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Confira as respostas do professor Carlos Nadalim às perguntas que alunos do curso Ensine Seus Filhos a Ler lhe fizeram sobre sobrecarga cognitiva.
1. O que é sobrecarga cognitiva? Como posso saber se a professora da escola, ou eu mesmo, estou cometendo esse erro com meu filho?
PROF. CARLOS: A sobrecarga cognitiva ocorre quando você exige de uma criança o aprendizado de um conteúdo e, no momento mesmo do aprendizado, a criança tem de acionar várias habilidades, às vezes algumas que ela ainda não possui. O prof. Luiz Carlos Faria, na entrevista que concedeu ao blog, narra um caso de sobrecarga cognitiva no processo de alfabetização de sua filha na escola: a professora havia passado um texto em espiral para que os alunos lessem. Ou seja: no momento em que a criança precisava dominar as constrições mecânico-espaciais da escrita e da leitura (da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma folha depois da outra), fizeram-na ter de girar a folha para ler o texto.
Uma outra estratégia que gera sobrecarga cognitiva ocorre no ensino de uma língua estrangeira para a criança, quando, ao mesmo tempo, exige-se que ela escute, fale, traduza, leia e escreva. Isso é exigir algo que ela não será capaz de fazer, uma vez que, para ler e escrever, ela precisa antes ouvir e falar a língua com fluência e desenvoltura. Isso porque a escuta está para a leitura como a fala está para a escrita. Se a criança não é capaz de ouvir, compreender e imitar os sons da língua, com certeza não conseguirá ler e escrever.
Para evitar a sobrecarga, você precisa avaliar se o método tem uma progressão, se parte do mais simples e vai em direção ao mais complexo; assim seu filho não irá sofrer com a sobrecarga cognitiva, que pode simplesmente travá-lo.
2. Por que é errado pedir que uma criança que está sendo alfabetizada interprete o texto que leu? Afinal, ela não tem de compreender o que lê?
PROF. CARLOS: Uma coisa é compreensão do texto; outra coisa é interpretação. Quando você lê um texto, o seu objetivo é compreendê-lo, extrair o significado dele. Diferente disso é interpretar, o que exige a emissão de um juízo a respeito daquilo que foi compreendido. Muitas vezes, na escola, a criança ainda não lê com fluência (e, conseqüentemente, não compreende bem os textos), mas, mesmo assim, é convidada a interpretar o que leu. Isso obviamente não funcionará!
Por isso, para evitar a sobrecarga cognitiva, precisamos analisar as progressões e seqüências mais adequadas.
Eu sempre digo que as crianças precisam, antes de tudo, dominar o princípio alfabético, ou princípio de correspondência entre fonemas e grafemas, isto é, ela precisa saber que os fonemas são representados graficamente por letras ou grupos de letras. Afinal, esse é o coração do nosso sistema de escrita, e levará as crianças a decodificarem as primeiras palavras.
Por outro lado, elas lerão textos e queremos que elas os compreendam – e, futuramente, que emitam seus juízos sobre eles. Por isso, é preciso também investir em compreensão oral de textos: a compreensão oral servirá de base para a compreensão textual.
3. Como posso saber que uma criança sofreu sobrecarga cognitiva?
PROF. CARLOS: Uma criança que sofreu a sobrecarga acaba ficando paralisada. Conversei certa vez com uma funcionária de uma Secretaria de Educação que relatou ter ido a uma escola e visto uma criança chorando porque não sabia ler. Essa é a questão: uma criança não sabe ler e a professora dá uma prova para que ela resolva sozinha. Este é o resultado: a criança se frustra porque se acha incapaz.
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Colocar uma folha cheia de desenhos aleatórios como carro, moto, árvore, lua, flor, letras… de forma desordenada (tipo: o A no alto, o E no centro, a árvore no canto em baixo…) e pedir para uma criança de 1 ano e meio apontar um determinado desenho/letra, sobrecarrega??
E quando fazemos o mesmo mas diferenciando cor?
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Próximo a hora de dormir, sempre conversarmos com nosso filho e aproveitamos para ensiná-lo algo, isto é correto ou ao prepararmos ele para o sono devemos deixá-lo se acalmar por completo até dormir?
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Boa noite,
Leio para meu filho de 4 anos todos os dias e logo após a leitura faço perguntas sobre os elementos principais da história. É correto este procedimento? Pode causar sobrecarga cognitiva?
Como realizo leitura dialógica com uma criança que já domina a fala?
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Oi, Michelly. Ler em voz alta para o seu filho e fazer perguntas sobre o texto não causa sobrecarga cognitiva; pelo contrário, é uma prática excelente, muito recomendada aqui no blog. A sobrecarga ocorre quando é a criança quem está executando a leitura e, simultaneamente, exigem-se dela outras habilidades para as quais ela ainda não está madura (como ler um texto em espiral, quando ela ainda não domina a leitura linear). A sobrecarga é uma cumulação precoce de habilidades.
Você pode encontrar dicas para a leitura dialógica neste artigo: https://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/39-dicas-infaliveis-para-a-leitura-em-voz-alta-emplacar-na-sua-casa/
Um abraço,