Como a Música pode Ajudar seu Filho a Aprender a Ler

Tempo de leitura: 10 minutos

A música pode ajudar seu filho a aprender a ler? Assista a este vídeo e descubra!

Recentemente o Fantástico exibiu um trecho de um documentário da BBC que apresentava um experimento: foram espalhadas várias câmeras por uma casa e gravadas mais de duzentas mil horas do primeiro ano e meio de um bebê na companhia de seus pais.

O objetivo era registrar o momento em que o bebê aprende a falar as primeiras palavras e também levantar hipóteses sobre o que o levou a fazer isso. Conclusão: a entonação e o ritmo empregados pelos pais ao falar ajudam o bebê a segmentar o sinal de fala em unidades lingüísticas e são determinantes para que a criança aprenda a falar.

“Mas isso tinha um objetivo: flagrar o momento exato em que o bebê aprende a falar. Isso também acontece através da repetição. E não é que deu certo?!”

“Através do som e da entonação o bebê faz a associação com o objeto. A conclusão do estudo é que o ritmo das palavras é fundamental para o aprendizado.”

Muito bem. Em outro experimento, bebês foram expostos a músicas, e avaliou-se então a capacidade deles de se movimentar de acordo com o ritmo. Bebês são sensíveis ao ritmo e conseguem, sim, perceber diferenças entre padrões rítmicos.

Você quer um exemplo disso? Pesquisas dos anos 1970 já mostravam que bebês de apenas 2 meses são capazes de perceber quando uma série de batidas contínuas, com intervalos regulares, sofre uma pequena mudança na pulsação. Isso é incrível, é fantástico, não é mesmo?

“As mães vão usar tampões nos ouvidos e bloqueadores de som para não ouvirem o que a gente vai tocar. Isso é para impedir que as mães se mexam e influenciem os bebês.”

“Olha que gracinha!”

“Isso tem a ver com a fala. Outra conclusão é que, quanto mais um bebê se mexe com os ritmos, melhor o desenvolvimento da comunicação.”

Em 2013 neurocientistas de uma universidade norte-americana, percebendo o ritmo como parte integrante da linguagem, constataram que adolescentes com o senso rítmico mais aguçado, em geral, têm melhores respostas neurais à linguagem oral e mais facilidade para ler.

“Por isso essas crianças mais crescidinhas, na faixa dos 6 anos, têm aulas de músicas, para ajudar nos problemas de fala.”

“As partes do cérebro que mexem com o ritmo e com a fala são muitos próximas. Aprender música potencialmente pode ajudar o desenvolvimento.”

Em 2012, quando comecei a trabalhar com as crianças da escola de minha mãe, eu já tinha intuído isso.

“Além disso, eu vi um trabalho em que eles integram o trabalho da leitura com um trabalho de música, com música erudita, com música clássica, que sensibiliza as crianças, que eleva intelectualmente, que aumenta, expande o horizonte intelectual das crianças, que permite às crianças um alto controle: aprende a ouvir, aprende ritmo. Eles têm integrado tudo isso. Olha, é realmente raro.”

Bom, os neurocientistas que acabei de mencionar fizeram lá alguns testes com adolescentes e descobriram que aqueles que conseguiam acompanhar batidas de um metrônomo com mais precisão eram os mesmos que se saiam melhor em testes de leitura e de atenção.

Conclusão: esses outros estudos relacionaram a capacidade de perceber e de reproduzir padrões rítmicos de maneira sincronizada à consciência fonológica – uma habilidade crucial, que a criança precisa adquirir para poder ler bem.

Grosso modo, consciência fonológica é o conhecimento explícito dos componentes da linguagem falada, é a habilidade de ouvir, discriminar, reconhecer e manipular segmentos de fala, unidades sonoras da fala, tais como: sílabas, rimas, fonemas etc.

Esses são alguns exemplos do que essa consciência engloba: perceber rimas, juntar sílabas, separar os fonemas de uma palavra, e assim por diante.

As crianças precisam ser submetidas a jogos de linguagem que as encorajem a montar e desmontar palavras partindo de seus sons. Isso é extremamente importante e deve acontecer antes de as crianças aprenderem as letras e seus nomes.

Muito bem, se a habilidade de discriminar e manipular segmentos da fala é tão importante para a aquisição da leitura, da escrita etc., as pesquisas das quais falei há pouco mostram que crianças entre 4 e 10 anos que tinham uma certa familiaridade com padrões rítmicos – preste atenção nestes dados – e conseguiam reproduzi-los com precisão se saiam melhor nos testes de consciência fonológica.

“Além disso, eu vi um trabalho em que eles integram o trabalho da leitura com um trabalho de música: aprende ritmo, aprende… Eles têm integrado tudo isso.”

Mais uma vez minha intuição estava certa!

“Muito bem, Prof. Carlos, já entendi que o ritmo é fundamental para a formação de bons leitores, mas o que devo fazer com o meu filho para que ele adquira essa familiaridade com o ritmo, com certos padrões rítmicos?”

Bom, esse é um assunto bastante complexo, mas sigo aqui uma orientação do Prof. Robison Porelli, há um artigo no blog tratando do assunto: evite matricular seu filho numa escola de música em que ele vai aprender um instrumento musical. Primeiro ele precisa ser exposto a canções, à escuta de músicas dos mais variados gêneros e estilos, para que, com o passar do tempo, depois de muita aculturação, ele comece a imitar aquilo que ouve por meio do movimento e do canto. Recomendo que você crie um ambiente em sua casa de aculturação, expondo seus filhos à escuta de músicas, para que no futuro eles comecem a imitar padrões tonais e padrões rítmicos usando o próprio corpo.

“As partes do cérebro que mexem com o ritmo e com a fala são muito próximas.”

Antes mesmo de conhecer todos esses estudos a respeito das relações entre música e linguagem, eu intuí muitas dessas coisas. Durante muito tempo eu dei aulas de violão clássico para iniciantes, de guitarra, toquei viola de arco em orquestras, e quando fui à escola de minha mãe foi muito fácil perceber que as crianças, no momento da leitura, não possuíam uma pulsação regular, não possuíam um repertório de padrões rítmicos. E foi justamente por isso que comecei a fazer adaptações da abordagem fônica lá na escola de minha mãe, bem no começo do meu trabalho com as crianças.

E foi lá na escola de minha mãe que integrei essas duas áreas convidando o Prof. Robison Porelli, que ministra um bônus sobre educação musical no meu curso “Ensine seus Filhos a Ler – Pré-alfabetização”; ele trabalhou comigo na escola, e nós começamos, então, a elaborar, a criar, a desenvolver exercícios para melhorar o desempenho das crianças em leitura.

“Olá, meu nome é Robison Porelli, sou professor de música, regente, e no momento estou concluindo um doutorado de música pela Universidade de São Paulo. Bem, para quem não sabe, o Prof. Carlos Nadalim é músico e trabalhou com música durante muito tempo, muito antes de iniciar seus trabalhos em alfabetização. Desde muito cedo ele já unia música e linguagem. Lá na famosa Escola Mundo do Balão Mágico, ele percebeu que, para haver uma efetiva aplicação do método fônico, estava faltando uma pitada musical. Então ele colocou uma pitada musical e principalmente uma pitada rítmica, unindo palavras e sons, fazendo exercícios rítmicos de leitura. Existe, sim, uma relação entre ritmo e alfabetização. Porém nós não sabíamos ainda como isso acontecia. A coisa ficou tão séria que fomos fazer um curso nos Estados Unidos, na Universidade de Buffalo. A todo o momento o Prof. Carlos dizia: “Nossa, eu já sabia disso! Intuitivamente, já estou fazendo isso. É isso!”. O que eu acho de tudo isso é o seguinte: a metodologia do Prof. Carlos Nadalim é única, porque ele conseguiu unir todas essas coisas de uma maneira singular, no meu ponto de vista, de uma maneira inédita, superando os diversos problemas metodológicos que às vezes são chatos, sem ludicidade nenhuma.”

As crianças iam para as aulas de música, eu acompanhava o Prof. Robison, nós testávamos vários exercícios com elas, sobretudo exercícios rítmicos. Depois as crianças liam e declamavam com muita desenvoltura os mais variados textos.

Mas tudo isso que acabei de falar aconteceu no começo do meu trabalho na escola de minha mãe. Depois eu continuei pesquisando e alimentando o desejo de conectar essas duas áreas de maneira explícita, ou seja, eu queria mesclar ritmo e linguagem, os jogos de linguagem com padrões rítmicos e até mesmo com padrões melódicos, e isso aconteceu no livro Linha, Agulha, Costura: Canção, Brincadeira, Leitura, no qual você encontra canções que mesclam música e linguagem, jogos de consciência fonológica e padrões rítmicos, e assim por diante.

Então, veja, se de um lado as pesquisas dizem que a educação musical, rítmica, é fundamental para a formação de bons leitores, para que as crianças tenham um alto desempenho em exercícios, em testes de consciência fonológica, de outro lado não há hoje materiais que façam a integração entre música e linguagem. Nessas pesquisas, por exemplo, não encontrei referências claras sobre quais são os melhores métodos para o ensino de ritmo. Então é uma coisa, às vezes, muito vaga.

Foi por isso que decidi reunir as duas coisas, música e linguagem, de forma consciente, para que as crianças melhorassem o desempenho na aquisição da leitura e da escrita.

Não é o meu objetivo aqui esgotar o assunto, é um tema muito vasto; lá no meu curso abordo com mais detalhes as relações entre música e linguagem, entre ritmo e consciência fonológica; e lá também há exercícios rítmicos envolvendo o próprio corpo, num módulo específico que prepara as crianças para os jogos de linguagem. Enfim, no curso Ensine seus Filhos a Ler eu fiz a integração de todos esses elementos.

No meu curso, além dos exercícios físicos, além do bônus sobre educação musical, há alternativas, outras estratégias para que os pais levem as crianças à aquisição de um senso rítmico, que considero fundamental na formação de bons leitores.

E por falar em curso, do dia 7 ao dia 13 de maio o blog Como Educar seus Filhos promoverá a próxima Jornada da Alfabetização em Casa; um evento online totalmente gratuito, no qual transmitirei dicas simples, práticas e divertidas para que você introduza de maneira segura seus filhos no universo da alfabetização.

Ao longo da Jornada é evidente que vou falar sobre o meu curso Ensine seus Filhos a Ler – Pré-alfabetização, uma vez que a Jornada é um evento online que precede a abertura da próxima turma de meu curso.

Então, se você quer participar da próxima Jornada da Alfabetização em Casa, cadastre-se.

Então é isso. Espero que você tenha gostado do vídeo.

Fique com Deus e até a próxima.

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