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Quando falamos em alfabetização, a primeira coisa que passa pela cabeça da maioria das pessoas é apresentar o alfabeto e ensinar os nomes das letras às crianças. Movidos por uma espécie de ansiedade de ver os pequenos lendo logo, pais, avós, tios, conhecidos e até desconhecidos ensinam musiquinhas com o abecedário, aproveitam todas as chances para nomear as letras e compram dezenas de brinquedos educativos estampados com letras e números. Eles ignoram, contudo, que, antes de ensinar as letras e seus nomes, é preciso apresentar os sons que essas letras representam e que há uma série de outras coisas a fazer para preparar as crianças para a alfabetização.
Antes de aprender a ler e escrever, as crianças precisam adquirir progressivamente algumas noções sobre leitura e escrita e desenvolver certas habilidades que as prepararão para a alfabetização formal. Esse processo de pré-alfabetização não deve ser ignorado e o ideal é que se realize dos 0 aos 5 anos, período em que a capacidade para aprender é incrivelmente grande. Estudos têm mostrado que o sucesso na escola é fortemente influenciado por esse trabalho prévio de promoção de uma literacia emergente, realizado em casa pelos pais, avós ou outros responsáveis, ou seja, pelos primeiros professores das crianças.
Mas quais são, afinal, essas habilidades? O que você, como primeiro responsável por preparar as bases para que seu filho leia e escreva bem, deve fazer?
Para esclarecer essa dúvida, preparamos esta série de artigos, na qual apresentaremos as habilidades e práticas fundamentais que preparam o terreno para o cultivo da leitura e da escrita.
“Mamãe, o que está escrito ali?”
Hoje falaremos sobre a consciência do impresso, ou seja, a consciência de que existe uma relação entre a linguagem escrita e a linguagem oral. Antes de aprender a ler, a criança precisa perceber que as palavras impressas em um livro, a receita que sua mãe anota no caderno, os dizeres nos letreiros, outdoors, panfletos e revistas, tudo isso são representações da linguagem oral, linguagem com a qual elas têm mais familiaridade, pois é predominantemente através dela que se expressam. Assim, elas percebem que a escrita é útil, presta-se à comunicação e começam a se interessar por ela. Como já dissemos no blog, esse é um primeiro passo importantíssimo no processo de alfabetização.
Ter consciência do impresso é também saber como a leitura de um livro “funciona”: como manuseá-lo corretamente, não o segurando de cabeça para baixo, localizando capa, lombada, orelhas, distinguindo início e fim em cada página, sabendo que a leitura se faz de cima para baixo e da esquerda para a direita; aprendendo, enfim, as regras básicas que regem a direcionalidade da leitura e da escrita nas línguas ocidentais.
Outro indício de que está adquirindo tal consciência é perceber que existem palavras num texto escrito, e que elas são separadas umas das outras por espaços – e às vezes por sinais de pontuação. Com o tempo, a criança poderá começar a entender – ainda que de forma rudimentar – que as frases começam por uma letra maiúscula e que os sinais de pontuação indicam pausas na leitura. Se a leitura partilhada de livros for uma prática habitual em sua casa, seus filhos também serão capazes de perceber que, num livro ilustrado, as ilustrações reforçam o que o texto comunica e “ajudam” as palavras a contar uma história.
Todas essas noções são muito simples, mas não intuitivas. Crianças que têm pouco ou nenhum contato com livros terão muito mais dificuldade em perceber essas coisas que nos parecem tão óbvias.
Como desenvolver essa habilidade?
Já demos algumas dicas de como ajudar seus filhos a desenvolver essa consciência. Mas reunimos aqui uma boa quantidade de maneiras de fazê-lo. Confira!
- É de pequenino que se torce o pepino. Leia para seu filho desde que ele nasce. Deixe que o bebê manuseie livros cartonados, de pano ou de plástico. Ensine-o a passar as páginas e a apreciar as imagens. Neste artigo, há muitas sugestões de como apresentar um livro e lê-lo para um bebezinho.
- Use o dedo indicador. Ao ler para seu filho, passe seu dedo indicador sobre as palavras para que ele perceba a direcionalidade da escrita, de cima para baixo e da esquerda para a direita.
- Apresente o livro e suas partes. Capa, contracapa, lombada, folha de rosto, orelhas. Mostre e nomeie cada parte deste companheiro tão especial. Diga o nome do autor e do ilustrador, para que o pequeno comece a entender que toda aquela história foi pensada e escrita por alguém e ilustrada por alguém. Aponte para a primeira palavra do livro e diga: “É aqui que a história começa.”
- Letronas. Livros com letras grandes atraem mais a atenção das crianças pequenas para as palavras.Tenha alguns em casa.
- Confira como anda o desenvolvimento dessa habilidade. Faça periodicamente testes para ver se seu filho está adquirindo uma primeira consciência do que são a leitura e a escrita, de como são feitas e para que servem. Dê um livro a ele e peça-lhe para apontar:
- a capa do livro
- a contracapa
- a lombada
- o título do livro
- por onde você deve começar a ler
- onde termina a história
- uma ilustração
- uma palavra
- uma letra
- a primeira palavra de uma frase
- a última palavra de uma frase
- a primeira letra de uma palavra
- a última letra de uma palavra
- Aponte para algumas palavras, leia-as em voz alta e incentive-o a dizê-las em voz alta. Isso o ajudará a entender que você está lendo aquelas palavras no livro, não apenas contando uma historinha com base nas ilustrações. Ler um mesmo livro várias vezes também auxilia nisso.
- Pontuação. Com crianças mais velhas, você já pode começar a apresentar os sinais de pontuação e brincar com eles. Aponte um sinal de interrogação e, exagerando na entonação da frase, mostre como ele serve para indicar uma pergunta, uma dúvida, um questionamento. Aponte o ponto de exclamação e mostre para que ele serve, explicando por que você lê as frases exclamativas com uma entonação diferente.
- De ponta-cabeça. Experimente segurar um livro de cabeça para baixo para ver se ele se dá conta disso e corrige você.
- Monte um livro com seu filho. Pegue algumas folhas de papel A4, dobre-as ao meio e grampeie-as. Planeja com ele uma história com começo, meio e fim. Peça para ele fazer uma ilustração na capa e desenhar ou pintar cada uma das cenas da história. Escreva na capa o título, o nome do autor (o nome de seu filho), lembrando-se de explicar tudo o que está fazendo. Em baixo das ilustrações de seu filho, escreva a história que vocês planejaram.
- Aproveite as oportunidades do dia-a-dia. Faça uma lista de compras e leia em voz alta cada um dos itens, correndo o dedo sob as palavras. Peça à criança para repetir os itens da lista. Aponte para palavras escritas em letreiros, outdoors, embalagens de alimentos, caixas de jogos, placas e leia-as em voz alta.
- Etiquetas. Faça etiquetas identificando as caixas de brinquedos, as gavetas de roupas, os cestos de materiais de artes. Quando for usar esses objetos, aponte para a etiqueta e leia seus dizeres para seu filho.
- Leitura freqüente. Acima de tudo, leia bons livros para seu filho diariamente. É durante a leitura partilhada que se desenvolve de maneira mais segura e sólida a consciência do impresso.
Faça isso e logo ele começará a ficar curioso e interessado em saber o que está escrito na placa de trânsito, na capa do livro, na camisa do moço na rua… Você também verá como as crianças aprendem rápido quando estimuladas em casa por meio de práticas tão simples.
Gostou das dicas de hoje? Acompanhe esta série e aprenda o que fazer para preparar seu filho para a alfabetização.
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Muito bom. Parabéns pelo trabalho.
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gostaria de iniciar o aprendizado da minha filha de três anos, pediria mais orientações para inicia-lá na alfabetização.
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Apreciei a leitura e com certeza abriu me abriu muitas janelas para fazer com meus pequenos avancem em seu processo de leitura.
Continuem me enviando novos temas.
Obrigada
Eliete
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É minha primeira vez aqui no site e estou gostando muito,peguei varias dicas importantíssimas na qual irei acrescentar em minha rotina para com o meu filho
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Problemática interessante, pois sempre surge a dúvida ensinar ou não a criança em casa? será que não vai pular etapas?
Eu por ser educadora me preocupo, meu filho foi desde cedo sabendo além para a escola eu penso que só vem a somar. Pois as crianças de hoje são curiosas e nosso papel é não podar este interesse.
Ensinar conforme o interesse de cada criança, pois cada um tem o seu tempo.
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Excelente artigo. Colocarei em prática com meus filhos. Grande abraço e parabéns pelo trabalho. Indiquei seu nome para uma escola aqui de Goiânia que não o conhecia e as coordenadoras ficaram encantadas com seu trabalho.
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Obrigado, pelo envio de e-mails com conteúdos tão bons….
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Olá,
E quando a criança já conhece as letras e sabe nomeá-las, como devemos proceder? Qual o “estrago” que isso produz? Minha filha mais velha tem 2 anos e meio, sabe bem as letras, brinca com elas, mas ainda tem dificuldades em reproduzir os sons de cada uma, em especial do F e do V.
Abraços
PS: o livro Linha, Agulha, Costura, Canção, Brincadeira, Leitura é fantástico! Ela adorou as músicas e já canta várias. Parabéns pelo trabalho!
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Qual o autor deste livro. Tenho um neto de 2 anos e queria comprar para lermos juntos. Mas com esse titulo, não consta nas grandes livrarias!!!
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ADOREI as dicas, tenho um filhote de 4 anos e vou colocar em prática a partir de hoje mesmo!!! Posteriormente retorno para comentar como temos nos saído. ?
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legal! tenho um filho de 7 anos que eu alfabetizei ele em casa e aos 4 anos já sabia ler! Hoje, ele tem a leitura como hobby e ler melhor que muito adulto! porem, tenho um filho de 3 anos que não tem noção alguma de nada de leitura, acabei de coloca-lo na escolinha pela primeira vez! não tinha pensado em alfabetiza-lo em casa como fiz com o primeiro, pois o tempo hoje é bem mais corrido! Mas depois desse artigo minha inspiração voltou! vou começar hoje mesmo!
muito obrigada e anseio pelo próximo!
att;
Jeniffer