Como Saber se há algo de Errado na Fala de seu Filho

Tempo de leitura: 5 minutos

Ao observar seu filho falando, você já teve a sensação de que alguma coisa não está como deveria? Notou que ele fala “embolado” demais (de maneira ininteligível), omite alguns sons ou fala como o Cebolinha? Não se preocupe, isso acontece freqüentemente. E é comum que os pais apresentem inúmeras dúvidas, especialmente no período de 0 a 5 anos. Para responder a algumas delas, falarei um pouco sobre as fases do desenvolvimento normal da fala. Ao final da leitura, você provavelmente saberá discernir se há necessidade ou não de procurar por ajuda profissional.

O desenvolvimento normal da fala ocorre desde o nascimento, à medida que o bebê vai adquirindo, de acordo com a idade cronológica, a linguagem oralizada. Há uma ordem de aquisição da linguagem que nos ajuda a compreender as etapas da fala.

Dos 0 aos 3 meses ocorre, além do choro, o aparecimento dos sons produzidos na garganta – é comum ouvir bebês de dois ou três meses emitirem sons como “ga”. Aos 4 meses tem início a fase do balbucio, em que primeiramente aparece a repetição de sílabas simples (“ba ba”, “da da”, “ma ma”, “pa pa”) e mais tarde a entonação das mesmas. Mais ou menos entre 1 ano e 1 ano e 5 meses, aparecem as primeiras palavras com significados e a criança percebe a importância da fala e o enorme poder que representa o fato de ser capaz de expressar suas necessidades.

A partir de 1 ano e meio ocorre então o aumento do vocabulário de palavras e aparecem as primeiras frases simples. Nessa etapa é que se inicia – desenvolvendo-se de maneira progressiva – a aquisição fonológica, na qual a criança vai adquirindo os sons e aprendendo a distribuí-los em sílabas e palavras. É durante esse processo que podem aparecer as dificuldades conhecidas como “trocas na fala”, que se caracterizam pelas trocas, omissões, inversões e acréscimos de sons durante a fala.

E como acontece essa aquisição fonológica? A aquisição fonológica do português ocorre naturalmente e por ordem de dificuldade, pois a emissão de cada som depende de um ato motor, cada qual com sua complexidade (ora maior, ora menor). Veja a ordem de aquisição dos fonemas:

  • Consoantes plosivas: /p/, /b/, /t/, /d/, /k/ e /g/ – entre 1 ano e 6 meses e 1 ano e 8 meses
  • Consoantes nasais: /m/, /n/ e /ñ/ – entre 1 ano e 6 meses e 1 ano e 8 meses
  • Consoantes fricativas: /v/, /f/, /s/, /z/, /S/ e /Z/ – entre 1 ano e 8 meses e 2 anos e 10 meses
  • Consoantes líquidas: /l/, /R/, /lh/, /r/ – entre 3 anos e 4 anos e 2 meses   

Os fonemas geralmente são adquiridos nessa ordem, porém a idade ilustrada para a aquisição é apenas uma média. Muitas crianças conseguem pronunciar esses sons mais precocemente e sem dificuldades, enquanto outras demoram um pouco mais, tendo certas dificuldades que devem ser trabalhadas de preferência antes da alfabetização.

É comum, por exemplo, que uma criança de três anos fale “banco” ou “blanco” em vez de “branco”. Aos cinco anos, contudo, se persistirem as trocas, omissões, inversões ou acréscimos na fala, já passam a ser considerados “patologias da fala”. O ideal é observar a criança ainda antes dos cinco anos, a fim de encaminhá-la a um especialista mais precocemente caso se verifiquem atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. Isso garantirá resultados mais satisfatórios, sem correr o risco de comprometer o aprendizado escolar.

Fique atento ao sinais a seguir. Se sua criança manifestá-los, será o momento de providenciar um acompanhamento especializado.

  • A partir do 4º mês ocorre a transição dos sons guturais (aqueles produzidos na garganta) para o balbucio em que o bebê dará início à emissão de sílabas com entonação. Caso seu bebê não apresente essa transição e passe por um período muito silencioso, vale a pena fazer uma investigação minuciosa do aparelho auditivo, essencial para saber o que está acontecendo. Se houver uma alteração auditiva, as próximas fases da oralidade também serão comprometidas e haverá, por exemplo, ausência de fala após 1 ano e 5 meses.
  • Aproximadamente entre 1 ano e 6 meses e 2 anos, o número de palavras novas deve ser crescente e a criança deve ser capaz de emitir frases simples (de duas palavras, como “qué não”, “qué mama” e “dá água”). Se ao invés disso a criança tiver um vocabulário muito curto e se comunicar quase exclusivamente por gestos indicativos (de apontamento), isso pode ser indício de um atraso simples na linguagem.
  • Por volta dos 3 anos, a criança já deve ter adquirido a maioria dos fonemas e estar falando praticamente “tudo“ da maneira correta (com a variação normal de criança  para outra), ou seja, se a criança persistir na realização de trocas, omissões e inversões (casa – tasa, bola – pola, vaca – faca, sapo – capo, bicicleta – biciqueta, etc.), ela pode estar com dificuldades fonológicas e/ou fonoarticulatórias e, portanto, precisará de ajuda.
  • Aos 5 anos, as crianças já devem apresentar uma oralidade bem elaborada, com frases estruturadas e fala inteligível. Caso apresentem ensurdecimento sistemático de fonemas (troquem /b/ por /p/, /d/ por /t/, /z/ por /s/ ou /v/ por /f/), dificuldade de compreensão de ordens orais, dificuldade de perceber e diferenciar características sonoras (não saber de onde vem o som, ou diferenciar sons altos de baixos, graves de agudos) e dificuldade de contar fatos e estórias na seqüência correta, pode haver um problema de processamento auditivo, sendo conveniente realizar uma avaliação criteriosa.

Mas e agora? Ocorrendo algum desses sinais, o que posso fazer em casa para ajudar meu filho a melhorar caso não consiga um tratamento especializado? Este será o tema do nosso próximo artigo. Deixe seu comentário ou envie uma mensagem para nosso suporte. Até a próxima!


Deixe suas dúvidas e opiniões aqui embaixo! Obrigado por compartilhar nosso conteúdo!

Receba em seu email nosso ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, um guia completo e totalmente gratuito para introduzir seus filhos no universo da Alfabetização. Clique aqui: https://goo.gl/FDS4xU.

8 Comentários


  1. Ola
    Minha filha tem 1a e 11 m, ela ja tem um vocabulário considerável, ainda fala com os erros normal da idade, mas o que me preocupa é que ela muitas vezes refere-se a si mesma na 3a pessoa.

    Se perguntamos quem vai fazer, quem vai comer muitas vezes ela responde “A Duda”.

    Como identificar quando é o momento a se preocupar e quando é considerado normal?

    Obrigada
    🙂

    Responder

  2. Minha filha tem 5 anos e em diversos momentos ela fala da mesma forma que o Frajola. Já posso levá-la na fono?

    Responder

  3. Olá!
    Meu neto está com 1 ano 3 meses.
    Até agora não pronunciou o som de nenhuma vogal. Muito ao contrário, ele só faz um som com a garganta mais ou menos assim: HUMMMMMMMM, e só isso. É como se ele estivesse fazendo um esforço para esboçar uma qualquer som, o qual seria emitido com a boca aberta (desculpe, não sei explicar de outra forma). E esse “hummmmm” ele faz com os lábios cerrados.
    Bem, particularmente, nós estamos preocupados, porém não dissemos nada para meu filho para não criarmos uma situação ruim para ele, daí estou enviando este questionamento. Ficaria muito satisfeito se pudesse obter uma orientação à respeito.
    Muito obrigado!
    Nelson de Oliveira

    Responder

  4. Meu filho de 3 anos e 10 meses ainda tem pronuncia muitas palavras erradas, como trocar o C pelo T, fala tachorro não cachorro, eu como mãe entendo mas os demais tem alguma dificuldade, será que tem algo errado devo procurar ajuda profissional ou aguardar mais um pouco? como posso ajudar em casa?

    Responder

  5. Minha filha tem 4 anos e três meses. Ela tem uma excelente vocabulário mas até hoje tem dificuldade ao pronunciar palavras com a letra “r” tipo: prato, preferida, professora (fala bem tipo barata, amarelo, etc.). Não chega a pronunciar “plato” (prato) mas fala como se a língua estivesse presa. Isso é normal?

    Responder

  6. O proprio artigo se contradiz: como que informa uma média para Consoantes líquidas: /l/, /R/, /lh/, /r/ – entre 3 anos e 4 anos e 2 meses e depois diz “Por volta dos 3 anos, a criança já deve ter adquirido a maioria dos fonemas e estar falando praticamente “tudo“ da maneira correta “. Entao ou tem que aprender as consoantes liquidas antes, ou nao precisa falar tudo aos 3 anos. mesmo sendo uma media, ficou muito fora isso.

    Responder

  7. Tenho um sobrinho q acabou de fazer dois anos e não fala ainda, isso pode ser uma característica da criança, não família outras crianças demoraram a falar!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *