Como Cozinhar com as Crianças Sem Perder a Cabeça

Tempo de leitura: 7 minutos

Integrar a criança na rotina doméstica, atribuindo-lhe certos deveres com equilíbrio e amor, é fundamental para que ela conquiste a autonomia. A partir dos seis anos, a criança pode até começar a se aventurar na cozinha, sob a supervisão de um adulto, adquirindo assim uma importante habilidade: a de preparar seu próprio alimento. Confira, neste artigo, o relato de uma mãe homeschooler sobre sua experiência com os filhos na cozinha.

Se você acompanha o blog há algum tempo, deve saber que já admiti ser uma péssima cozinheira. Eu tento. Ah, eu tento. Mas o melhor que consigo é ter um punhado de receitas que consigo fazer bem. Felizmente, é o que basta para manter a família alimentada, embora nosso cardápio não seja lá muito variado. Quando invento de preparar um prato que não seja familiar, é um sofrimento. Estudo a receita e tento segui-la com todo cuidado, fazendo tudo exatamente como escrito.

Porque eu peno para cozinhar, sempre tive dificuldade em cozinhar com meus filhos. Porém, quero que eles cresçam sabendo cozinhar, para não terem de passar pelo que eu passo. Então, apesar das dificuldades, tento cozinhar com as crianças. Confesso que às vezes fico uma pilha de nervos quando deixo que eles me ajudem na cozinha. De repente, além de administrar meu próprio nervosismo por medo de fazer alguma besteira, tenho de cruzar os braços e deixá-los aprender – às vezes por tentativa e erro -, abrindo mão do controle total. Não é fácil. Na verdade, pergunte a uma certa criança em nossa casa quem foi que fez panquecas recentemente, pela primeira vez sem nenhuma ajuda, e você verá que posso ficar bastante maluca cozinhando com meus filhos.

Felizmente, aprendi algumas coisas nesses dezesseis anos sendo mãe. (Espero ter aprendido muitas coisas.) E, aos poucos, fui conseguindo deixar as crianças cozinharem comigo – e agora por sua própria conta – cada vez com mais freqüência. Aqui vão algumas coisas que me ajudaram a não perder a cabeça enquanto cozinhava com as crianças.

Escolha com sabedoria o que vai cozinhar

Quando cozinho com uma criança mais nova que ainda precisa muito da minha ajuda para compreender instruções e auxiliá-la na execução, tenho de escolher receitas que faço bem. Se escolho uma receita familiar que já fiz anteriormente e funcionou, posso relaxar e deixar a criança mais à vontade. Mas, se a receita é nova, sinto-me insegura, e a todo momento assumo a execução das etapas, mesmo sem querer, ou fico aflita quando vejo que a criança pode errar em alguma coisa.

Em uma ocasião, decidimos fazer panquecas. Não foi uma escolha muito feliz. Por algum motivo, não é sempre que acerto a mão para fazer panquecas decentes. Por isso, foi muito difícil ficar de braços cruzados e deixar a criança tentar. Tenho mais sucesso com brownies ou cookies ou um macarrão que eu ache simples de preparar. Quando estou confortável com a receita, fico bem mais calma.

Estabeleça as regras fundamentais

Antes de começarmos, procuro gastar um tempinho falando sobre o que vamos preparar e como vamos fazer. Isso é particularmente importante se há duas ou mais crianças auxiliando ao mesmo tempo. Assim se evitam discussões sobre quem vai fazer o quê. Conflitos desse tipo me deixam – já com os nervos à flor da pele – bastante esgotada. Se estou cozinhando com uma criança menor, ou mais de uma, deixo bem claro que passos elas poderão executar. Isso ajuda tudo a fluir melhor e diminui a loucura.

Prepare-se antes de começar

Nada melhor para causar pânico e alvoroço do que chegar na metade da receita e descobrir que não há leite, ou ovos, ou fermento. Afinal, a criança esperou o dia inteiro por esse momento na cozinha e não vê a hora de provar cookies deliciosos. Vamos pegando os ingredientes conforme a receita avança. Tento manter-me tranquila. De repente, pego o pote de açúcar e descubro… que acabou! A criança desmorona ao ver o sonho dos cookies de chocolate bater asas. Olho para a tigela e vejo a mistura que preparamos. Em seguida, o caos.

Antes de começar, gosto de ler a receita na íntegra e deixar à mão tudo que utilizaremos. Separo todos os ingredientes necessários. Retiro do armário todas as tigelas e panelas de que vamos precisar. Separo até mesmo copos e colheres medidoras. Assim evitamos surpresas desagradáveis no meio do processo.

Prepare-se para lidar com erros

Errar faz parte de cozinhar. Sem dúvida, tenho lá minha porção de erros. Algo da minha afobação e ansiedade ao cozinhar com as crianças diminui simplesmente quando me lembro disso e decido seguir em frente. Às vezes, a criança acrescenta o ingrediente errado. Às vezes, ela está medindo uma colher de chá de um certo ingrediente e a caixa escorrega de suas mãos, despejando bem mais que o necessário direto na tigela. Às vezes, depois de tudo pronto, olho para a bancada e vejo que deixamos um ingrediente de fora. Minha reação espontânea é NÃO ter calma e paciência. Mas treinei minha reação para respirar fundo e colocar tudo em perspectiva. Às vezes é possível salvar o que restou, e às vezes temos de jogar tudo fora e começar de novo. Porém, ter a perspectiva certa me ajuda a evitar um ataque de nervos e ensina à criança que tudo bem cometer erros.

Saiba quando deixar a criança em paz

Gosto de ter controle. Deu para perceber? Muito do meu nervosismo ao cozinhar com as crianças vem do fato de que não fico confortável quando não estou no comando. Mas meus filhos precisam de espaço para crescer e aprender. Fiscalizar cada passo deles constantemente pode me fazer sentir melhor, mas não os ajuda a ser independentes. Na cozinha, como em tantas outras ocasiões da vida, tive de aprender quando é o momento de deixá-los por sua própria conta. Se eu sei que a criança já é capaz de ler a receita, encontrar e utilizar os ingredientes, então preciso sair do caminho e deixá-la cozinhar.

Lembra-se da criança com as panquecas, que mencionei acima? Finalmente saí de seu caminho. Ela já tem idade suficiente para usar o forno com segurança. Ela tem prática em ler e seguir receitas. Sim, fiquei nervosa. Mas saí da frente e deixei que ela trabalhasse. E ela foi muito bem-sucedida. Algumas panquecas ficaram um pouco mais bem feitas, mas, no geral, não tenho do que reclamar. Hoje, ter filhos com idade bastante para cozinhar sem minha ajuda é uma bênção. E, quando me sento para comer cookies de chocolate fresquinhos feitos inteiramente por meu filho, sem nenhuma ajuda da minha parte, isso faz toda a loucura de cozinhar com as crianças valer pena.

Artigo de Leah Courtney, traduzido para o português. Original em: http://www.aswewalkalongtheroad.com/2017/10/cooking-with-kids-without-losing-your.html?m=1


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