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Há alguns anos, conheci um homem verdadeiramente impressionante: prof. Ênio Toniolo. Ele consegue transformar um assunto cabeludo, como a fonética, em algo simples e inteligível. Foi por isso que o convidei para ministrar uma série de aulas em meu curso de pré-alfabetização, pois, se você deseja alfabetizar seus filhos por meio do método fônico, conhecer os princípios da fonética é algo fundamental. Assista!
PROF. CARLOS: Os especialistas complicam demais a distinção entre fone, alofone e fonema. Prof. Ênio, é possível aprender isso com clareza?
PROF. ÊNIO: Eu tenho a impressão de que os lingüistas gostam de complicar tudo. O meu primeiro professor de Lingüística uma vez me confidenciou: “Olha, como esses nossos colegas são complicados!” Outro disse: “Às vezes um artigo é compreensível só pelo autor e por Deus.” Tal o emaranhado de palavreado difícil, nomenclatura nova, um enrolar de linguagem que dificulta muito. Eu acho que não pode ser assim. É uma questão de caridade aquele que sabe alguma coisa transmitir para os outros de uma maneira mais tangível, mais simples. Veja as parábolas de Nosso Senhor. Que coisa mais simples do que aquilo! Os conceitos mais elevados transmitidos duma forma simples para pescadores, presumivelmente analfabetos, ou quase. Então, acho que assim é que se deve fazer.
PROF. CARLOS: Você falou em determinado momento sobre a questão dos alofones. Queria que você entrasse na dica propriamente. Será que existe uma única forma correta de concretizar um fonema? É errado falar “gente” ou “genti”?
PROF. ÊNIO: É uma questão bem interessante e muito atual. Nas línguas que são escritas temos a letra e o fonema, que são coisas diferentes. A letra é uma realidade visual, e o fonema é uma realidade acústica. Mas o fonema é uma abstração, é algo que existe na consciência do falante, e que vai se realizar na forma de um fone. O fone é aquilo que a pessoa concretamente ouve. E esse fone tem variantes, que são os alofones. Quer dizer, um mesmo fonema será pronunciado de maneiras distintas conforme a pessoa ou conforme a região do país. Eu dou o exemplo da palavra “porta”. Haverá pessoas da região de Maringá, Londrina, que pronunciam o “r” um pouquinho retroflexivo, ou seja, a ponta da língua se dobra um pouco para trás; outros pronunciam diferentemente, e os dois estão falando português, obviamente. Não quer dizer que um esteja mais certo do que o outro. É verdade que o alofone muitas vezes vai revelar a região de onde a pessoa vem ou onde ela aprendeu a falar. Então, a dica que eu queria dar é que às vezes a criança aprende a falar numa certa região do país, e com 5 ou 6 anos se muda com a família para outra região. Lá ela vai para a escola e os coleguinhas riem da pronúncia dela, acham que está errada, consideram-na quase um marciano. Porque a infância e a adolescência são implacáveis, estão sempre prontos a pegar no pé de alguém, ou porque tem um defeito físico, ou porque pronuncia desse ou daquele modo. Portanto, vamos ao menos evitar as confusões e as inimizades no campo da linguagem. A língua tem uma folga, permite que você pronuncie o fonema de uma maneira ou de outra, com um ou outro alofone. Existem diversas maneiras de pronunciar o “r” da palavra “rio”, mas o rio continua sendo o mesmo, aquela corrente de água doce. Portanto, essas variantes devem ser toleráveis, devem ser expostas para as crianças. Os pais devem dizer à criança: “Olha, há pessoas que pronunciam assim, outras pronunciam de tal maneira.” São meras variantes, mas todos estão falando português e não há razões para ficar traumatizado ou de traumatizar os outros com a diferença de pronúncia. É um mero alofone, uma mera variação, uma liberdade que o idioma dá. Assim, não existe uma norma específica de pronúncia dos alofones em português. A pronúncia do noticiário da televisão é que provavelmente será a norma, mas isso talvez só saberemos daqui a cem anos. Portanto, convido e convoco os pais a ajudarem os filhos a tolerarem as diferenças de pronúncia, porque isso é bom para a criança, é bom para os colegas e é bom para o aprendizado da língua.
PROF. CARLOS: Professor, você falou sobre essas variáveis que devem ser toleradas, mas há casos que deixam os pais preocupados. Por exemplo, uma criança de 5 anos que ainda fala “zozó”, quando quer falar “vovó”. É também uma questão de uma variação do fonema, ou não?
PROF. ÊNIO: Nesse caso, a criança está trocando um fonema por outro. Não sou fonoaudiólogo, mas imagino que a escola, com a alfabetização, já irá ajudar muito. Eventualmente, um fonoaudiólogo poderá dar a indicação de algum exercício que vai permitir a criança a corrigir isso.
PROF. CARLOS: Mas por que ocorre a distinção?
PROF. ÊNIO: A criança talvez não esteja percebendo que “z” é uma coisa e “v” é outra. Então ela terá de fazer exercícios com palavras que tenham “v” e palavras que tenham “z”. Assim vai haver a diferença entre elas, como quando a gente aprende uma língua estrangeira. Imagino que para a criança será a mesma coisa. Terá de se fazer um treinamento para distinguir um fonema de outro, exercícios de consciência fonológica e consciência fonêmica.
PROF. CARLOS: Então não se pode dizer que isso é patológico; muitas vezes se trata de uma confusão por falta de treinamento, de exercício.
PROF. ÊNIO: Exatamente, é questão de exercício, de fazer com a criança um treinamento direcionado para isso.
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Professor, gostaria de saber como ajudar meu filho a pronunciar as letra “C” e “Q” das palavras, me ajude,onde eu encontro um matéria sobre isso? o senhor pode me ajudar?
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Professor e mestre Carlos Nadalim,
assisto aos seus videos e tenho aprendido bastante. Sou mãe de um único filho e
bastante coruja com todas as crianças que encontro pela frente.
Tenho tido problemas na fala de meu filho, o que felizmente tem sido resolvido e aprimorado a cada dia.
Nos acompanhamentos fonoaudiológicos a fono solicitou-me ajuda para trabalhar o fonema
ch – x …. a maior dificuldade dele. Lembrei logo de você e pensei também logo e buscar algo tipo
uma pequena música, ou história para desenvolver este fonema.
Você tem algo do tipo ou algo que não conheço para compartilhar e me orientar no aprendizado do
ch – x com o meu filho? Ele tem quase 7 anos.
Obrigada.
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Olá, Isabela! Aqui é a Pâmela, tudo bem?
Posso recomendar para vocês uma música do grupo Triii, que se chama “Chocolate” e que é um exercício de consciência silábica.
Espero que ajude.
Abraços.
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Como sempre dicas valiosíssimas para a educação dos nossos pequenos. Obrigado pelo excelente trabalho!
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Estou encantada com tudo! Não tenho palavras para descrever a minha gratidão… Meus olhos se abriram para muitos assuntos em que eu me encontrava confortável, mas com tudo que tenho visto, quero saber mais e fazer a diferença na vida do meu filho e no meu trabalho. Parabéns!
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Estou com dificuldade de receber o e-book, pois já tentei várias vezes sem sucesso, então se possível me sugira como posso fazer para adquirir-lo. Grata por tantas dicas certamente consigo me envolver bem mais na edução e alfabetização dos meus gêmeos.
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Olá! O e-book é gratuito e pode ser baixado através do link: https://comoeducarseusfilhos.com.br/ebook-5-etapas/?utm_source=Suporte&utm_medium=Email&utm_campaign=Ebook%205%20Etapas
Basta seguir os passos.
Caso não consiga, peço que escreva para [email protected]
Abraços,
Pâmela Arumaa – Suporte
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Tenho um garotinho que agora em 1 de Outubro vai completar três anos que o raciocínio é mais rápido q a fala então ele só fala frases curtas ,frases longas ele embola tudo como faço pra ajudá-lo já levei ao fono, neuro e psicóloga e eles falaram q a fala vai melhorar o neuro diagnosticou hiperatividade a psicóloga e a fono disseram q não pois ele consegue sentar pra fazer uma atividade etc elas falaram q ele é agitado. o que faço pra melhorar a fala dele? Me ajudem ele frequenta um canto recreativo coloquei pra ele socializar ele já melhorou muito mais gostaria de ajudá-lo mais
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Olá, Dina. Tudo bem?
Você já assistiu ao vídeo abaixo?
https://comoeducarseusfilhos.com.br/como-expandir-a-linguagem-de-seus-filhos/
Abraços!
Pâmela Arumaa
Suporte
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Você diz que é um trabalho modesto, talvez, mas valiosíssimo!
Esta entrevista com o Profº Ênio, me fez pesquisar um pouco sobre o latim, li alguns de seus artigos (fenomenais!) e despertou, novamente, o interesse em aprender o latim, talvez um dia quem sabe!
Parabéns pelo trabalho!
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Adorei as dicas de fonética… Muito bom compreender essas diferenças de forma tão simples e singela…
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Muito bom, vou usar com os pacientes que atendo na arteterapia. Obrigada