A Polêmica sobre a “Caminho Suave” e o Método Silábico

Tempo de leitura: 5 minutos

Neste vídeo falo um pouco mais sobre os problemas dos métodos silábicos, respondendo a questões que foram levantadas sobre o assunto. Assista!

Hoje vou falar um pouco sobre a polêmica gerada em torno de um vídeo em que faço algumas críticas à cartilha “Caminho suave” e aos métodos silábicos em geral.

Foram vários os pontos levantados na internet, dos quais selecionei dois. Muitas pessoas questionaram o seguinte: “Professor Carlos, eu fui alfabetizado pela cartilha ‘Caminho suave’, sei ler com perfeição, escrevo muito bem e compreendo os textos que leio. De acordo com esse vídeo eu seria burro? Seria semi-analfabeto?”. Outras concluíram que eu desconsiderava a importância da consciência silábica no processo de alfabetização. Analisemos os dois pontos.

Com relação à cartilha “Caminho suave”, frisei que, em comparação com o método global, ela é infinitamente superior. Eu fui alfabetizado pela cartilha, Arno também. Temos gerações inteiras de brasileiros alfabetizados por esse material. Mas afastemos por ora o sentimento nostálgico e a saudade dessa cartilha que nos acompanhou durante o processo de alfabetização e a recordação das imagens que a ilustravam – desenhos de fato mais belos do que os que temos hoje à disposição. Àquela época, esse era o método que permeava a alfabetização de todos, porém hoje sabemos que há outros métodos superiores ao silábico.

Eu fui alfabetizado pela “Caminho suave”, certo? Tenho um filho de 1 ano e 7 meses, e ele já está em processo de alfabetização, no entanto eu adoto outro método. Não é porque fui alfabetizado por essa cartilha que devo passar a mesma metodologia para meu filho. Percebi que há problemas na cartilha “Caminho suave” e nos métodos silábicos em geral. Como me dei conta disso? Na escola em que atuo, ao receber crianças vindas de outras instituições, notei que era muito comum que tivessem dificuldades surgidas justamente de uma alfabetização pautada em métodos silábicos, as quais precisam ser corrigidas. Além disso, trabalhei com grupos de adultos universitários que, alfabetizados por métodos silábicos, possuíam enormes dificuldades em leitura e compreensão de textos.

Minhas experiências são ainda reforçadas por comprovações científicas. Realizei uma entrevista para o blog com o prof. José Morais, sumidade mundial no assunto, na qual ele diz claramente que, embora o método silábico trabalhe com uma unidade fonológica, que é a sílaba, ele não é superior aos métodos fônicos por uma série de razões. Isso também nos é confirmado pelo professor Luiz Carlos Faria da Silva, nosso parceiro e especialista na área de teoria cognitiva da leitura e que tem escritos importantíssimos em nosso país a respeito do assunto.

Portanto, contamos, por um lado, com respaldo científico e, por outro, com minha prática pedagógica. O casamento dessas duas questões gerou o curso “Ensine Seus filhos a Ler”, e vocês podem acompanhar os testemunhos dos pais que fizeram esse curso.

Afinal, o que você quer para seu filho? O que você quer dar a ele? Estou apresentando uma proposta e tenho certeza de que ela é a melhor, tanto por experiência quanto por conhecimento científico.

Aos que levantaram a possibilidade de eu estar desprezando a consciência silábica no processo de alfabetização, respondo que isso evidentemente não é verdade. Basta ler o ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar Seus Filhos em Casa” que disponibilizamos gratuitamente na internet para chegar à conclusão de que a consciência silábica faz parte de uma das 5 etapas. Ora, publicamos o ebook antes mesmo de lançarmos o vídeo que gerou a mencionada polêmica. Nele destaco a importância da consciência silábica, mas deixo claro que a consciência silábica é uma das 5 etapas e não o fim do processo de alfabetização, como ocorre nas cartilhas de alfabetização pelo método silábico. Elas apresentam a sílaba como núcleo e como chave para que se leia qualquer coisa. O problema é que a chave não é a sílaba, mas o princípio alfabético. O que seria o princípio alfabético? Não se trata apenas de conhecer as letras do alfabeto, e sim de explicitar para as crianças as correspondências entre grafemas e fonemas. Eis a chave do processo, sobre a qual falarei numa série de vídeos.

Então, para formar um leitor hábil é preciso explicitar o princípio alfabético, e não simplesmente treinar sua consciência silábica. Como prova do que estou falando, várias pessoas – inclusive analfabetas – têm consciência silábica, como alguns repentistas, entretanto são incapazes de perceber unidades intrassilábicas. Se dentro da palavra existem sílabas, dentro das sílabas encontram-se unidades intrassilábicas, e estas são as mais importantes no processo de alfabetização.

Por fim, para não prolongar muito o assunto, nosso sistema de escrita é alfabético. Você sabe o que isso significa? Quer dizer que os grafemas se reportam a fonemas. Logo, o próprio sistema de escrita já foi desenvolvido com essa tecnologia fabulosa para levar o leitor ao acesso dos fonemas.


Faça o download da versão em áudio e ouça essa dica quando quiser!

Assine nosso podcast no iTunes e receba gratuitamente nossos conteúdos em áudio. Assine em seu computador pelo link bit.ly/cesf-podcast. Siga-nos e deixe um review!


Deixe suas dúvidas e opiniões aqui embaixo! Obrigado por compartilhar nosso conteúdo!

Receba em seu email nosso ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, um guia completo e totalmente gratuito para introduzir seus filhos no universo da Alfabetização. Clique aqui: https://goo.gl/FDS4xU.

5 Comentários


  1. Professor Carlos,na sua opinião,qual é a maior falácia do “Construtivismo”?

    Responder

  2. Professor Carlos,fui alfabetizado pelo método da soletração.O senhor tem algo a dizer sobre?

    Responder

  3. Bom dia! Meu filho tem 3 anos e no ano passado ganhou um jogo com letras. Então hj ele ja reconhece várias letras. Nós não conhecíamos ainda o seu trabalho e agora estamos seguindo suas dicas. Se mostramos uma letra para ele e perguntamos que letra é, ele diz por exemplo: “P de papai”. E se perguntamos que som faz o P ele ja reproduz. Nós ja decidimos que vamos aplicar o seu método, mas agora minha pergunta é: Deixamos de lado toda essa parte que ele já aprendeu e começamos do zero, com suas dicas? Eu gosto quando estamos lendo e ele reconhece as letras, particularmente eu não queria que ele esquecesse essa parte. Sem conhecer o seu método acabamos adotando métodos mistos. Como procedemos agora? Obrigada pela atenção, abraços

    Responder
    1. Arno Alcântara

      Olá, Maike! Não há o menor problema em começar a aplicar o método fônico, pois você vai deixar de lado, por pouco tempo, os grafemas, dedicando-se às habilidades auditivas de seu pequeno filho, em primeiro lugar. Depois, com tranquilidade, você fará a correlação entre grafema e fonema, sem problema. E nesse momento, o fato de seu filho já saber a grafia das letras será proveitoso. As crianças tem uma memória e tanto! Seu pequeno não vai esquecer das letras, fique tranquila. Já acessou nossa série gratuita de vídeos sobre alfabetização? Dê uma olhada: comoeducarseusfilhos.com.br/serie-gratuita Abraço!

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *