Tempo de leitura: 5 minutos
É provável que você tenha aprendido a ler e a escrever seguindo a cartilha “Caminho Suave”, que utiliza o método silábico, o famoso bê-á-bá. Muitos pais, saudosos da velha cartilha, me perguntam se o método dela seria uma boa alternativa aos péssimos métodos globais de alfabetização. A minha resposta está no vídeo de hoje. Assista!
No ebook “As 5 etapas para alfabetizar seus filhos em casa”, além de condenar o método global também faço uma breve análise dos problemas do método silábico, tão famoso no Brasil e que aparece aplicado na cartilha “Caminho suave”. Hoje quero conversar com você a respeito dos problemas do método silábico. Se você não baixou ainda o ebook, faça isso agora mesmo.
No ebook eu explico com mais detalhes os problemas do método silábico, por isso aqui vou falar rapidamente. Nós sabemos que o método silábico, também conhecido como método alfabético, parte do ensino dos nomes das letras. As crianças aprendem primeiro o nome das letras, há até músicas que circulam por aí às quais os pais gostam muito de expor os filhos, o que não é problema. Depois que a criança aprendeu o nome das letras, apresenta-se a ela as letras propriamente ditas e ocorre a associação do nome da letra com o símbolo visual. Num terceiro momento, há uma reunião das letras a fim de transformá-las em sílabas, com a exposição de consoantes e vogais. A criança já conhece a letra “B”, então ensina-se que, somando B com A, temos a sílaba “bá”. A criança começa a decorar o silabário, fazendo a junção das consoantes com as vogais, memorizando as sílabas. Por fim, então, ela começa a ler palavras e frases. Depois de muito treinamento ela domina o silabário ou parte do silabário e é apresentada a textos que contêm essa parte do silabário já aprendida. Qual, então, o problema de tal método?
A resposta é muito simples: quando associamos os nomes das letras, nós não temos exatamente as sílabas apresentadas pelos métodos silábicos. “Bê” com “A” definitivamente não forma “bá”. Se analisarmos acusticamente, “B” com “A” dá “bê-a”, e não “bá”. Já temos o primeiro problema: até que ponto estamos auxiliando os nossos filhos ensinando-lhes os nomes das letras e depois conduzindo-os por esse caminho em que eles precisam somar os nomes das letras para chegar às unidades das sílabas? Isso mais atrapalha do que ajuda. Nesse sentido, o método silábico é ineficaz, porque ele parte de uma premissa falsa. Qual premissa falsa? A de que, no curso da leitura, nós reunimos nomes de letras, e não é isso que acontece.
No curso da leitura ocorre a reunião, a fusão de fonemas. Fonemas são representações abstratas que estão na mente do falante. Os métodos silábicos adotam uma estratégia equivocada. E não precisamos pensar muito para chegar à seguinte conclusão: no Brasil há uma espécie de propagação não só de métodos silábicos, como também de métodos globais, e depois há uma mistura de ambos. Você vai deparar, então, com os métodos mistos, que são horríveis. De um lado apresentam a forma da palavra, partindo da premissa de que temos a apreensão do todo primeiro, e depois direcionam a atenção da criança para as partes que compõem a palavra: as sílabas. Como são ensinadas as sílabas para as crianças? Fazendo junção de nomes de letras. Isso é algo extremamente absurdo e que você deve evitar na sua casa.
Logicamente que o método silábico é superior ao global, no entanto não é mais eficaz ou tão eficaz quanto aqueles métodos que explicitam o princípio alfabético. Você vai encontrar no ebook uma explicação sobre o princípio alfabético, que se trata de uma correlação entre grafemas e fonemas. Os métodos que explicitam o princípio alfabético são mais eficazes que o método silábico, ainda mais se comparados aos métodos globais. Tenho aqui a cartilha “Caminho suave”. Se você foi alfabetizado pela “Caminho suave” e não concorda com o que estou dizendo, saiba que eu também fui alfabetizado por ela, mas nem por isso vou defendê-la.
Na cartilha há a apresentação, em vários capítulos, das sílabas, além do famoso silabário. E qual o problema do silabário? Para a criança começar o jogo por meio do método silábico, ela precisa aprender várias sílabas, uma quantidade muito grande de sílabas. As crianças que dominam o princípio alfabético não! Basta acessar em torno de 30 fonemas para que ela tenha capacidade de decodificar qualquer palavra da língua em que está sendo alfabetizada. Então veja, o método silábico não é “econômico”, ele sobrecarrega a memória da criança. Nesse sentido, temos o problema da sobrecarga cognitiva. A criança tem de fazer um esforço tremendo para começar a ler, já com o outro método tudo ocorre de forma tranqüila e natural.
Aqui descrevi rapidamente os problemas do método silábico. Se eu fosse você, não o adotaria para alfabetizar meus filhos em casa de forma eficaz.
Faça o download da versão em áudio e ouça essa dica quando quiser!
Assine nosso podcast no iTunes e receba gratuitamente nossos conteúdos em áudio. Assine em seu computador pelo link bit.ly/cesf-podcast. Siga-nos e deixe um review!
Deixe suas dúvidas e opiniões aqui embaixo! Obrigado por compartilhar nosso conteúdo!
Receba em seu email nosso ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, um guia completo e totalmente gratuito para introduzir seus filhos no universo da Alfabetização. Clique aqui: https://goo.gl/FDS4xU.
Link permanente
Compreendo sua explicação e os problemas apresentado,porém,vejo que as crianças alfabetizada através do Caminho Suave,obtiveram 80% de sucesso,enquanto hoje,a quantidade de crianças e adolecentes alfabetizados é mínimo. Não sou formado em pedagogia e nem entendo sobre tais métodos utilizados,porém não vejo que o método atual seja superior ao anterior ou mais eficaz.
Link permanente
Eu fui alfabetizado com a cartilha e me lembro perfeitamente que ao final do primeiro ano todos na classe conseguiam ler e escrever. Na segunda série já fazíamos redações.
Também não me lembro de ter tido problemas com o Be+A virar Bea.
Enfim, o fato é que não conseguiram substituir a cartilha, basta observar os resultados atuais.
Mas concordo que sempre há o que se questionar.
Link permanente
Professor , qual foi o seu método de alfabetização nos seus primeiros anos escolares ?
Link permanente
fui alfabetizado com essa cartilha e acho que houve um pequeno equivoco ao se falar que “Be” + “A” = “BeA”, pois, ensinava-se a juntar a letra e não o nome da letra, assim, “B” + “A” = “BA”. se juntar o nome, ai sim daria “BeA”
Link permanente
Maurício,
Concordo com você. Eu não sou contra a novos métodos e é interessante esta visão de ensinar os fonemas, mas achar que o Caminho Suave é ruim é subestimar a capacidade da criança.
Eu digo isso por mim, que aprendi em casa a ler com esta cartilha e tenho lembrança das páginas da cartilha até hoje. Eu nunca achei que J+O se fala “JotaO” ou F+A se fala “EfeA”. Sim… concordo que o nome da letra é uma informação adicional e, exceto para crianças que possam ter dificuldades em escrever, isso não me atrapalhava em nada.
É igual a ensinar matemática sem dizer o nome dos símbolos +, -, * e /.
Respeito métodos alternativos, e entendi a crítica, mas não acho que o nome da letra atrapalha na alfabetização.
Esta é minha visão.
Link permanente
Com todo respeito à vossa opinião, mas essa cartilha tem educado gerações de pessoas. Meus filhos seguem vosso método e o que eu tenho em casa são crianças que sabem e gostam de ler, mas não sabem escrever. Culpa das professoras hoje preguiçosas? Também. Mas por favor, não vamos reinventar a roda (que é uma ótima invenção…). Amanhã vou comprar uma Cartilha Suave para meu filho de 10 (!) anos, dada a ineficácia das técnicas atuais.
Link permanente
Eu concordo com você Ezequiel, meus filhos estudam no sistema objetivo, considerado um dos melhores. O mais velho que tem 10 anos sabe ler e escrever hoje porque tiver que reforçar com a cartilha, pois se dependesse apenas do ensino atual ele não saberia escrever sozinho.
Na época que aprendíamos com a cartilha, já na segunda série estávamos lendo e escrevendo, hoje crianças na sétima serie ainda não sabem escrever. Isso é o que vejo nas salas de aulas
Link permanente
Concordo, hoje os metodos não são nem eficientes e nem eficazes, eu já na minha 1ª serie sabia tanto ler como escrever o que vemos hoje são crianças que muitas vezes sabem ler algumas coisas mas escrever não sabem nada!
Link permanente
Prezado Professor, discordo completamente de sua análise acerca do método de alfabetização da cartilha “Caminho Suave”. Ademais, me parece que o senhor cometeu sérios erros nos pressupostos do seu diagnóstico. O método da Cartilha não é do “bê-a-bá” como o senhor diz. Bê-a-bá é o método da arcaica soletração. Não é verdade que, nessa cartilha, as crianças precisam primeiramente aprender o nome das letras, como o senhor diz. Em nenhum momento isso acontece. O núcleo central e persistente da Cartilha é a associação dos fonemas aos grafemas que os representam e estes são sempre inseridos em palavras e sentenças completas (da, de, di, do, du … O Dado é de Didi. Didi deu o dado a Dudu) Na Caminho Suave as letras são desenhadas e associadas a objetos apenas para melhor assimilação da forma da letra, mas nunca são ensinadas isoladamente. Nos anos 60 eu e outras crianças eramos alfabetizados pela Caminho Suave no primeiro ano primário. No segundo ano já começamos a ler o “Meu Primeiro Livro” Hoje, com os novos métodos, o PNAIC (Pacto Nacional de Aprendizagem na Idade Certa) considera um sucesso se as crianças forem alfabetizadas até os 8 anos, um completo absurdo!
Link permanente
Bom dia, a escola do meu filho utiliza o método montessori para alfabetização, se eu introduzir os conselhos do Prof. Carlos vou confundi-lo? obrigada.
Link permanente
Caro Professor Carlos, eu também fui alfabetizada por este método e ainda me recordo, com muita clareza, minha professora ensinando o nome das letras e também o som das letras, inclusive o posicionamento correto da língua, ela também pedia para colocarmos a mão no pescoço para sentirmos as diferentes entonações, era muito divertido e acredito que mais eficaz. Quando minha filha teve dificuldade durante a alfabetização, que agora eu sei, era pelo famigerado método global, no desespero e sem orientação da escola e nem da psicopedagoga parti para a Cartilha Caminho Suave e em menos de 10 dias ela estava lendo. Hoje, após seus vídeos, consigo enxergar os erros da cartilha mas ainda prefiro este método do que o Global. Obrigada, abraços.
Link permanente
Caro Professor você critica o método alfabético e global, qual método você sugere para uma alfabetização eficaz?
Link permanente
Olá, Jhennita. Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?
Sugiro que você faça o download gratuito do nosso e-book sobre alfabetização, nele o professor responde sua pergunta. 🙂
Segue o link, basta seguir as orientações: https://comoeducarseusfilhos.com.br/ebook-5-etapas/?utm_source=Suporte&utm_medium=Email&utm_campaign=Ebook%205%20Etapas
Abraços!
Pâmela Arumaa