após esse período (0,3% – 2%). Ou seja, o efeito da prática de atividades físicas sobre a saúde óssea é idade-dependente. Desse modo, a atividade física durante a infância é uma das mais poderosas prevenções contra a osteoporose. Além disso, os ganhos relacionados à saúde óssea obtidos na infância podem perdurar na vida adulta.

A mera possibilidade de os benefícios perdurarem na vida adulta justifica a importância de praticar as atividades físicas corretas na infância. Pesquisas confirmam que, mesmo após a interrupção de um período de intervenção utilizando saltos e aterrissagens (movimentos característicos da ginástica), os benefícios na saúde óssea se mantêm. Isso significa que, ainda que as crianças se tornem menos ativas com o avanço da idade, as adaptações positivas em seus esqueletos que ocorreram durante a infância poderão persistir, influenciando a saúde óssea na vida adulta.

Essa afirmação foi comprovada por uma pesquisa com meninas ex-ginastas e não ginastas. Os estudiosos verificaram que as ex-ginastas apresentaram ossos maiores, maior massa óssea e maior densidade mineral óssea em comparação ao grupo de não ginastas. Apesar da interrupção da prática da ginástica no primeiro grupo, no início da menarca, os ganhos persistiram até o início da idade adulta (9 anos após a menarca). Nesse sentido, as evidências indicam que o desenvolvimento ósseo ótimo está condicionado ao tipo de estímulo aplicado ao esqueleto, à frequência com que esse estímulo é aplicado e à duração do período de intervenção (tempo de prática esportiva, por exemplo). Assim sendo, os exercícios mais eficazes são descritos como movimentos velozes que envolvam impacto (ver referência 2, no final do artigo).

Dito isso, papai e mamãe, acredito que vocês já estejam certos de que a prática esportiva, especialmente a ginástica, se destaca de outras atividades físicas quando se trata da saúde óssea. Em suma, os saltos e as aterrissagens realizados durante a prática parecem ser estímulos únicos para o desenvolvimento ósseo ótimo na infância. Para obter esses benefícios, seu filho não precisa ser um atleta muito motivado; qualquer criança consegue acompanhar, desde que siga um programa bem estruturado.

Que tal iniciar as atividades sem sair de casa? Você se surpreenderia se eu lhe dissesse que tudo isso pode ser obtido por meio de atividades simples, que demandam pouco tempo e sem grandes investimentos? Gostaria de receber exercícios, com uma frequência de aplicação de 3 vezes por semana, durante apenas 15 minutos por sessão, a fim de contribuir com o desenvolvimento ósseo saudável de seu filho e diminuir os riscos associados a fraturas e doenças ósseas no futuro? Então, aguarde meu próximo artigo!

REFERÊNCIAS

CARSON, V. et al. Systematic review of physical activity and cognitive development in early childhood. Journal of Science and Medicine in Sport, julho, 2015.

GUNTER, K. B.; ALMSTEDT, H. C.; JANZ, K. F. Physical activity in childhood may be the key to optimizing lifespan skeletal health. Exercise and Sport Sciences Reviews, v. 40, n. 1, p. 13-21, 2012.


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1 comentário


  1. Amei a matéria .
    A pouco tempo fiz um exame de densidade óssea e o resultado foi acima da média .
    Pratiquei ginástica olímpica dos 7 aos 10 anos, será que devo a isso o resultado dos exames?

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