Alfabetizar aos 4 Anos é Prejudicial?

Tempo de leitura: 5 minutos

Alfabetizar aos 4 anos é prejudicial? Para que forçar a criança tão precocemente? Ela não deveria estar brincando nessa fase da vida? Essas são algumas das perguntas que surgiram depois que publicamos os felizes resultados que nossos alunos estão atingindo. Neste vídeo, respondo a essas questões e mostro que você deve, sim, começar o processo de alfabetização do seu filho desde cedo. Confira!

Surgiu outra polêmica no blog “Como Educar Seus Filhos”. Entrevistei uma de minhas alunas, Gisela Lamarca, que alfabetizou seu filho aos 4 anos graças ao curso “Ensine Seus Filhos a Ler”. A polêmica foi a seguinte: essa mãe não teria alfabetizado precocemente seu filho? O professor Carlos não estaria estimulando a alfabetização precoce em casa? As crianças não têm de brincar nesse período tão importante da vida?

Precisamos entender uma coisa: às vezes ocorre uma incompatibilidade entre a idade cronológica da criança e sua idade lingüística. Crianças estimuladas de maneira adequada podem apresentar tal incompatibilidade, e você perceberá que a idade lingüística de algumas está acima de sua idade cronológica. O contrário também pode acontecer: há crianças cuja idade lingüística está abaixo da idade cronológica. Nesses casos, precisamos analisar se a criança tem alguma patologia ou se deixou de receber uma estimulação adequada.

Para citar um exemplo, veja o que ocorre em unidades do Kumon. Lá há várias crianças acima de sua série escolar. Algumas têm 4 anos e já estão resolvendo operações que só encontrariam no primeiro ano do Ensino Fundamental I, pois no Kumon recebem um ensino individualizado, particularizado, em que o professor leva em consideração o que a criança é capaz de atingir, sem freá-la caso tenha uma capacidade superior para a idade. A mesma coisa ocorre quando em programas de pré-alfabetização, como acontece no curso “Ensine Seus Filhos a Ler”. Ali nós preparamos as crianças para a alfabetização. Algumas se adiantam e assimilam os conteúdos do programa de alfabetização. Isso ocorre porque a idade lingüística delas está acima de sua idade cronológica.

O que fazer com essas crianças? Impedi-las? Dizer-lhes que não podem aprender isso ou aquilo porque só têm 4 anos, quando o que se vê, de fato, é que a criança consegue adquirir aquelas habilidades naquele momento? Não há razão para bloquear a criança! Ao contrário, uma criança com capacidades e que quer adquirir certas habilidades, se barrada pelos pais, poderia até frustrar-se e ficar desestimulada.

Outra questão levantada foi se o fato de alfabetizá-las mais cedo não as estaria impedindo de brincar ou reduzindo um tempo que deveria ser gasto com brincadeiras. Ora, quem disse que as atividades do meu curso não envolvem também brincadeiras e recursos lúdicos? Há uma série de enredos e jogos para que as crianças comecem a refletir sobre os sons da fala. Chico dos Bonecos, especialista em contação de histórias e entendedor de tudo o que diz respeito a brinquedos e brincadeiras, costuma dizer que há dois tipos de brinquedos: os visíveis e os invisíveis. Os brinquedos invisíveis são as palavras. Não subestimemos os nosso filhos: eles adoram brincar com as palavras, esses brinquedos invisíveis!

Vou dar outro exemplo: meu filho já sabe mais de 30 parlendas de cor. Desde pequeno, ele ouvia essas parlendas, entoadas por mim ou reproduzidas de um CD. Quando ele tinha em torno de 2 anos e 7 meses, enquanto pulava na cama elástica, eu entoava para ele uma parlenda bastante conhecida:

Pula, pula, pipoquinha

Pula, pula, sem parar

Pula, pula, pipoquinha

Pra crescer e estourar

Agora, naturalmente, ao pular na cama elástica, começa a entoar sozinho a parlenda. Percebi também que ele começou a sincronizar o ritmo do pulo com o da fala. Além disso, poderei aproveitar essa parlenda memorizada em um contexto divertido para explicitar-lhe, por exemplo, a presença do fone [p], que tanto aparece nela.

Finalmente, é natural que as pessoas estranhem que, no Brasil, crianças de 4 anos comecem a ler. No nosso país temos um programa chamado “Alfabetização na Idade Certa” que estipula a idade de 8 anos para a alfabetização das crianças brasileiras. Contudo vários pesquisadores e estudiosos do campo da educação criticam tal meta estabelecida pelo governo. Mas sabemos que muitas vezes essa propaganda ganha uma força muito intensa nos meios pedagógicos e entre os professores, de modo que os pais acabam freqüentemente concordando com a idéia. Por isso, muitos olham para uma criança de 4 ou 5 anos que já lê e acham que a pobrezinha foi vítima de uma estimulação precoce.

Quero incentivá-los a estimular lingüisticamente seus filhos! Apesar de não ser comum em nosso país, em outros países é algo natural – pais que receberam essa estimulação transmitem-na para os filhos com naturalidade. Muitas vezes, quando falamos em um curso ou programa, já surge a visão de que a criança será submetida a uma rotina torturante, quando o que acontece de fato é algo bem diferente. Tire esse preconceito de sua cabeça! Em nosso curso as crianças brincam com jogos de linguagem, os pais se divertem com os filhos e a rotina sugerida ainda estreita as relações familiares. Temos como objetivo final preparar as crianças para a alfabetização, mas muitas outras coisas acontecem durante o processo.


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9 Comentários


  1. Meu filho mais velho aprendeu a ler sozinho aos 3 anos. O processo começou por ele mesmo desde 1 ano de idade. Como professora, estava sempre corrigindo ou cercada de livros planejando aulas. Ele ia com o dedinho de cima até embaixo das páginas, marcando as letras iguais. Quando começou a balbuciar as primeiras palavras, perguntava em cada letra que tocava: qui? E eu respondia dando o nome da letra. Depois começou a perguntar o som que fazia juntando uma letra com outra e a identificar palavras iguais em propagandas e apontava sempre que as achava. Dei-lhe um dicionário Disney e praticamente o decorou. Quando vimos, estava lendo e saia pela rua, um toquinho de gente, lendo todas as placas e as pessoas olhando espantadas. Era a sensação da vizinhança. Aos quatro anos, foi para o jardim de infância e chorava todos os dias porque queria ir para a outra sala, onde estavam escrevendo. Aos cinco, fiz uma romaria em todas as escolas particulares da cidade e nenhuma queria aceitar por causa da idade. Afinal, numa das escolas, o diretor pediu que fizesse um teste. A orientadora levou-o e voltou com um sorriso: aprovadíssimo. Sempre foi aluno nota dez. A gente diz em casa que sua cabeça é um computador. Qualquer dúvida, é a ele que recorremos. Hoje é engenheiro de computação. Mas sua verdadeira paixão é a geografia, que já se manifestou aos 6 anos, quando me submetia a longos testes sobre países e capitais. Eu errava, mas, quando era a vez dele, não havia erro nunca. Como nunca houve qualquer pressão, os outros dois foram alfabetizados na escola. Mas hoje são todos profissionais bem sucedidos, todos os três nos mesmos patamares. Assim sendo, acho que, sendo feita com naturalidade, não vejo prejuízo numa alfabetização precoce nem vejo também tantas vantagens assim. O importante é que o processo seja firme, sem falhas, que dificilmente serão sanadas mais tarde. Uma criança que é bem alfabetizada tem segurança para absorver todos os ensinamentos que virão em sua vida.

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  2. Oi!! Amei esse blog!!
    Tenho estimulado meu filho em casa através de músicas, filmes pedagogicos e atividades lúdicas. Meus filho tem 2 anos e 10 meses. Ele ja esta identificando a sequencia nunerica de 1 a 15. E ja sabe a sequencia do alfabeto , identifica ja algumas letras e sabe cores e algumas formas. Isso tudo em portugues e ingles.Não estou seguindo ainda esse metodo do curso. O que acho q vai me enriquecer muito. Pois acho q tenho abusado do visual. Mas não parti pra escrita de fato. Sempre q vamos pro papel deixo ser algo livre ou com colagens e pinturas que não forcem ele a ter a obrigação de escrever.
    Acredito que esse curso vai me dar umas dicas nas quais talvez tenha me perdido e me prendido. O que pode talvez atrapalhar ele lá n frente. Ansiosa pelo curso!!

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  3. É uma pena que as pessoas ainda estejam tendo dúvidas sobre se devem aproveitar a fase de maior desenvolvimento cerebral dos filhos, em pleno século XXI.

    Mas fico feliz que existam iniciativas como as deste blog. Parabéns.

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    1. Pâmela Arumaa

      Exato, Denis. Você disse tudo.

      Este é o questionamento que mais recebemos, infelizmente.

      Além de trabalhar no suporte do curso, fui aluna da segunda turma, aproveitei muito a chamada fase de ouro, que vai dos 0 aos 3 anos. Resultado? Minha filha tem uma memória espetacular, ama livros, tem uma coordenação muito avançada para a idade e começou a ler de uma forma tão natural que surpreendeu até mesmo a mim, que praticava as brincadeiras com ela. Está com 5 anos hoje.

      Tudo sem sofrimento, sem cobranças, apenas com brincadeiras que nos aproximaram muito.

      Nós que agradecemos seu incentivo e confiança.

      Abraços.

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  4. Prof. Carlos, meu nome é Alex, sou casado e tenho dois filhos, um com 8 anos e outra com 6 anos. O de 8 anos já consegue ler, mas não fluentemente. A de 6 anos está com dificuldade. O método que a escola e minha esposa utiliza é o SILÁBICO. Assim, gostaria de saber se passar a utilizar o método é você defende, isso não iria bagunçar a cabeça deles.
    Grato.

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    1. Pâmela Arumaa

      Olá, Alex.

      O melhor é que a criança não seja submetida a dois métodos, para que não haja o risco de um cruzamento metodológico. Mas sabemos perfeitamente que nem sempre isso é possível, sendo assim, aplique sem medo o método de forma compensatória, a fim de corrigir as falhas advindas do processo silábico.

      Conte conosco!

      Abraços.

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  5. Olá, achei maravilhosos os métodos e etapas de alfabetização. Lembro que tive muito dificuldade em aprender a ler. Eu escrevia tudo, mas não lia nada. Minha mãe até tentou me ajudar, mas não foi bem sucedida, então teve que me matricular em aulas particulares.
    Baixei o e-book e o li, e achei interessantíssimo!
    Gostaria de coloca-lo em prática, mas tenho alguns receios.
    Sou mãe de um garotinho de 3 anos de idade. Onde moro as escolas ou pré-escolas só aceitam crianças a partir dos 4 anos, excetos algumas escolas particulares, mas eu infelizmente, não tenho condições de matricular meu filho numa escola particular no momento. Gostaria de saber se posso alfabetiza-lo em casa, se não seria uma atitude prejudicial ou muito precoce? Não gostaria de vê-lo com as mesmas dificuldades que tive.
    Obrigada.

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    1. Pamela Arumaa

      Olá, Elly.

      Você não só pode, como deve. A pré-alfabetização se inicia aos dois anos e meio. Eu comecei a aplicar o curso com minha filha aos 3 anos de idade, aos 4 ela já estava lendo palavras simples. 🙂

      Abraço!
      Pâmela Arumaa – Suporte

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  6. Não assisti ao vídeo, mas quero dar um depoimento sobre mim mesma aqui, já que não tenho um blog, para que as pessoas interessadas no assunto possam dar uma olhada. Aprendi a ler aos 4 anos de idade praticamente sozinha. Quando não sabia ler ainda, pedia para que meus pais lessem quadrinhos da Turma da Mônica. Eu acompanhava as falavas e, quando tinha dúvidas, perguntava, por exemplo:
    – Como fica N + A?
    – Na.
    – Ah, então isso é “banana”?
    Meus pais disseram que nunca quiseram me ensinar, porque achavam que isso seria prejudicial, porém, ao mesmo tempo não achavam correto ignorar minhas dúvidas. Eu era assim simplesmente porque odiava passar por várias placas e não entendê-las, tendo que perguntar o tempo todo para um adulto o que estava escrito em tudo.
    Na minha opinião, ser alfabetizado definitivamente não tem a ver com deixar de brincar. Isso só abre o mundo da criança, possibilitando-a de ganhar um ano ou alguns meses a mais para aprender sobre o mundo através da leitura.

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