Da TV aos Livros: Dicas de uma Mãe que Decidiu Mudar

Tempo de leitura: 5 minutos

Em nossa casa temos hoje uma rotina de leitura com as crianças. As gêmeas de 7 anos estão lendo sozinhas contos de fadas nas versões originais. Meu filho de 6 está começando a deslanchar na leitura. O de 3 sempre pede para lermos as mesmas histórias de novo. E o bebê de 2 meses começará agora a ouvir suas primeiras histórias. Mas nem sempre foi assim…

Quando minhas filhas mais velhas tinham apenas meses, confiava-as aos cuidados da babá dos tempos modernos: a TV. Parecia ótimo. Conseguia tempo para os afazeres da casa, para preparar o almoço e para respirar um pouco enquanto elas ficavam quietinhas em frente à tela. Mas algo não estava bem. Embora sempre nos preocupássemos em selecionar os desenhos, avaliando conteúdo e linguagem, o simples fato de deixar as meninas tanto tempo em frente à televisão começou a me inquietar. Resolvi, então, experimentar desligar a TV e abrir os livros. E não demorou até eu perceber como as boas histórias podem ser grandes aliadas na formação dos meus filhos.

Descobri que ler e contar histórias é uma das coisas mais fantásticas que se pode fazer no processo de educação e formação do caráter das crianças. Para os pais, é um excelente meio para incutir valores nos filhos; para as crianças é uma satisfação, uma alegria. Elas parecem ter nascido com a necessidade de ouvi-las.

Ao ouvir histórias, a criança alimenta e enriquece seu imaginário e, ao longo do dia, consegue fazer associações do que ouviu com a realidade. Daí a importância de oferecer boas histórias com moral intrínseca e que inspirem o cultivo de bons hábitos e virtudes. Além do enriquecimento do imaginário, ouvir histórias também auxilia a criança no processo de alfabetização, enriquece seu vocabulário, contribui no desenvolvimento da personalidade, estimula a leitura e, pelo menos aqui em casa, funciona como um bom “tranqüilizante”.

O processo de tirar as crianças da frente da TV e ensiná-las a gostar dos livros obviamente não se deu sem dificuldades. Mas apliquei algumas sugestões e dicas do curso Ensine Seus Filhos a Ler que deram muito certo. Gostaria de compartilhar algumas delas – assim como um pouco da minha experiência – com outros pais que ainda não estão seguros quanto à importância dos livros, da leitura e das histórias na vida das crianças:

Faça uma leitura prévia antes de ler para as crianças. Primeiro, para saber se um livro tem um bom conteúdo, depois para deixá-lo familiarizado com o texto. Isso evitará surpresas desagradáveis e o ajudará a dar mais vida à história, encontrando a entonação certa para cada momento e buscando saber se cabe algum gesto ou expressão facial aqui ou ali – tudo com equilíbrio, sem exageros.

Respeite o texto. Não mude o texto, achando que seu filho não vai entender uma palavra difícil ou uma frase complicada. Ele realmente não entenderá algumas palavras e tropeçará em algumas frases; mas os tropeços o levarão a dar um próximo passo: o enriquecimento do vocabulário e da linguagem em geral. Confesso que desconfiava dessa dica, sentia muita vontade de trocar uma palavra que julgava difícil para as crianças por outra que já estivessem acostumadas a ouvir. Mas em pouco tempo percebi como meus filhos eram capazes de fazer deduções e associações corretas e me surpreendi muitas vezes ao ouvi-los usando aquelas palavras novas no dia-a-dia.

Ofereça livros conforme a faixa etária. Para as crianças mais novas, busco livros com boas ilustrações. Conforme a criança vai crescendo, a quantidade de figuras deve ir diminuindo. Vale a pena introduzir textos mais longos e complexos para os mais velhos, mas procure encontrar livros de que eles gostem. Listo abaixo alguns livros que fizeram sucesso em nossa casa, indicando a idade aproximada das crianças para as quais eu li:

  • A bíblia do bebê – Histórias Bíblicas. Robin Currie. Ciranda Cultural –  1 ano e meio a 3 anos
  • Os sete cabritinhos. Adaptação de Xosé Ballesteros. Editora Callis – 3 anos
  • O gigante preguiçoso. Virgínia Lefèvre. Editora do Brasil –  4 anos
  • 50 histórias de ninar. Tig Thomas. Editora Girassol – a partir de 4 anos
  • Os doze trabalhos de Hércules. Monteiro Lobato – a partir de 5 anos

Demonstre que os livros são importantes. Se você quer que seu filho desligue a TV e abra um livro, faça do livro algo presente na vida da família. A criança saberá que o livro é importante quando você demonstrar a ela que realmente é: separando um lugar na casa específico para a leitura, guardando parte do orçamento para a aquisição de livros, fazendo da ocasião da compra de livros um momento especial. Mas o fundamental é que os filhos vejam que os pais também se interessam pelos livros!

Crie histórias. Além da leitura, você pode também contar histórias sem o auxílio de um livro. Para isso, é preciso preparar-se com antecedência. Aqui escolhemos um personagem (geralmente um santo), lemos sobre ele, definimos a moral ou virtude que desejamos exemplificar e preparamos a trama da história. Não é tão difícil quanto parece. Experimente! Você perceberá que as crianças sentem uma outra emoção quando a história é moldada por você. E é muito bom que elas tenham as duas experiências.

E você? Já aplicou alguma dica do blog que deu super certo com seus filhos? Tem alguma experiência para compartilhar? Espero que se anime a oferecer às crianças essa experiência maravilhosa de ouvir histórias.

Um grande abraço e até a próxima!


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3 Comentários


  1. Gostei bastante do texto. Passei por algo semelhante, mas me desculpe o questionamento, como resolveu o fato de que antes vc “Conseguia tempo para os afazeres da casa, para preparar o almoço e para respirar um pouco enquanto elas ficavam quietinhas em frente à tela.”? No meu caso, optei por contratar uma funcionária que fiocu encarregada de cuidar da casa enquanto eu me ocupei apenas com as crianças. Como você fez? Tenho dois bebês, um de 2 anos e outro de 1 ano.

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    1. Larissa Moura

      Boa pergunta Leylane 😀
      Bom, eu passei por alguns sufocos, não nego, especialmente quando as gêmeas e o meu João eram pequenos como os seus. O que eu fiz foi aceitar que a casa não estaria sempre arrumada como eu gostaria, meu marido sempre ajuda quando pode, eu fui aprendendo a me organizar mais (e ainda me falta aprender mais, porque eu não era nada organizada rsrs). quando as coisas acumulavam muito chamavamos uma diarista pra ajudar também, o que acontece com bem menos frequência agora, porque como disse, estou aprendendo a me organizar melhor e além disso os mais velhos já sabem ajudar, tem suas obrigações na casa e já podem arrumar a sua própria bagunça. A questão é priorizar o que é mais importante.

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      1. Boa tarde, Larissa. Gostei bastante do seu texto. Achei motivador. Mas, por favor, me responda, como vc faz o almoço? Em relação à casa, já aprendi que nunca vai ficar arrumadinha e tbm tenho uma diarista que vem uma vez por semana para limpar a casa e passar a roupa para mim. Ainda assim, todos os dias faço as refeições em casa e, na maioria das vezes tenho que recorrer à TV para poder fazê-las com tranquilidade. Meu filho tem 2 anos e meio e é cheio de energia. Não tem como fazer o almoço se eu não ligar a TV. Por favor, me dá uma luz! Me diga como vc faz!

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