Seus Filhos têm Dificuldade de Compreensão? Saiba o que Fazer

Tempo de leitura: 8 minutos

Olá! Seja bem-vindo mais uma vez ao blog Como Educar seus Filhos. Sou Carlos Nadalim e neste vídeo inaugurarei um novo quadro no blog. A partir de agora gravarei vídeos respondendo às perguntas enviadas. Em vez de, em um só vídeo, passar uma ou mais dicas e responder às perguntas que nos são encaminhadas, dividirei os vídeos em duas modalidades. Em uma série de vídeos, passarei as dicas; em outra, responderei às perguntas. Ao selecionar as perguntas, costumo ler todas as questões enviadas para o blog e, como há certos temas recorrentes, muitas vezes seleciono uma pergunta que sintetiza várias outras enviadas.

A partir de agora, vamos fazer o seguinte: se você tiver uma dúvida, encaminhe um email para [email protected] e especifique nessa mensagem se posso ou não mencionar seu nome no momento da leitura da pergunta, caso ela seja selecionada. Se você disser que não, somente lerei a pergunta, sem mencionar seu nome. Caso contrário, citarei seu nome no vídeo.

Para inaugurar o quadro, transmitirei uma dica a um pai que partilhou conosco uma situação muito interessante. O nome dele é João Coelho:

“Bom dia, Carlos.

A principal dificuldade que encontro com o ensino de minha filha na escola diz respeito à compreensão do conteúdo transmitido. Ela tem 10 anos e está no 5.o ano, mas parece que os últimos seis anos de Pré-escola e Ensino Fundamental não foram muito otimizados. Isso não chega a ser surpreendente se considerarmos a preferência que os sucessivos governos têm dado ao aparelhamento ideológico nesse setor em detrimento da qualidade do ensino, conforme alertam os escritos e vídeos do professor Olavo de Carvalho, dentre outros. Que está ideologicamente dominado já sabemos. Se ocorrerão mudanças não sabemos. Se ocorrerem não será em pouco tempo. Assim, tenho buscado informações que permitam a minha análise do que é possível fazer para que minha filha não venha a compor a multidão de analfabetos funcionais que perambulam em nosso país.

Atenciosamente,

João Coelho.”

João, você nos apresenta uma preocupação quanto à compreensão do conteúdo transmitido e dá outro dado muito importante, a idade da sua filha, que tem 10 anos. Pois  bem, que informação posso lhe passar para que ela não entre nesse rol de analfabetos funcionais que hoje estão perambulando pelo Brasil, principalmente pelas universidades?

Você também está preocupado com a questão da compreensão do conteúdo transmitido. Ora, esse conteúdo pode ser transmitido de duas maneiras: ou por uma exposição oral – a qual talvez ela não consiga acompanhar satisfatoriamente nem seja capaz de recontá-la na ordem em que escutou – ou por meio do processo de leitura (decodificação). Tendo isso em mente, antes de analisar qual o rendimento de sua filha no momento da decodificação, é necessário avaliar se ela é capaz de ouvir uma história e depois recontá-la obedecendo à seqüência da narrativa. Trata-se de algo mais importante do que iniciar um processo de realfabetização, se for o caso. É preciso entender uma coisa muito importante: as letras (ou grafemas) são representações visuais de realidades sonoras. E mais: essas realidades sonoras são concretizações de outras realidades que chamamos de fonemas, representações abstratas de unidades da fala – como o tema é muito técnico, não me deterei nele agora, o qual abordo mais detidamente no curso Ensine seus Filhos a Ler.

Grosso modo, a criança precisa ter uma experiência oral que anteceda o ato da leitura. Um leitor fluente geralmente é aquele que lê mais ou menos na mesma velocidade de um falante fluente. O ritmo da fala precisa, pois, ser similar ao ritmo da decodificação. Logicamente que, com o passar do tempo, se atinge uma velocidade muito maior na decodificação, superando a da própria fala. Porém, nessa etapa em que a criança, ao final do Ensino Fundamental I, precisa ler de 130 a 150 palavras por minuto, é preciso ajustar a percepção auditiva dos sons verbais à velocidade na decodificação. Tal percepção funciona como um diagnóstico de como ela está processando no cérebro o texto que está decodificando.

Se a criança não é capaz de recontar uma história curta que acabou de ouvir, que dirá recontar uma história que terá de decodificar por meio da leitura! Uma coisa é escutar uma história, outra coisa é olhar para um texto, convertê-lo em fonemas na mente e então atingir o sentido dele. Veja que o esforço da leitura é muito maior do que o da escuta. Logo, se a criança não tem a capacidade de ouvir uma história nos mínimos detalhes, obedecendo à seqüência de fatos apresentados no momento da leitura em voz alta, é evidente que seu rendimento em leitura não será superior a seu rendimento ao recontar uma história ouvida.

Por essa razão, João, comece primeiro com a leitura em voz alta – para crianças de 10 anos vale a mesma regra, você apenas terá de ajustar a duração das histórias à idade de sua filha (leia histórias de 5 a 7 minutos). Leia em voz alta para ela e depois peça-lhe que reconte a história. Caso durante a recontagem ela salte diretamente para a conclusão da história, atendo-se a um único aspecto mais saliente para ela e deixando de reproduzir a história na seqüência em que a ouviu, isso indicará um problema grave que exigirá que você a submeta a um treinamento de recontagem de histórias, em que você deverá lembrar-lhe que, antes do fato narrado por ela, aconteceram este e aquele fatos. Vá gradativamente treinando sua filha para que entenda que precisa ouvir uma história e recontá-la obedecendo à seqüência dos fatos narrados –  o que não tem de ser feito de cor, mas pode ser realizado com as próprias palavras da criança.

Depois, peça a ela para ler um texto adequado a sua idade e conte previamente o número de palavras do texto. Enquanto ela lê, anote quantas palavras errou. Além disso, cronometre o tempo que levou para ler todo o texto. Se, para ler 150 palavras, ela levar de 2 a 5 minutos, está com um problema de fluência em leitura. Note ainda se ela tem uma pulsação irregular ou se a prosódia empregada é inadequada. Caso vários desses problemas sejam observados durante a leitura da criança, infelizmente somente um curso resolverá.

Para evitar que isso aconteça, a dica deste vídeo é começar com o treinamento auditivo, com a prática da recontagem pela criança de histórias narradas em voz alta. Sei que no dia-a-dia é complicado fazê-lo e muitas vezes não nos é possível manter uma rotina. Mas tenhamos consciência de que isso é fundamental para as crianças. Caso você não possa ler em voz alta para sua filha em um determinado dia, muito menos conduzir o procedimento de recontagem da história, pelo menos deixe uma gravação para que nesse dia ela escute a história; no dia seguinte, releia a história para ela e conduza o processo de recontagem. Depois de 3 ou 4 semanas, a criança já entenderá como funciona o mecanismo e você terá de fazer muito menos perguntas, pois ela já ouvirá a história tendo como foco a recontagem.

Depois do treinamento auditivo, como já disse, teremos de ver como está o rendimento da criança no momento da leitura (decodificação). Se tiver um rendimento muito baixo, infelizmente terá de ser submetida a um processo de realfabetização. Para isso sugerimos o curso Ensine seus Filhos a Ler. Embora se destine a crianças de 2 anos e meio a 5, é perfeitamente possível aplicar seus exercícios a crianças mais velhas, de 6 a 10 anos. Tenho uma turma em Londrina de 4 alunos (de 20 a 30 anos) aos quais aplico exercícios que transmiti no curso Ensine Seus Filhos a Ler. Infelizmente essa é a nossa realidade. As crianças não têm culpa, tampouco esses meus alunos. Eu também passei por isso. Agora é preciso corrigir essas deficiências.

Muito obrigado pelo email, João. Tenho certeza de que muitos pais aproveitarão o conteúdo deste vídeo graças à sua mensagem. Essa participação é muito importante, pois por meio dos emails e comentários alimento os conteúdos do blog.


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9 Comentários


  1. Boa tarde !adorei o vídeo ,fiquei surpresa pois a dúvida respondida era também a minha,seus conhecimentos vão me ajudar e muito.você fala no curso como fazer seus filhos a lerem eficaz gostaria de participar mande-me um link falando como participar,vou gostar muito.

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    1. Pamela Arumaa

      Olá! Seu interesse muito nos alegra.

      Como as vagas para o curso estão fechadas, não temos nenhum material de divulgação. Sugiro que você entre para lista de espera, para receber informações sobre as próximas turmas: http://www.comoeducarseusfilhos.com.br/espera

      Esperamos por você!

      Abraços!

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  2. Muito boa esta dica ,vou aplica-lá com meus filhos de 5 e 9 anos.

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  3. olá vc menciona um curso ensine seus filhos a ler de forma eficaz, eu quero muito ter acesso a esse curso mas não achei, por favor me mande um link para esse curso sou pedagoga e mae de uma criança especial de dois anos e meio, quero muito poder começar com ela exercicios para auxilia-la no peiodo de alfabetização e achei nesse blog minha bóia de salvação, obrigada por fazer esse trabalho, como mãe eu agradeço, como professora eu indico, por favor me mande um link ou disponibilize o link no final do video. bjs

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  4. Boa tarde professor,

    Leciono para crianças que estão no quinto ano e após assistir a mais um de seus vídeos ” Seus filhos têm dificuldades de compreensão? Saiba o que fazer” , tive a oportunidade de refletir sobre a relação das atividades de reconto com as de compreensão de texto. A questão colocada pelo pai, remetente da carta, era também uma dúvida minha, todos os anos os alunos chegam ao fim do Ensino Fundamental I apresentando muitas dificuldades para compreender textos, o mesmo acontece quando peço-lhes para reescrever parte de um conto, fábula ou outro gênero que esteja sendo trabalhado com eles. Ouvindo suas colocações e dicas, entendi que deve-se em primeiro lugar, trabalhar oralmente e com afinco, os textos narrativos para sanar qualquer dificuldade presente e posteriormente iniciar o trabalho com a decodificação. Percebo que em seus vídeos você frequentemente enfatiza a questão da capacidade de memória auditiva, acredito que esse item é indispensável na alfabetização inicial, as crianças atualmente não são condicionadas, nem em casa e nem sequer na escola, a desenvolver essa capacidade de ouvir com atenção e expor oralmente o seu entendimento, infelizmente essa falha é refletida nos anos seguintes e muitas vezes até a fase adulta conforme você nos exemplifica em seu vídeo. Por fim, quero agradecer por mais um vídeo esclarecedor e orientador. Reitero que acompanho as suas postagens e que elas estão contribuindo bastante para a minha formação profissional, não chamo-a de aperfeiçoamento porque para tal, é necessário o aprendizado do básico em uma universidade e este é extremamente falho em nosso país.

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  5. Olá tenho dois meninos um de 1 e 4 meses e outro de 3 e 10 meses. O mais velho desde que eu engravidei tem me dado dor de cabeça , ele tinha 2 anos e começou a se transformar me batia , jogava coisas em mim e em meu esposo. Até hoje vivo num ambiente de stress , vivo em outro pais e meu filho q ja vai fazer 4 anos ainda não fala muito bem, um pouco das 3 línguas que ele convive e compreende melhor o português. . Ontem estavamos atravessando a rua e ele não quiria me dar a mão e me agrediu com o brinquedo q estava na outra mão. Hoje vé o me bater de novo 2 vezes e acabei batendo nele porque não admito isso.. O que fazer???? Será q precisa de um psicólogo? Eu já não aguento mais…

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  6. Boa tarde !

    Agradecemos ao Senhor pela disposição em sua vide de cooperar com as famílias.
    O conteúdo do video nos ajudou muito, mas quero deixar aqui a minha elegria em Cristo.
    A dois anos decidimos fazer o ensino domiciliar, enfrentamos muitas dificuldades no primeiro ano.
    Mas sempre crendo na graça de Deus para nos ajudar.
    Quando conhecemos o seu blog louvamos ao senhor pois vemos como misericórdia para nossas vidas.
    Desejamos de todo nosso coração que o Senhor continue a abençoar este projeto .
    Gostaria de um dia poder ir para Londrina conhecer vocês e aprender mais co seus exemplos.
    Vamos continuar orando por vocês.
    Um grande abraço da nossa família.

    Evelyn.

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