Conheça uma Falha Grave Cometida na Pré-escola e Saiba como Evitá-la em Casa

Tempo de leitura: 5 minutos

No vídeo de hoje eu falo sobre uma falha grave cometida na pré-escola e também passo uma dica para compensar essa falha em casa. Assista!

Hoje falarei rapidamente sobre uma falha muito grave que, infelizmente, é cometida na pré-escola e que você deve evitar em sua casa.

Ao analisar as metodologias de ensino, precisamos observar, primeiramente, se levam as crianças a experiências no campo da linguagem e da música. Além disso, é preciso avaliar se levam em conta três momentos fundamentais no processo de alfabetização. As crianças precisam, num primeiro momento, adquirir através de experiências um vocabulário de escuta no campo da alfabetização e um vocabulário de padrões tonais e rítmicos no campo da música. Essas experiências podem ser estruturadas ou não estruturadas. Num segundo momento, desde que o método tenha isso como objetivo, as crianças precisam abstrair essas experiências. Da experiência, migram então para a abstração. Num terceiro momento, finalmente, apresentamos os símbolos e sinais que representam essas abstrações.

Qual é, então, a grave falha cometida na pré-escola? As crianças são levadas a experimentar e a conhecer sinais que representam abstrações que elas ainda não fizeram.

Eis um exemplo no campo do desenvolvimento linguístico. Na escola, as crianças aprendem poesias, aliterações, rimas, etc. e recebem ali uma carga de estimulação verbal e linguística. O problema é que, depois disso, elas não são submetidas a exercícios de reflexão e manipulação dos sons verbais, os quais as conduziriam às abstrações e preparariam o terreno para que, posteriormente, fossem-lhes apresentadas as letras (que representam essas abstrações), as sílabas, as palavras, etc.

Uma criança que escuta a professora ler a poesia ‘Colar de Carolina’, a qual abre o livro ‘Ou Isto ou Aquilo’ de Cecília Meireles, escuta uma poesia carregada de aliterações.

Com seu colar de coral,

Carolina

corre por entre as colunas

da colina.

O colar de Carolina

colore o colo de cal,

torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor

do colar de Carolina,

põe coroas de coral

nas colunas da colina.

É preciso que a criança ouça poesias como essa e, em seguida, seja convidada a perceber que há ali sons consonantais que se repetem com muita frequência. Nessa poesia, por exemplo, repetem-se os sons representados pelas consoantes “c”, “r” e “l”. Num segundo momento, depois de ouvir a poesia, é importante que a própria criança recite a poesia, para que, além de perceber a presença desses sons consonantais, passe a produzi-los, realizá-los. A repetição constante dos fones em questão levará a criança a abstraí-los e a produzir os fonemas correspondentes. Mais tarde, ao aprender as letras, os sinais gráficos usados para representar aqueles sons – no caso da poesia citada, as letras “c”, “r” e “l” -, ela já será capaz de entender que tais sinais se reportam a abstrações que já existem em sua mente, as quais pôde fazer graças àquela experiência prévia que teve com a poesia.

Esse mesmo processo pode ser feito com outras poesias e outras aliterações, como muitas das demais poesias presentes no livro “Ou Isto ou Aquilo”. Vejamos outra:

A bela bola

rola:

a bela bola do Raul.

Bola amarela,

a da Arabela.

A do Raul,

azul.

Rola a amarela

e pula a azul.

A bola é mole,

é mole e rola.

A bola é bela,

é bela e pula.

É bela, rola e pula,

é mole, amarela, azul.

A de Raul é de Arabela,

e a de Arabela é de Raul.

Ao ler essa poesia, você pode chamar a atenção da criança, por exemplo, para a presença dos fonemas /b/ e /l/; ou ainda para a presença marcante do som consonantal da letra “r”. Nesse último caso, vale a pena levar a criança a repetir o velho trava-língua “O rato roeu a roupa do rei de Roma”. Depois disso, apresente o sinal que representa a abstração, o fonema que a criança acessou por meio das experiências.

Entenderam o caminho? Experiência, abstração e sinal da abstração.

Se você apresentar os sinais prematuramente para crianças que não possuem ainda as abstrações correspondentes, isso poderá até mesmo prejudicar o desenvolvimento intelectual da criança, pois ela estará aprendendo um sinal sem saber o que ele representa, como se lhe apresentássemos uma fórmula mágica. É isso o que ocorre nesse processo um tanto maluco em que as crianças realizam experiências e são apresentadas aos sinais sem terem previamente passado pelas abstrações. Lembre-se: entre a experiência e os sinas, temos as abstrações – que nascem das experiências, mas são representadas pelos sinais.

O que você deve fazer em sua casa? Você deve proporcionar a seus filhos experiências verbais – e experiências verbais riquíssimas! -, através da leitura de poesias e histórias, brincando com aliterações, rimas, etc. Depois, leve seus filhos à reflexão sobre esses sons verbais. Você encontrará algumas dicas sobre essas reflexões sobre os sons verbais no nosso ebookAs 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”. Há ali uma série de exercícios de manipulação de sons verbais que estimulam as crianças a perceber uma série de diferenças sonoras  entre as palavras e que as levarão a abstrair esses sons. Por fim, apresente os sinais gráficos que representam essas abstrações.

Pense sempre nas experiências, tendo como alvo as abstrações.

Essa é a dica de hoje, espero que tenham gostado.


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11 Comentários


  1. Carlos concordo que ALGUMAS escolas com ed. Infantil ainda deixam a desejar nesse quesito, mas cuidado ao generalizar, pois tantas outras escolas, levam as crianças a passarem por esse processo da alfabetização com mestria. Realmente vale a pena vc conhecer algumas desses escolas aqui em São Paulo capital e interior!!!

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  2. Como ensinar com esse método crianças autistas, que não abstraem ?

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  3. Olá, Carlos Nadalin, gostaria de saber qual a sua formação acadêmica?
    Obrigada Luciana

    Responder

  4. Caro Carlos,

    Sou educador a 27 anos e experimentei diversos “métodos” de alfabetização para a pré escola até que um dia me dei conta da verdadeira função da educação infantil: levar às crianças estímulos que de outro modo elas não teriam. A educação infantil tem a função de educar e não escolarizar. As crianças que são alfabetizadas fora da idade adequada, não são alfabetizadas de fato. Para isso acontecer antes do 6 anos, são “puladas” etapas e habilidades e esquemas mentais são mal desenvolvidos. Me preocupa como educador seu posicionamento, induzindo os pais ao erro de querer alfabetizar sua crianças fora do momento. Se o amigo ler um pouco de Piaget, Vigotski e Melanie Klein, verá a importância da criança brincar para desenvolver esquemas e habilidades primordiais para a verdadeira alfabetização. Como diz Mario Sergio Cortella : “Quem educa são os pais, a escola escolariza”. Pense sobre isso!!
    Abraços
    Marco Antonio Tavares

    Responder

    1. Marco Antõnio, obrigada pelo seu comentário. Nem assisti o vídeo. Tenho um filho de 4 anos. Quero que ele aprenda na escola a brincar em grupo, fazer fila, respeito pelo espaço do amigo, a rasgar papel, colar papel crepom, brincar e brincar. Ele tem 4 anos. Na Alfabetização, aos 6, ele aprenderá a ler. Sabe fazer o nome, escrve o nome da irmã, sabe números e letras. Pura consequência ate mesmo dos desenhos que assiste. Não vejo sentido nenhum em vangloriar porque ele escreve nome, conta até sei lá quanto, etc. Quero-o uma criança sendo uma criança. Responsável pelos seus atos sim. Sujou, limpa. Abriu, feche. Prejudicou, ajuda… Cada coisa tem seu tempo.

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      1. Pâmela Arumaa

        Olá, Dayana. Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?

        Para que a criança seja alfabetizada aos 6-7 anos é preciso que algumas habilidades sejam desenvolvidas nos anos anteriores, na fase de pré-alfabetização. Como eu respondi ao Marco Antônio, é justamente nesta fase que propomos aos pais brincarem com seus filhos de forma a promover o desenvolvimento pleno da criança.

        Infelizmente as escolas hoje, influenciadas por teóricos de linha construtivista, tem desempenhado um péssimo papel no campo da alfabetização, a ponto de 50% de nossos universitários serem analfabetos funcionais.

        Sugiro a leitura deste artigo: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/o-buraco-e-mais-embaixo-conheca-uma-das-raizes-do-fracasso-da-educacao-brasileira/

        Abraços.

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    2. Pâmela Arumaa

      Olá, Marco Antônio. Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?

      A nossa proposta contempla a fase de pré-alfabetização com diversas atividades divertidas que preparam as crianças entre dois anos e meio e cinco anos para a fase de alfabetização. No entanto, algumas crianças com uma idade linguística superior a idade cronológica, acabam, naturalmente, aprendendo a ler durante o processo de pré-alfabetização. Sem cobranças, apenas brincando com seus pais. E o mais importante, respeitando todas as etapas.

      Sugiro que assista a este vídeo: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/alfabetizar-aos-4-anos-e-prejudicial/

      Abraços!

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  5. Olá,
    Não tenho filhos na idade de alfabetização, porém sou professora alfabetizadora à 10 anos,portanto me interessei polo seu blog.Procuro aprimorar meus conhecimentos sobre o assunto,então vejo seus vídeos sempre que posso.Sitando o vídeo:”Conheça uma falha grave cometida na pré-escola e saiba como evitá-las”senti um certo alívio pois trabalho com alunos de 5 e 6 anos de 1º ano e gosto de trabalhar estrutura textual para destacar o fonema em estudo.Seus vídeos são ótimos e têm ampliado meus conhecimentos sobre ” alfabetização”.

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  6. Gostei do vídeo.
    Muito esclarecedor!
    Divulgarei aos amigos.

    Responder
    1. Pâmela Arumaa

      Obrigada, Rosane.

      Agradecemos a confiança em nosso trabalho.

      Abraços!

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