6 Coisas que Você NÃO Deve Dizer a seu Filho Pequeno

Tempo de leitura: 5 minutos

Na comunicação entre pais e filhos, é fundamental que os pais compreendam esta verdade elementar, mas muitas vezes ignorada: a criança não é um mini adulto – ou seja, ela não funciona da mesma forma que o adulto, e a expressão verbal que lhe é dirigida tem de levar isso em conta. Uma vez que a criança está aprendendo a se comunicar, é preciso que os pais dêem o exemplo correto, comunicando-se de forma clara e com firmeza, possibilitando à criança, por sua vez, responder adequadamente a essa comunicação.

Há alguns comportamentos que os pais devem evitar ao interagir verbalmente com os filhos. Avalie se algum dos itens abaixo está presente em sua comunicação com seu filho – uma boa autoavaliação é indispensável para a correção de comportamentos que podem estar gerando conflitos em sua casa, prejudicando a harmonia familiar.

O que você deve evitar na comunicação com seu filho pequeno:

1. Perguntas retóricas: “Você ainda não se levantou?”, “Por que seu quarto ainda está bagunçado?”, “Por que você não presta atenção quando eu falo?”: essas perguntas não comunicam a seu filho um conteúdo claro, mas apenas o seu sentimento de insatisfação diante do comportamento dele. Procure, em vez disso, descrever a ação que você deseja ver realizada: “Levante-se, pegue o par de tênis e calce nos dois pés, agora”, “Guarde seus brinquedos no baú, agora”, “Filho, olhe para mim quando eu falar com você”. A intenção certa ao abordar uma criança é educar, e não extravasar uma insatisfação que possamos ter.

No caso de fazer um pedido, há um recurso que costuma funcionar muito bem, embora sua incorporação na fala cotidiana possa demandar certo esforço: trata-se de inserir o verbo querer na solicitação direcionada a seu filho. Por exemplo: “Filho, queira vestir seu casaco, por favor.” Com esse expediente, você reforça o estímulo sobre a vontade da criança, favorecendo que a obediência aconteça.

2. Frases que demonstram insegurança e falta de autocontrole: afirmações como: “Você me deixa louco!”, “Você acaba comigo!”, ou ameaças vazias – “Você me paga!”, “Você vai ver só!” –, além de não comunicarem nenhum comando e, por isso, serem totalmente ineficazes, transmitem a seu filho a impressão de que o pai é descontrolado. Se você não demonstra autocontrole, não deve esperar que seu filho o faça.

Outra coisa a evitar é a ameaça impossível – “Se você continuar assim, eu vou sumir daqui e nunca mais volto!” –, ou que não se cumprirá: “Se você não desligar esse videogame, eu vou doá-lo para um menino de rua!” Falar por falar enfraquece sua autoridade, acostumando seu filho a não levar a sério o que você diz.

3. Sentimentalismo com o fim de manipular o filho: apelar para a chantagem emocional, além de ser ineficaz, pode ser extremamente enervante para seu filho. Ao dizer, por exemplo, “Fico decepcionado quando você faz isso comigo”, você está comunicando apenas o desejo de que seu filho supra uma carência sua – algo complexo para que uma criança pequena entenda. Ou, ainda, afirmações como: “Você sabe que eu dou um duro danado, trabalho o dia inteiro, para chegar em casa e você me tratar desse jeito!”, “Na sua idade eu não tinha nada, e você tem tudo, mas não dá valor” – além de ineficazes, transferem a seu filho um ônus emocional desnecessário, fazendo-o sentir-se culpado por coisas das quais ele muitas vezes não tem culpa.

4. Dar sermão: a capacidade de atenção de uma criança pequena é limitada; em se tratando de um sermão, é quase inexistente. Se você passar quinze segundos explicando por que seu filho não pode desperdiçar a comida do prato, no quinto ele já terá desconectado e não processará mais nenhuma informação – no máximo, sentirá apenas tédio e um profundo desconforto, que se manifestarão através do choro. Por isso, procure outras maneiras de transmitir o que você deseja: no caso do resto de comida no prato, você pode aproveitar o momento em que testemunharem uma pessoa com necessidades básicas e lembrar a seu filho da importância de agradecer pelo alimento que se tem em casa.

5. Explicações desnecessárias: comandos acompanhados de muitas justificativas costumam ser ineficazes, fornecendo à criança elementos de oposição ou resistência. Dizer, por exemplo: “Filho, vá escovar os dentes, porque temos de ir para a cama, pois amanhã é um dia importante, é a formatura do seu primo que mora em Quixeramobim, e temos de sair cedo”, não fará com que seu filho fique mais motivado a escovar os dentes; pelo contrário, poderá gerar argumentações. A melhor política é ser breve: “Filho, você precisa escovar os dentes, agora.” Depois que ele tiver escovado os dentes, conte a história do primo que mora em Quixeramobim, que estudou tantos anos, que agora vai se formar etc. Assim, você evita criar uma conexão indevida entre ter de escovar os dentes e ter de fazer algo no dia seguinte.

6. Frases que rotulam o filho: dizer coisas como: “Você é muito desatencioso!”, “Você é muito desobediente!”, “Você não gosta de tomar banho, seu porquinho!” prejudica a autoestima da criança, servindo como um reforço da característica negativa, que tenderá assim a arraigar-se. Por isso, nada de rótulos – ainda que eles sejam positivos, como: “Meu filho é muito inteligente.” Ao elogiar, é melhor ser específico, elogiando isto ou aquilo que seu filho fez, do que alimentar sua vaidade com elogios genéricos dirigidos à autoimagem da criança.

Atente para a forma como você se dirige a seu filho. Mudanças pequenas e graduais na comunicação podem fazer uma enorme diferença!

Se você quiser melhorar ainda mais a comunicação com seu filho e ter uma relação harmônica com ele, o primeiro passa é conhecer o temperamento dele (e o seu também). Assista à minha aula gratuita sobre os 4 temperamentos, você vai ver como a relação com seu filho vai melhorar!


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21 Comentários


  1. Só tenho 17 anos, mas eu amei! Espero não cometer estes mesmos erros nas próximas gerações. Percebi muito dessa experiência falada alguns anos atrás. =D

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  2. Meu filho tem três anos, então interage na fala, fala palavras soltas, frases feitas principalmente de desenhos, devo buscar ajuda de qual profissional?

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  3. Meu filho tem 5 anos e esta na fase da desobediencia. Estou tendo muita dificuldade em lidar com ele. Fico muito estressada. Preciso de umas dicas.

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  4. Olá Dr. Italo Marsili! Tudo bem? Gostei do texto mas gostaria de saber de onde as informações que nele constam foram extraídas.Como há hoje uma multidão muito diversificada e muitas vezes paradoxal de informações sobre como criar filhos e filhas, creio ser importante verificar a fonte.Como na sua apresentação consta ” À sua experiência clínica, une a de pai de 5 filhos.”, sem querer ser indelicado, lhe pergunto você já teve a experiência de ser o cuidador principal deles? Ou seja, ficou em casa cuidando deles por um período longo? Pergunto pois o conhecimento acadêmico, se descolado da vida real, corre sério risco de ser infrutífero.Há braços fraternos!

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  5. Adorei o artigo, parabéns!! Me ajudou muito pois estou passando uma fase difícil com minha filha e não sei lidar.
    Gostaria de mais informações, em.como corrigir casos de desobediência e birras.
    Estou ficando frustrada.
    Obrigada!

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  6. Meu esposo diz muito para meus filhos: – Faz isto porque eu estou mandando!
    – Guarde os brinquedos porque eu estou mandando!
    Eu sempre questiono, não gosto dele usar a palavra “mandando”. Apesar de ser uma expressão de comando, me passa a impressão de que a criança tem que fazer apenas porque ele está mandando.
    Como agir? Está correto usar esta expressão?
    Obrigada

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    1. Com criança é mais fácil.Gostaria de saber como agir com meu filho maior com mas de vinte anos. Será que tem jeito ainda?Ele é um bom menino mas desorganizado e não me ajuda com os deveres domésticos colocando as coisas no lugar.

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  7. Acho que preciso exercitar… As vezes me vejo cometendo uns desses erros.

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  8. Eu tenho um filho de 7 anos, sempre que peço alguma coisa a ele,ele faz de tudo para não fazer o que peço. Como devo agir?

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  9. De todas as explicações, só não concordo com dizer ao filho que ele tem que comer porque tem muitas crianças pelo mundo que passam necessidade. Na minha visão, ele tem que comer porque é importante pra ele. Em casa, tento ensinar que ele precisa se alimentar para ficar forte e poder brincar com os amigos. Ter noção sobre o que acontece com outras crianças pelo mundo é importante, mas não nesse contexto.

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    1. Exatamente. Alem disso esse argumento idiota da o contra na sugestao de cima. Sobre chantagem emocional.

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  10. Faltou citar uma coisa que NÃO se deve fazer: exigir comportamentos que a gente mesmo não tem. Exemplo: se você quer que seu filho peça licença, peça desculpas, agradeça ou peça por favor, faça isso COM ELE. Algumas pessoas achavam estranho eu pedir “por favor” ou pedir desculpas a meu filho, mas fico muito feliz ao ver que FUNCIONOU!

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    1. Concordo! Quase em toda frase meu filho coloca a palavra gentileza. Isso pq eu zempre falo. Acho uma fofura!

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  11. Já cometi quase todos esses erros, pelo menos 4 das coisas. Acredito que, dependendo do caráter da criança, há sempre um jeito de mudar a relação, o que aconteceu não precisa nem ser mencionado, vou mudando gradativamente e tem dado certo. Me identifiquei muito com essas dicas, fazem todo sentido. O meu filho que é 11 anos mais velho que o irmão me disse que mudei, que bom, era isso que eu precisava saber. Amor e paz.

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