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Imagine a seguinte cena: duas mulheres conversam andando pela calçada e um menino, de 6 ou 7 anos, vem logo atrás. De repente, a criança leva a mão ao rosto e começa a chorar. As mulheres olham para trás e se voltam para o menino, quando uma delas pergunta: “O que foi, filho? Por que está chorando?”. A criança tira a mão do rosto e, aos prantos, diz: “Eu bati meu rosto no poste! Eu sou muito burro mesmo!”
Situações como essa são reais. Mais do que o sofrimento físico, o choro daquele garoto exprimia uma dor emocional. Aquele incidente acionou um gatilho que parecia confirmar a crença que ele tinha a seu respeito: “sou muito burro mesmo”.
Quando a criança sinaliza insatisfações como essas é importante que os pais busquem encontrar o que está gerando essa crença. Mas o que faz uma criança acreditar que é burra ou desatenta? Que situações ela pode ter vivenciado para fazer aquele juízo sobre si mesma?
Cuidado com as críticas, depreciações e comparações descabidas
Seja em casa ou na escola, receber somente críticas, ameaças e comparações descabidas pode aumentar o sofrimento da criança. É claro que cada uma as recebe de modo diferente. Para algumas, mesmo as críticas mais mordazes e as comparações constantes com os colegas e irmãos soarão como desafios, alimentando por vezes uma vontade de crescer, de estudar mais, de se exercitar mais – embora isso muitas vezes se dê em clima de competição. Em outras, contudo, as críticas freqüentes, quando não acompanhadas de uma sugestão de como corrigir o problema nem equilibradas pelo reconhecimento de algumas das qualidades da criança, podem alimentar as frustrações, o desânimo e desmotivar a criança.
Observe se você não está fazendo com que seu filho se sinta incapaz, dizendo sentenças como estas:
- “Você nunca presta atenção em nada!”
- “Por que você faz tudo errado?”
- “Quantas vezes vou ter que repetir a mesma coisa até você entender?”
- “Por que você não é como a sua irmã? Ela sempre tira notas boas.”
- “Você não tem jeito mesmo!”
- “Desisto de você! Você não aprende!”
Usar termos depreciativos ou rotular a criança apontando suas dificuldades, sem dar uma direção, pode minar sua auto-confiança. A longo prazo, ela pode se sentir fracassada, não ter iniciativa para tentar algo novo, ou tornar-se incapaz de superar uma dificuldade, resolver um problema ou solucionar um conflito.
As críticas são necessárias para que a criança veja em que está errando. Mas devem ser objetivas e buscar indicar uma maneira de superar as dificuldades e deficiências. Chamar a criança de “burra”, “devagar” ou “desatenta” não fará com que ela se converta em inteligente, rápida e atenta. Mas apontar erros de maneira objetiva, ajudá-la a resolver um exercício quando for preciso, repetir várias vezes uma lição que ela ainda não compreendeu e buscar maneiras diferentes para explicar algo podem ajudar a criança.
Dificuldade para aprender não é atestado de burrice
Aprender a ler e a escrever não é fácil. É preciso prática, paciência e perseverança, além, é claro, do bom desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas. Durante o processo, ao se comparar – ou ser comparada – com outras crianças ou ao cometer erros com certa freqüência é normal a criança se sentir desestimulada.
Um ponto fundamental é ajudar a criança a perceber que o fato de apresentar uma determinada dificuldade ou transtorno de aprendizagem não significa que ela seja burra.
Na verdade, seja qual for a dificuldade que a criança esteja enfrentando para aprender um conteúdo ou realizar uma atividade, é importante mostrar que se trata apenas de um obstáculo e, como tal, será preciso mais esforço para vencê-lo.
Dê exemplos de superação e perseverança
Uma boa dica para ajudar a criança a lidar com a sensação de fracasso, incompetência e frustração é mostrar exemplos de superação e perseverança. Se o seu filho gosta de esportes, procure exemplos de esportistas que superaram dificuldades e tiveram determinação para alcançar seus objetivos.
As biografias são ótimas maneiras de mostrar às crianças como pessoas de destaque de várias áreas diferentes conseguiram driblar os mais diversos obstáculos: pobreza, deficiência físicas e mentais, problemas de aprendizado, perseguição, violência, doença, etc. Thomas Alva Edison, inventor da lâmpada elétrica, do fonógrafo e do cinematógrafo, teve vários problemas na escola e seu professor dizia que ele custava a aprender. São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes, era tido por muitos como um ignorantão incapaz de dar prosseguimento aos estudos, de fazer sermões ou atender confissões, mas superou as dificuldades e tornou-se excelente confessor e pregador, além de zeloso pároco.
Outra opção é usar o personagem de uma história. Certamente vocês vão encontrar em histórias inúmeros exemplos de superação e perseverança. Use a empatia que seu filho tem por um personagem para lhe mostrar como conquistar um objetivo. A leitura poderá levá-lo a concluir que, se o personagem conseguiu, ele também é capaz. Essa é uma lição essencial para toda a vida!
No “Livro das Virtudes” e no “Livro das Virtudes para Crianças”, ambos de William J. Bennett há uma seção chamada “Perseverança” (ou “Coragem e Perseverança”) com vários bons textos, como as fábulas “A tartaruga e a lebre” e “O corvo e o vaso”, os contos “O pequeno herói da Holanda” e “As estrelas do céu”.
Ajude a criança a encontrar seus pontos fortes e suas áreas de interesse
Ajudar a criança a descobrir seus pontos fortes e áreas de interesse também é uma excelente maneira de fortalecer a autoestima. Observe as atividades de que seu filho mais gosta de realizar e que pratica com entusiasmo. Pode ser um esporte, uma arte (pintura, escultura, desenho, música, dança), uma imaginação muito fértil que lhe permite criar sempre histórias novas todos os dias, o gosto pela jardinagem, pela culinária, pela leitura, etc.
Se ela gosta de esportes, mostre para ele diferentes modalidades, leve-o a competições, apresente a ele os grandes nomes do esporte. Se a criança já tiver se definido por uma modalidade, leiam a respeito da história desse esporte, pesquisem sobre recordes e a biografia dos principais esportistas. Pratiquem juntos. Estimule-a a entrar para uma aula do esporte ou mesmo fazer parte de um time.
Essa mesma iniciativa pode ser colocada em prática para qualquer área de interesse de seu filho. O objetivo é fortalecer sua autonomia, confiança, ao mesmo tempo em que ela constrói sua identidade. Certamente ser bem sucedido em uma atividade vai lhe dar ânimo e esperança para se arriscar em outras atividades.
Além disso, essas outras áreas em que a criança tem facilidade e interesse podem ser usadas para ajudá-la a se interessar e aprender mais em outras. Um exemplo: à criança que gosta de desenhar ou pintar, sugira freqüentemente atividades que envolvam pintura ou desenho como reforço de um conteúdo que ela ainda não dominou.
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Seus métodos de aprendizado soa ótimos,pena que eu não posso comprar o seu curso,pois meu filho já vai fazer 8 anos e ainda não sabe ler,é isso me deixa muito triste,já fiz de tudo mas não sei como fazer ele ler,ele tem muita dificuldade, beijos
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