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No vídeo de hoje, trago uma entrevista com um dos principais poetas brasileiros da nova geração: Érico Nogueira. Ele fala sobre a importância da poesia na vida da criança. Assista!
Quando estive na casa do professor Olavo de Carvalho, na Virgínia, para participar do II Encontro de Escritores na Virgínia, tive a oportunidade de conversar com um dos escritores presentes, Érico Nogueira.
PROF. CARLOS: Estou aqui ao lado do escritor Érico Nogueira. Seja bem-vindo ao blog Como Educar seus Filhos.
ÉRICO: Muito obrigado, Carlos, pelo amável convite.
PROF. CARLOS: Você foi um dos convidados do prof. Olavo para participar do II Encontro de Escritores Brasileiros na Virgínia. E fiquei sabendo que você foi um dos finalistas neste ano do prêmio Jabuti.
ÉRICO: Exatamente, na categoria poesia. Infelizmente não ganhei, mas a vida se faz de percalços.
PROF. CARLOS: Érico, aqui no blog os pais lêem poesias para as crianças. Qual a importância da poesia na vida das crianças?
ÉRICO: Vou partir de uma experiência concreta e depois os pais podem tirar as suas próprias conclusões. Eu tenho uma filha de 3 anos e um filho de 4 meses. Já durante a gestação eu fazia questão de recitar poesia para os dois na barriga da mãe. Depois que nasceram, adotei a seguinte prática: de manhã eu os coloco ouvindo um pouco de música clássica e, logo depois de tomar café, em torno de 7:30, eu recito alguns poemas para os dois. E eles têm desenvolvido, a partir disso, um gosto extremado – não meu filho de 4 meses, mas filha de 3 anos sim – por palavras e curiosidade pelo alfabeto; os sons das palavras chamam muito a atenção da Joana. Recitei para a Joana muita poesia de vários idiomas. Ela tem até um gosto muito interessante: o poeta cuja sonoridade ela mais aprecia é o poeta latino Lucrécio. O que quero dizer é que recitar poesia para crianças, a despeito do conteúdo da poesia, estimula a percepção de sons e padrões rítmicos. E isso evidentemente é um ganho cognitivo.
PROF. CARLOS: Com certeza. E, no processo de alfabetização, crianças com essa percepção mais aguçada e com uma pulsação interna mais regular deslancham depois no momento da leitura.
ÉRICO: Imagino. Minha filha, com 3 anos, já consegue reconhecer a escrita de pequenas combinações silábicas. Eu a deixo muito à vontade para folhear meus livros e entrar em contato com o mundo da leitura, porque hoje em dia, com a internet, as crianças ficam só no computador, no tablet, etc. e eu acho importante a criança abrir um livro, ter contato com o livro como objeto material. E outra coisa: a memória. Faz muito tempo que recito para minha filha as duas primeiras oitavas dos Lusíadas. Vou recitando e, antes de eu terminar as palavras que rimam, ela mesma se adianta, completando. Então, a dica que dou para os pais é: não tenham preguiça! Leiam poesia para seus filhos. Não é beletrismo bobo. A criança entra em contato com sons diferentes, ritmos diferentes da fala e isso é absolutamente importante. Estou puxando a brasa para a minha sardinha…
PROF. CARLOS: Você pode indicar alguns autores para os pais? Muitas vezes são levantadas questões como esta: “Ah, você está aí recitando os Lusíadas para sua filha de apenas 3 anos… Ela não deve estar entendendo nada.”
ÉRICO: Eu tenho uma experiência nisso – não muito grande, mas tenho – e o que digo para os pais é o seguinte: entender é um segundo momento. A poesia é uma ocasião lúdica de sons e ritmos, ao meu ver. Não tenha medo de escolher um poeta muito difícil, como Olavo Bilac, Cruz e Souza ou Camilo Peçanha e a criança não entender. Não é para entender mesmo! Ela ainda não precisa entender! A leitura da poesia servirá para aguçar a sensibilidade em relação a sons e ritmos. Indico aos pais os autores do cânone brasileiro: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles. São esses autores que vocês, pais, leram para o vestibular. Fiquem à vontade! Se quiserem treinar aliteração e homofonia, Cruz e Souza, o poeta negro de Florianópolis, é uma beleza!
PROF. CARLOS: Você pode dar um exemplo? O que você tem na manga?
ÉRICO: Para fechar, tenho na manga um poema do brilhante Camilo Peçanha. O poema se chama “Estátua”. Prestem atenção à sonoridade, pais.
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correto
Desse entreaberto lábio gelado…
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto
PROF. CARLOS: Muito bom! Érico, foi um prazer falar com você, conhecê-lo aqui na Virgínia. Graças ao encontro, lerei todos os seus escritos. Antes de encerrar, por favor, indique seus livros para os pais.
ÉRICO: Muito obrigado, Carlos. Eu escrevi três livros. O primeiro se chama “O Livro de Scardanelli”, o segundo se chama apenas “Dois” e o terceiro, que foi indicado para a final do Jabuti, “Poesia Bovina”. Muito obrigado pela oportunidade, Carlos. Estou sempre à disposição, meu amigo.
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