Antes de Aprender a Ler, o que seu Filho Precisa Saber? (Parte 2)

Tempo de leitura: 7 minutos

Antes de aprender a ler e escrever, as crianças precisam adquirir algumas noções sobre leitura e escrita e desenvolver certas habilidades que lhes serão necessárias durante a alfabetização propriamente dita. Quais as habilidades e práticas fundamentais que ajudarão seu filho a ler e escrever bem no futuro? No primeiro artigo desta série, falamos sobre a consciência do impresso, a noção de que existe uma relação entre a linguagem escrita e a linguagem oral e de que a linguagem escrita segue algumas convenções.

Hoje, no segundo artigo, vamos falar sobre a consciência fonológica. Mas o que é isso? Quando preparamos uma criança para ouvir, reconhecer e manipular as unidades sonoras da fala, estamos ajudando-a a desenvolver a consciência fonológica.

Uma criança com essa habilidade bem desenvolvida, ao ouvir a frase “O menino joga a bola.” consegue perceber que “bola” é uma palavra distinta das demais; que ela é composta de duas sílabas (bo-la) e que ainda é possível segmentá-la em quatro sons distintos (b-o-l-a). Que fique claro: segmentá-la em quatro sons e não quatro letras. Essa consciência não tem a ver com as letras e o reconhecimento das letras, mas com os sons. Os primeiros exercícios de consciência fonológica podem – e devem – ser realizados antes mesmo de a criança aprender as letras e seus nomes.

Tal consciência também permite à criança reconhecer que “mola” e “bola” terminam com os mesmos sons – elas rimam -, mas começam com sons diferentes; e que “bola” e “barco” começam com o mesmo som.

Perceber que a língua que elas falam e escutam no dia-a-dia é composta dessas unidades sonoras é fundamental para que as crianças aprendam a ler e escrever.

Depois que aprende a reconhecer uma palavra, separá-la em sílabas, identificar cada “sonzinho” de que é composta e manipular cada uma dessas pequenas unidades, ela já tem as bases para “montar” e “desmontar” palavras. Quando lhe ensinarem as letras, associando-as sempre a seus sons – ou seja, quando ela aprender o princípio alfabético -, ela terá  facilidade para juntar letras e sílabas e, assim, decodificar (ler) e codificar (escrever) palavras.

Mas como meu filho pode aprender tudo isso?

Se você lê freqüentemente para seu filho, principalmente poesias com muitas rimas e aliterações, e canta cantigas populares para ele, já está fazendo uma parte muito importante do trabalho. As repetições de sons e brincadeiras com esses sons presentes nas poesias de “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, por exemplo, colocam as crianças em um contato íntimo e muito produtivo com os sons da fala. As canções do livro-CD “Linha, agulha e costura: canção, brincadeira e leitura” também foram compostas com o intuito de familiarizar as crianças com essas unidades, tornando sua manipulação divertida e atraente, não algo mecânico e chato.

Mas ouvir apenas não é o bastante. É preciso orientar a criança nesse caminho que leva à consciência fonológica, o que pode ser feito com alguns tipos de atividades.

Brincando com as sílabas e com as palavras

Como tomar consciência das menores unidades da fala é algo muito abstrato e difícil para as crianças menores, elas precisam seguir uma ordem que passa do mais simples para o mais complexo. Assim, o mais recomendado é trabalhar primeiro a consciência das sílabas e das palavras para, pouco mais tarde, começar a apresentar as unidades menores (consciência fonêmica).

Você já deve ter percebido que, muito antes de saber que existem “sílabas”, as crianças já separam algumas palavras em sílabas de maneira intuitiva ou imitando uma prática comum aos adultos (“Mamãe, esta comida está uma ma-ra-vi-lha”). Então aproveite essa facilidade que elas têm e faça muitas brincadeiras com as sílabas.

Você pode, por exemplo, escolher algumas palavras simples que seu filho conhece e segmentá-las em sílabas, batendo uma palma para cada sílaba. Quando ele já tiver entendido a lógica, você pode pedir que ele mesmo faça a divisão, batendo as palmas. Outro recurso é usar pedrinhas, contas ou tampinhas de garrafa e, a cada sílaba ouvida, pedir para a criança arrastar uma delas sobre a mesa.

Para aumentar a complexidade das atividades, brinque de tirar e pôr sílabas. “Filho, se eu tirar ‘si’ de “sino”, o que vai restar?” “Se, depois de ‘ba’ eu puser ‘la’”, que palavra vou formar?”

Os mesmos recursos das palmas, tampinhas ou pedrinhas podem ser empregados para que seu filho aprenda a segmentar frases em palavras e, mais tarde, não saia por aí disseminando  derrepentes e concertezas.

Usando a criatividade e objetos que você tem em casa, é possível deixar a brincadeira com as sílabas e as palavras ainda mais interessante.

Brincando com as menores unidades sonoras da fala

Por fim, é chegada a hora mais complicada, mas mais importante: o momento de apresentar os fonemas, as menores unidades de uma palavra. Há vários tipos de atividade para essa etapa e elas se prestam a fazer a criança “perceber” os sons iniciais, mediais e finais das palavras e aprender a manipulá-los, a brincar com eles. Ao longo deste ano, apresentaremos algumas sugestões no blog.

Uma forma de ajudar seu filho a tomar consciência dos sons iniciais de uma palavra é, por exemplo, estender esses sons (quando possível). “Filho, isto aqui é um lápis. Um lllllllllápis.” Você verá que nem todos os sons podem ser estendidos, alguns terão de ser repetidos: “Filho, isto aqui é uma bola. Uma b-b-b-b-bola.”

Outra maneira de trabalhar a consciência dos sons iniciais é pegar figuras de vários objetos que comecem com o mesmo som, como “maçã”, “melancia”, “mala” e “muro”, e mostrá-las a seu filho, pronunciando as palavras e procurando deixar bem claro que o som inicial de todas elas é o mesmo. Você pode usar cartões do jogo da memória ou imprimir essas imagens e plastificá-las, para que durem mais.

Depois, misture a essas figuras outras que iniciem com outros sons (por exemplo, “casa”, “bala”, “boneca”, “faca”). Então peça a ele para dizer o nome de todas as figuras que estão na mesa e separar apenas aquelas que comecem o som [m].

Crianças com alguma consciência fonêmica já conseguem responder quando lhes perguntamos algo como: “A palavra ‘tatu’ começa com [t]. Você conhece outra palavra que comece com esse mesmo som?”

Assim como nas atividades de consciência de sílabas e palavras, é importante introduzir atividades que incentivem a criança a brincar de tirar e pôr “sonzinhos” numa palavra. “Se eu tirar o [m] de mesa, o que vai sobrar? Isso! ‘Esa’!”

Fazer essas atividades com seu filho pode parecer uma coisa de outro mundo. Mas acredite, não é. Com alguma orientação e um pouco de paciência você o deixará tão preparado para a alfabetização propriamente dita, que se surpreenderá com a rapidez com que lerá as primeiras palavras e, depois, as primeiras frases.

Se você quer saber mais sobre esta e outras habilidades e o que você deve fazer para que seu filho as desenvolva, não deixe de participar da Jornada da Alfabetização em Casa.


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3 Comentários


  1. Boa noite, professor.
    A jornada de alfabetização em casa “substitui” a escola ou fornece um complemento pedagógico ao que se aprende nela?

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  2. Olá professor, a minha filha tem 2 anos e 10 meses.
    A minha duvida é com quantos anos posso iniciar as dicas de alfabetização que vc disponibiliza? Sem contar a leitura em voz alta para a criança.
    Por quanto tempo devo fazer cada etapa?
    Por exemplo: a segunda etapa “2a) Memória auditiva de curto prazo” por quanto tempo tenho que repetir? A minha filha já tem maturidade para assimilar essa e as demais etapas? Ou por enquanto devo ficar na leitura partilhada?

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  3. Olá!!! Meu filho tem 20 meses e quero aplicar tais métodos com ele, mas não tenho a mínima ideia de como fazê-lo. Oriente-me, por favor! Rs

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