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Os pais querem saber: O que fazer para desenvolver a autonomia infantil? Como deixar meu filho mais independente? Vamos falar sobre isso e, ao final, deixarei 3 dicas para os pais.
É preciso entrar primeiro em um detalhe crucial para entendermos o comportamento das crianças. No desenvolvimento da linguagem elas passam por um período conhecido como balbucio lingüístico ou balbucio da linguagem. Trata-se da fase em que a criança faz as primeiras tentativas de imitação daquilo que ouve. Os bebês escutam os pais conversando, ouvem histórias e, em um dado momento, tentam imitar aquilo que ouvem. Os pais acham engraçado e, com o passar do tempo, começam a corrigir a pronúncia e a modelar a linguagem. Não é assim que acontece? Os pais com muita paciência começam as correções, em um processo que leva anos muitas vezes até que a criança fale corretamente.
A mesma coisa ocorre no âmbito da vida prática!
As crianças têm um instinto de trabalho. Isso mesmo! E por que elas têm esse instinto de trabalho? Porque observam os pais fazendo coisas em casa, observam a vida prática dos pais em casa: a mãe que cozinha, o pai que faz consertos etc. É natural que elas tentem imitar as ações dos pais. No começo tal imitação é uma espécie de balbucio, o balbucio do homem trabalhador. A criança vai estabelecer algumas metas e finalidades e realizará ações para alcançá-las.
O problema está no fato de que, assim como a criança balbucia para falar, ela também balbucia com o corpo, porque ainda não possui precisão motora, além de um ritmo muito lento. Por isso, a criança não vai executar certas atividades, isso é natural. Porém os pais ficam irritados ao ver que o filho demora muito para realizar tarefas que eles executam rapidamente. “Ah, mas meu filho demora muito. Eu não levo cinco segundos e ele está há 5 minutos e ainda não terminou?”, então o pai acaba fazendo a atividade no lugar do filho. São atividades simples, como segurar a escova para escovar os dentes ou os talheres na hora de comer, vestir a roupa etc.
O que os pais fizeram no final das contas? Interromperam uma seqüência de ações voltadas para um fim. A criança estabeleceu uma meta, colocou um fim naquela ação e os pais, além de interromperem, ainda fizeram a ação por ela. Você está contribuindo para que seu filho não seja autônomo e independente no futuro. Você não respeita o tempo dele, o ritmo infantil. Para nós, adultos – e eu luto com isso também –, a lei natural é aquela que chamamos de “lei do mínimo esforço”: uma ação direta que empregue pouco tempo. Contudo com as crianças não funciona assim. Nossos filhos constroem sua personalidade por meio de suas atividades e, para executá-las, precisam de um tempo muito maior.
Respeite o tempo da criança. Vou dar um exemplo: Por que uma criança pega um objeto que está no sofá e o coloca sobre a mesa? No interior dela existe um objetivo. Ela está se recordando, por exemplo, que no dia anterior o objeto estava sobre a mesa e, em nome dessa lembrança, ela trabalha, ela faz algo. Ela quer restabelecer uma recordação, algo que está no seu interior, algo que para nós não tem sentido nenhum. Precisamos entender que, muitas vezes, a finalidade estabelecida pela criança não pode ser entendida por uma análise apenas do ato exterior, daquilo que ela faz.
O que você pode fazer para ajudar seu filho a desenvolver esse instinto de trabalho? Como ensinar seu filho, desde pequeno, que é importante que ele se esforce e atinja seus objetivos? Não interrompa essas ações, deixe a criança formar sua personalidade atingindo as finalidades estabelecidas. Além disso, não faça por ela. Você pode auxiliá-la a atingir o fim proposto. Você pode criar um ambiente favorável para que seu filho tenha uma vida prática. Não se trata de deixar que ele mexa em tudo o que quer. Crie um ambiente favorável com móveis na altura dele, como uma mesinha, para que ele execute suas ações e tenha sua vida prática. Algo como fazem as meninas em suas casinhas de boneca. Quando observamos meninas brincando, todos percebem que elas estão se preparando para cuidar de uma casa, dar de mamar, enfim, que imitam as ações da mãe. Com os meninos acontecerá da mesma forma.
Se seu filho começou uma atividade, estabeleceu uma meta, mas abandonou o que estava fazendo no meio do caminho, desistiu, vá ajudá-lo. Encoraje-o a concluir o que começou. Não faça por ele. Você pode deixar para o dia seguinte e, quando a criança voltar ao ambiente, faça com que ela termine a atividade do dia anterior antes de começar a outra do dia presente. Tudo isso, é claro, de uma forma muito natural e tranqüila, entendendo o ritmo natural das crianças.
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Excelente, professor Carlos. Obrigada pelo seu trabalho!
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Excelente vídeo. Eu que tenho um filho tão dependente me dei conta que o erro é meu em querer fazer tudo por ele.
Obrigada pelas dicas professor Carlos Nadalim.
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Sensacional!
Sou mãe de uma linda menina com idade de 5 anos, muito inteligente, ajuda na organização do guarda-roupas, seus brinquedos,sabe fazer algumas sobremesas que sao muito fáceis de fazer ex: gelatina isso é claro sempre com a minha supervisão,acho autônoma até demais, escolhe suas roupas, o brinco que quer usar (deve ser sempre delicados) às cores sempre deve estar combinando,já desenvolveu gosto por roupas e calçados.Sempre deixo à vontade desde que eu consinta.
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Boa noite, prof. Carlos
Além de baixar seu livro sobre alfabetização, com o qual concordo plenamente,
assisti a vários videos do Sr. e achei este muito bom, até serem dados os exemplos do que as meninas estão fazendo ao observarem as mães: se preparando para serem donas de casa? amamentar? e os meninos que observam as mães? estão se preparando para cuidarem de crianças apenas ou para serem pais? Achei um tanto preconceituosas suas colocações a respeito da aprendizagem das crianças para a autonomia. Se concordar comigo, o Sr. poderia gravar outro video, com outros exemplos.
grata pela atenção.
Lucia
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Que bom que estou no caminho certo faço essas dicas aqui meu bebê tem 1ano 5meses super pró-ativo rsrs não pode ver um pano que vai logo limpar os móveis por que deixo ele a vontade nase refeições ele come bem mais as colheres ainda não chega cheia na boca e logo depois de terminar limpo tudo é ele em cima querendo ajudar o pai dele chega do trabalho e vai ler e ele por perto algumas revistas deixa com ele quando ele fica em silêncio posso ir no quarto que está folheando as mesmas
Me fala a respeito da TV eu li em um livro que diz antes de 2 anos nada de tv desde então não deixo ele ver TV bom que eu também estou independente dela antes as refeições tinha que ser com ela ligada
Adoro todas as dicas parabéns pelo trabalho…
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Olá, Macaira.
Realmente, a Academia Americana de Pediatria recomenda explicitamente que até os dois anos de idade é zero de televisão.
Temos que ter em mente que as crianças não precisam de entretenimento 24 horas, e é possível executar uma série de atividades prescindindo disso. Numa rotina as primeiras necessidades que devem ser atendidas são as biológicas: ter um horário definido para dormir e para acordar e para as refeições. No tempo livre, atividades e brincadeiras. Os eletrônicos acabam servindo como uma muleta aos pais, para que a criança não incomode. Ora, os eletrônicos podem se tornar um vício, o que nunca é bom. Esqueça os eletrônicos com crianças pequenas.
Abraço!
Pâmela Arumaa – Suporte