Como um Casal que Trabalha Fora Conseguiu Alfabetizar o Filho em Casa

Tempo de leitura: 12 minutos

Neste vídeo trago para vocês uma entrevista interessantíssima com o Silvio Grimaldo, nosso amigo e aluno do curso “Ensine seus Filhos a Ler – Pré-alfabetização“. Nela o Silvio conta como ele e a Deise, sua esposa, decidiram alfabetizar em casa o filho Tomás, embora não tivessem muito tempo livre, já que ambos trabalham. O resultado foi surpreendente! Assista!

Neste vídeo, o professor Carlos Nadalim entrevista Silvio Grimaldo, um dos alunos do curso Ensine seus Filhos a Ler.

Prof. Carlos: Silvio, você é o webmaster do Olavo.

Silvio Grimaldo: Isso. Cuido do Seminário de Filosofia, do site do professor Olavo.

Prof. Carlos: E você se inscreveu na primeira turma do curso Ensine seus Filhos a Ler.

Silvio Grimaldo: Na primeira, na segunda, na terceira e nessa que virá agora.

Prof. Carlos: Por que você se interessou por esse assunto da alfabetização e em alfabetizar seu filho em casa?

Silvio Grimaldo: Essa é uma preocupação que eu sempre tive, desde antes de o Tomás nascer. Eu e a Deise, minha esposa, já nos preocupávamos como faríamos a educação de nosso filho, quando tivéssemos um. Por conta do meu trabalho com o Olavo e da minha vida, cheguei a fazer um mestrado em educação. Não terminei, mas comecei. A educação de crianças sempre me interessou. Quando o Tomás nasceu, isso virou um problema prático para mim. Mais ou menos nessa época – acho que quando a Deise estava grávida –, conheci o trabalho do professor Luiz Faria. Fui para Maringá conhecê-lo – você foi comigo na ocasião. Fizemos uma entrevista com o professor e ficamos várias horas conversando com ele. Saí de lá horrorizado: não dá para colocar filho em escola no Brasil. Não sabia muito o que fazer, porque educar em casa é difícil, complicado, você precisa de tempo. Minha esposa é professora universitária e não tem muito tempo disponível para ficar em casa. Enfim, havia uma série de dificuldades. Então pensamos em um método conjugado, vamos dizer assim. Pensamos em educar em casa até chegar à idade obrigatória de pôr na escola, tentando pelo menos o básico, que é ensinar a ler e a escrever e ensinar matemática em casa. Antes de ele chegar à escola já estaria alfabetizado.

Prof. Carlos: Você começou a aplicar as atividades com o Tomás seguindo as dicas do blog em um primeiro momento e depois as atividades disponibilizadas no curso. Quais foram os primeiros resultados colhidos em sua casa?

Silvio Grimaldo: Eu tenho uma vantagem sobre os outros alunos do curso porque sou amigo do Carlos há muito tempo e, quando ele começou a preparar o curso e a pesquisar mais sobre o assunto, eu fui acompanhando e trocávamos bibliografia – ele sempre me contava o que estava estudando. O Tomás acabou sendo uma espécie de cobaia: quando o Carlos descobria uma coisa nova, a gente testava as coisas com ele. Quando o curso começou, vários dos exercícios dados no curso eu já fazia com ele em casa por conta da sua orientação, pois você já tinha me passado esses exercícios e dado várias dicas. No começo trabalhávamos mais com os exercícios de consciência fonológica do blog. Lembro que fizemos muito com ele aqueles exercícios de comando. Ele até hoje gosta daquilo. Um também que fazíamos bastante e não tinha fim era aquele da casa do duende da floresta. Como era mesmo?

Prof. Carlos: O duende da vitória. É um lenga-lenga.

Silvio Grimaldo: “Essa é a chave da fechadura da porta da casa do duende da vitória.” E aí íamos aumentando. Fomos fazendo essas coisas, que eram muito simples para nós e não exigiam um tempo especial no nosso dia-a-dia. Fazíamos quando estávamos com ele, de forma natural. Ficávamos brincando com ele em casa e fazendo esses jogos. Ele sempre gostou, sempre foi muito divertido.

Prof. Carlos: Para o Tomás, essas atividades sempre foram encaradas como brincadeiras ou como atividades?

Silvio Grimaldo: Não, sempre foram brincadeiras, justamente porque não tínhamos um cronograma em casa, um horário fixo para fazer isso. Por conta do meu trabalho, do trabalho da minha esposa, fazíamos nos horários que ficávamos em casa com ele.

Prof. Carlos: No curso e também em nossas conversas eu transmiti para você outras recomendações, no campo da matemática, no campo das atividades físicas… O que você seguiu dessas recomendações que hoje faz parte do dia-a-dia do Tomás.

Silvio Grimaldo: O que eu sinto que é o diferencial que fizemos em comparação com outros pais que conheço, com alguns amigos que têm filhos da mesma idade – logicamente é difícil falar isso, porque todo pai vai achar que seu filho é o mais inteligente, o mais bonito –, o que fez muita diferença para o desenvolvimento lingüístico do Tomás foi termos lido para ele todas as noites desde que ele nasceu. Acho que, desde que ele nasceu, não houve uma noite em que não lemos para ele. Lemos ou cantamos… Eu canto mal para caramba, mas a Deise canta bem. Quando ela estava dando aula à noite, eu colocava música no rádio. A presença da voz humana sempre foi muito forte para ele – e a voz humana articulada em uma leitura. Até hoje lemos para ele todas as noites, duas histórias normalmente. E isso foi uma coisa que você me passou, temos de ler sempre. Houve outras dicas importantes, mas acho que essa foi a melhor de todas. Ele se interessa muito por leitura, por histórias, gosta de ver livros. A gente sempre fez aquilo que você recomendou: pegar o livro, mostrar a capa, o autor, a lombada, as imagens, fazer a leitura dialógica. Hoje ele já não liga tanto para as imagens. Ele fica deitado na cama enquanto lemos e gosta mais de ouvir a história. Ele faz muitas perguntas sobre a história.

Prof. Carlos: Isso é um aspecto positivo, pois ele já transitou daquela etapa em que as imagens eram usadas para chamar a atenção da criança e hoje ele só se atém à escuta da história.

Silvio Grimaldo: Quando ele tinha uns 3 anos, nós começamos a ler “As crônicas de Nárnia” para ele. Era uma leitura bem difícil. A vantagem é que os capítulos são bem curtos, então dava para ler dois capítulos sem que ele se cansasse muito. Mas a história tem muitos detalhes, muitos personagens, de modo que ele não consegue se recordar de tudo, apenas do principal: ele lembra do Aslan, das três crianças, da Lucy, da bruxa… Uma coisa legal era que o livro não tinha imagens, então ele não associava, por exemplo, Aslan, um personagem que ele ama, a um desenho qualquer – ele tinha de criar na cabeça dele. Nós lemos o livro inteiro ao longo de um ano.

Prof. Carlos: Nós poderíamos conversar por muito tempo aqui, porém, para terminar o nosso bate-papo, você poderia deixar uma dica que você extraiu do curso – além dessa questão da leitura em voz alta – que seria decisiva para os pais que estão assistindo a este vídeo?

Silvio Grimaldo: A minha dica é muito simples: façam o curso. Não vejo por que não alfabetizar seu filho em casa e antes do que o governo ou o Ministério da Educação diz que é a idade escolar adequada. Isso é uma coisa que estávamos conversando ontem, se não me engano. Algumas pessoas criticaram um vídeo seu, dizendo coisas como “Por que alfabetizar a criança aos 4 anos? Isso é um exagero, é precoce. A criança vai deixar de brincar para ser alfabetizada”. A minha pergunta é a seguinte: por que não alfabetizar aos 4 anos, se a criança já tem maturidade cognitiva, se seu cérebro está preparado para ser educado? A gente sabe que, quanto mais ela esperar para receber essa educação explícita, mais dificuldade terá para aprender. Você não precisa chegar ao optimum, aos 6 anos de idade, para começar. Você tem de começar antes. E digo começar antes não só com o curso do Carlos, mas começar lá atrás, quando a criança nasce, lendo para ela, para que ela aprenda a expressar-se verbalmente. Minha dica é esta: faça o curso do Carlos, invista no seu filho e não acredite quando dizem que seu filho vai deixar de brincar, que será prejudicado como criança porque está aprendendo a ler, isso é uma besteira. Primeiro, porque o processo é lúdico. Todo o processo de aprendizado do curso do Carlos é lúdico. As crianças adoram histórias. Elas adoram ouvir uma história bem contada. Uma criança brincando com uma lupa no quintal, vendo os insetos, na cabeça dela – pelo menos é o que eu acho do meu filho –, está fazendo a mesma atividade de quando pega um livro e vai juntando as letras para ver que palavras elas formam. O Tomás está nesse estágio de ler palavras agora, e todas as palavras ele quer saber o que são. Então ele fica juntando os fonemas e tentando falar as palavras.

Prof. Carlos: Como se fossem peças de um Lego.

Silvio Grimaldo: Sim, peças de um Lego. É um mistério que ele tenta resolver. Tudo para a criança é lúdico. Se você colocá-la para fazer uma atividade doméstica, ela vai encarar como uma brincadeira. Tudo é lúdico. Esqueçam essa crítica que fazem, é uma besteira, não faz o menor sentido. Invista no seu filho. Ele precisa disso. A imaginação dele vai crescer muito a partir dessa educação. Você não precisa ser treinado – eu nunca fui treinado para alfabetizar uma criança. Você não precisa ter muito tempo. Você não precisa ter um programa de homeschooling. Você não precisa trazer a escola para dentro da sua casa. Se você tem meia hora por dia para conversar com seu filho, use essa meia hora para aplicar os jogos que o Carlos ensina no curso. Você não vai se arrepender, não vai ser pesado e, quando você menos esperar, ele estará lendo. Dependendo da idade da criança, em seis meses o seu filho estará lendo. Sem esforço, sem confusão, sem grandes planejamentos. Não vejo por que não fazer.

Prof. Carlos: O Tomás tem um fator que nós nos esquecemos de destacar ao longo da entrevista: ele nasceu prematuro e vocês receberam recomendações dos médicos de que ele precisaria ter muita estimulação para não ter um baixo desempenho em atividades cognitivas. O que nós vemos é que o Tomás, com 4 anos, mesmo tendo nascido prematuro, tem hoje uma idade lingüística, uma fala, uma memória e uma prosódia superiores às de crianças de sua idade. Então essa estimulação só o beneficiou.

Silvio Grimaldo: Acredito que sim. Como eu disse, é difícil avaliar meu filho, pois vou sempre achar que ele é o mais bonito, o mais inteligente etc.

Prof. Carlos: Mas agora estou falando como coordenador da escola e levando em consideração as impressões dos professores e de pais de como o Tomás fala com muita desenvoltura.

Silvio Grimaldo: Ele sempre foi muito estimulado, como eu disse, por meio da leitura. Eu e minha esposa também falamos pelos cotovelos. Uma coisa muito importante que fazíamos era a modelagem da linguagem. Ensinávamos o Tomás a falar frases com começo, meio e fim. Sempre corrigimos conjugação verbal, concordância e coisas do tipo quando ele falava errado. Insistimos nisso até hoje. Ele fala uma frase e a repetimos na construção correta para ele poder absorver o modelo. E acho que foi isso que fez ele ser como é hoje – segundo a sua avaliação, ele tem uma idade lingüística mais avançada. Ele está lendo, está fazendo somas em matemática, é desinibido e conversa com todo mundo. Ele tem um vocabulário impressionante e muitas vezes fala coisas que eu não sei de onde tirou. Tudo isso aconteceu graças a coisas que aprendi no curso, ou que aprendi em outras ocasiões com o Carlos, ou que aprendemos juntos. Tudo que nós fizemos com nosso filho certamente qualquer pai que fizer o seu curso poderá fazer.

Prof. Carlos: Muito obrigado por aceitar o convite e conceder essa entrevista, que vai ajudar muitos pais que acompanham o blog. Espero conversar com você em um futuro brevíssimo aqui sobre outros assuntos também.

Silvio Grimaldo: Eu que agradeço.


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4 Comentários


  1. Bom.dia quanto q está seu curso? Meu filho fez 3 anos, esse é o seu primeiro ano escolar. Adoraria conhecer seus métodos. Aguardo

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Olá, Léia! Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?

      Sugiro que se cadastre na “5ª Jornada da Alfabetização em Casa”, um evento online e gratuito, e conheça um pouco mais do nosso método: https://comoeducarseusfilhos.com.br/5jac

      As inscrições para o curso abrirão na próxima segunda-feira, 09/05. Você receberá um aviso por e-mail. No vídeo #3 da Jornada o prof. Carlos explicará um pouco mais sobre o curso e no vídeo #4 você saberá todas as informações necessárias para fazer sua inscrição, se assim desejar.

      Esperamos por você!

      Abraços!

      Pâmela Arumaa
      Suporte

      Responder
    1. Pamela Arumaa

      Que bom que gostou, Cleusa! 🙂

      Abraço!
      Pâmela Arumaa – Suporte

      Responder

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