7 poemas sobre o Deus Menino

Tempo de leitura: 8 minutos

Nem só de presentes, Papai Noel, peru e chocolates vivem as crianças no Natal. Elas também gostam de parar um pouquinho e ouvir o pai, a mãe, a avó ou o avô contar uma bela história natalina, ou recitar uma poesia sobre o nascimento do Menino Jesus.

Prepare um cantinho agradável próximo ao presépio ou à árvore de Natal, chame as crianças, acenda velas – elas adoram ficar olhando para as chamas! – e leia em voz alta algumas destas lindas poesias.

Do dia 24 de dezembro até o dia 6 de janeiro, dia de Reis, é tempo suficiente para elas memorizarem ao menos algumas estrofes de um dos poemas. Não tem idéia de como ajudá-las a memorizar uma poesia? Leia estas dicas, aplique-as e, com algum empenho, seu filho lhe surpreenderá recitando uma poesia.

No presépio

Gomes Leal (em “História de Jesus para as criancinhas lerem”)

Naqueles dias, então,

por decreto imperial,

saiu um censo geral

a toda a tribo ou nação.

César Augusto era o gênio

de Roma – da Cítia à Ilíria.

Era então também Cirênio

o presidente da Síria.

Longas estradas de além,

José, mais a noiva amada,

caminharam de jornada

para as terras de Belém.

José, o noivo real,

tivera seu berço ali.

Era o seu país natal!

Eram campos de Davi!

De régia ascendência nobre,

José, apesar de herdeiro,

era um simples carpinteiro,

sereno, tranqüilo e pobre.

Sabia vestir os nus,

socorrer a fome crua,

e aos olhos da noiva, à lua,

mandar súplicas de luz.

Sabia ao seu bem amado

mandar seus ais, seus martírios,

na hora em que do azul sagrado

parece que caem lírios!

Ora, eram vindos os dias,

segundo os signos dos céus,

e as letras das profecias,

que nascia um filho a Deus.

Mas este filho real

não foi nos céus embalado,

não teve ouro, nem brocado,

nem teve régio enxoval!

As nuvens não o enfaixaram

nos seus mantos de cetim!

Nem estrelas lhe cantaram

junto ao berço de marfim!

Não lhe mandou Deus enfeite

em uma salva dourada.

Teve as pérolas do leite

e o orvalho da madrugada!

Não lhe cantaram cantigas

os sóis, para o adormecer.

Teve o ouro das espigas

e os rubis do amanhecer.

(…)

Não lhe ofertaram toalhas

princesa ou rainha loura!

Por enxoval teve as palhas.

por berço, uma manjedoura.

Só, de manhã, o saudaram

as andorinhas no ninho!

Só as violetas o olharam

mais a flor do rosmaninho.

(…)

E o Rei da Morte e da Dor,

sem ter arqueiros reais,

só leu cortejos de amor

nos olhos dos animais.

Os pastores

Gomes Leal (em “História de Jesus para as criancinhas lerem”)

Guardavam certos pastores

seus rebanhos, ao relento,

Sobre os céus consoladores

Pondo a vista e o pensamento.

Quando viram que descia,

Cheio de glória fulgente,

Um anjo do céu do Oriente,

Que era mais claro que o dia!

Jamais os cegara assim

Luz do meio dia, ou manhã.

Dir-se-ia o audaz Serafim,

Que, um dia, venceu Satã.

Cheios de assombro e terror,

Rolaram na erva rasteira,

Mas ele, com voz fagueira

Lhes diz, com suave amor:

“Erguei-vos, simples, daí,

Humildes peitos da aldeia!

Nasceu o vosso Rabí,

Que é Cristo – na Galiléia!

Num berço, o filho real,

Não o vereis reclinado:

Vê-lo-eis pobre e enfaixado

Sobre as palhas de um curral.

Segui dos astros a esteira.

Levai pombas, ramos, palmas

Ao que traz uma joeira

Das estrelas e das almas!”

Foi-se o anjo: e nas neblinas,

Então, celestes legiões

Soltam místicas canções

Sobre violas divinas.

Erguem-se, enfim, os pastores

E vão caminhos d’além

Com palmas, rolas e flores,

Cordeiros, até Belém.

E exclamavam, indo a andar:

“Vamos ver o Vinhateiro!

Ver o que sabe lavrar

Nas nuvens. Ver o Ceifeiro!

Vamos beijar os pés nus

Do que semeia nos céus!

Ver esse pastor, que é Deus,

E traz cajado de luz!”

Chegando ao presépio, enfim,

Caem, de rojo, os pastores,

Vendo o herdeiro d’Eloim,

Que veste os lírios e as flores.

Dão-lhe pombas gloriosas,

Meigos, tenros animais.

Mas, vendo coisas radiosas,

Casos vindouros, fatais…

Abria o Deus das crianças

Uns olhos profundos, graves,

No meio das pombas mansas:

Nas palpitações das aves!

Natal

Olavo Bilac (em “Poesias infantis”)

Jesus nasceu! Na abóbada infinita

soam cânticos vivos de alegria;

E toda a vida universal palpita

dentro daquela pobre estrebaria…

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas

no berço humilde em que nasceu Jesus…

Mas os pobres trouxeram oferendas

para quem tinha de morrer na Cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado

pelo luar dos olhos de Maria,

vede o Menino-Deus, que está cercado

dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;

Na humildade e na paz deste lugar,

assim que abriu os olhos inocentes,

foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,

seguindo a estrela que ao presepe os guia,

vêm cobrir de perfumes e de flores

o chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;

Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!

Sobre esta palha está quem salva o mundo,

quem ama os fracos, quem perdoa o mal!

Natal! Natal! Em toda natureza

há sorrisos e cantos, neste dia…

Salve, Deus da humildade e da pobreza,

nascido numa pobre estrebaria.

Numas palhinhas deitado

João Saraiva

Numas palhinhas deitado,

abrindo os olhos à luz,

loiro, gordinho, rosado,

nasce o Menino Jesus.

Uma vaquinha bafeja

seu lindo corpo divino,

de mansinho, que a não veja

e não se assuste o Menino.

Meia-noite. Canta o galo.

Por essa Judéia além

dormem os que hão de matá-lo

quando for homem também.

E, pensativa, a Mãe Pura

ouve, fitando Jesus,

os rouxinóis na espessura

de um cedro que há de ser cruz!…

Natal

Henriqueta Lisboa (em “Nova Lírica”)

Vejo a estrela que percorre

a noite larga.

Vejo a estrela que perturba

fundos mares.

Vejo a estrela que revela

a eternidade.

Mas para onde foi a estrela

contemplada?

Para onde foi no momento

mais amargo?

Em que cimos ora habita

que debalde

a procuro nestas frias

orvalhadas?

Vejo a estrela – tão de súbito! –

ao meu lado.

Vejo os olhos do Menino

desejado.

O presépio

Joaquim Serra

Na palhoça iluminada,

Que fica junto da ermida,

Des que a missa foi cantada

Se congrega a multidão;

Toldo de mirta florida,

Flores de mágico aroma

Ornam o presépio, que toma

Na sala grande extensão.

Quão lindo está!  Não lhe falta

Nem o astro milagroso

Que de repente brilhou;

Nem o galo, que o repouso

Deixara por noite alta

E que inspirado cantou!

Tudo o que a lenda memora

E consagra a tradição,

Vê-se ali, grosseiro embora,

Despido de perfeição.

Céu de estrelinhas douradas,

Estrelas de papelão;

Brancas nuvens fabricadas

Da plumagem do algodão!

Anjos soltos pelos ares,

Peixes saindo dos mares,

Feras chegando do além.

Marcha tudo, e vêm na frente

Os Reis Magos do Oriente

Em demanda de Belém.

É esta a lapa; o Menino

Nas palhas está deitado,

Com um sorriso de alegria

Todo doçura e amor!

Contempla o quadro divino

São José ajoelhado,

E a Santíssima Maria

De Jericó meiga flor!

Trajando risonhas cores

Com muitos laços de fitas,

Rapazes, moças bonitas

Formam grupos de pastores.

Que curiosos bailados,

Com maracás e pandeiros!

E o ruído dos cajados

Desses risonhos romeiros!

Essa quadrilha dançante,

Cantando versos festivos,

Aos pés do celeste infante

Vai depor seus donativos:

Frutas, doces, sazonadas,

Ramilhetes de açucenas,

Cera, peles delicadas,

Pombinhos de brancas penas.

São as joias que os pastores

Dão ao Deus onipotente!

E o povo aplaude os cantores

E o espetáculo inocente.

Eis o presepe singelo

Da devoção popular;

Oratório alegre e belo

Sagrado risonho altar!

A noite de Natal

Frei Agostinho da Cruz

Era noite de inverno longa e fria,

Cobria-se de neve o verde prado;

O rio se detinha congelado,

Mudava a folha cor, que ter soía.

Quando nas palhas duma estrebaria,

Entre dois animais brutos lançado,

Sem ter outro lugar no povoado

O Menino Jesus pobre jazia.

– Meu amor, meu amor, porque quereis

(Dizia Sua Mãe) nesta aspereza

Acrescentar-me as dores que passais?

Aqui nestes meus braços estareis;

Que, se Vos força amor sofrer crueza,

O meu não pode agora sofrer mais.


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