Por que as Crianças Perguntam o Porquê das Coisas? – ou 2 Dicas para Estreitar a Comunicação com seus Filhos

Tempo de leitura: 4 minutos

Não tem jeito, crianças perguntam mil vezes “por quê?”. Mas você sabia que, na maioria dos casos, a criança não quer saber exatamente o porquê das coisas? No vídeo de hoje, eu explico o que significa o “por quê?” dos pequenos e mostro como você pode estreitar a comunicação com seus filhos respondendo adequadamente às incansáveis perguntas que eles fazem.

Os pais geralmente anseiam por melhorar a comunicação com os filhos, mas o universo infantil parece muito distante do universo dos adultos. Se seu filho lhe faz muitas perguntas às quais você não sabe responder, pois não compreende como crianças de 4 ou 5 anos são capazes de questionar coisas aparentemente tão alheias ao universo infantil, não deixe de assistir ao vídeo de hoje. Indicarei algumas ferramentas que auxiliarão os pais a traduzir tais perguntas e responder de forma adequada, melhorando a comunicação com os filhos.

Antes de mais nada, precisamos entender a diferença entre o pensamento dos adultos e o pensamento das crianças. Não se trata de questões filosóficas, e sim de coisas que aprendi com uma pedagoga que admiro muito: Helena Lubienska de Lenval. Em um de seus livros ela diz que “as crianças são dotadas de um pensamento intuitivo, enquanto os adultos são dotados de um pensamento racional, o pensamento regido por categorias lógicas e que busca perceber relações de causa e efeito”. Na seqüência, ela afirma que o “pensamento racional se expressa de maneira adequada por meio das palavras”, ou seja, usamos as palavras para expressar o que pensamos. O pensamento intuitivo, por sua vez, expressa-se de forma adequada por intermédio de gestos e, segundo ela, é por isso que as crianças aprendem com mais facilidade por mímicas. Contudo, embora o pensamento intuitivo das crianças se expresse melhor por gestos, o fato é que elas também falam e escutam. No entanto muitas vezes suas palavras e, sobretudo, seus questionamentos não correspondem exatamente ao pensamento infantil. Como, então, traduzir o pensamento das crianças quando elas utilizam as palavras?

Em primeiro lugar, quando as crianças perguntam o porquê de algo, elas não querem saber sua causa. Elas não se guiam pelo pensamento racional e por isso não buscam estabelecer relações de causa e efeito. O porquê das crianças é uma forma abreviada, compactada, de reagir a uma situação. Se uma criança pergunta por que voam os pássaros, ela não está interessada em saber a causa do vôo dos pássaros. No fundo, ela quer dizer: “Olha, eu vi que os pássaros voam”. Logo, você não precisa lhe explicar nada, apenas confirmar aquela percepção. Essa pergunta não merece uma explicação, senão uma confirmação: “É isso mesmo, filho!”.

Muitas vezes os porquês das crianças podem ser também a expressão de uma reação de desobediência. Uma criança que não quer obedecer aos pais na igreja poderá questioná-los: “Por que devo me ajoelhar?”. Entendendo o que a pergunta realmente expressa, eles lhe deveriam responder: “Para reverenciar a Deus”. Nesse caso, o interesse da criança não está na causa, e sim na finalidade da ação.

Em suma, no universo infantil há dois porquês: um que pode ser substituído por “eu observei que” e outro que questiona qual a finalidade de uma determinada coisa ou ação.

Uma última dica: quando a criança faz uma pergunta sincera, na qual se note um interesse real, não responda de imediato. Faça uma pausa para que, observando seu gesto, ela venha mais tarde a imitá-lo e aprenda que não deve responder a tudo automaticamente, mas que é preciso refletir antes de falar. Essa estratégia é importante para evitar que seu filho se transforme em um tagarela e saia respondendo irrefletidamente a tudo e a todos.


Faça o download da versão em áudio e ouça essa dica quando quiser!

Assine nosso podcast no iTunes e receba gratuitamente nossos conteúdos em áudio. Assine em seu computador pelo link bit.ly/cesf-podcast. Siga-nos e deixe um review!


Deixe suas dúvidas e opiniões aqui embaixo! Obrigado por compartilhar nosso conteúdo!

Receba em seu email nosso ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, um guia completo e totalmente gratuito para introduzir seus filhos no universo da Alfabetização. Clique aqui: https://goo.gl/FDS4xU.

7 Comentários


  1. Não entendi, qual o problema da criança ser “tagarela”? eu não sabia das dicas deste vídeo e sempre respondi tudo para minha filha desde que ela tinha 2 anos, agora ela tem 4 e realmente é bem “tagarela”. Obrigada

    Responder

  2. Olá Carlos, sou professora do ensino fundamental e médio e atualmente estou fazendo faculdade de Pedagogia. Tenho um filho de um ano e meio. Gostaria de te dar como sugestão que você colocasse o conteúdo dos seus vídeos por escrito também aqui no blog porque não tenho tempo de assistí-los todos. E se o conteúdo deles fossem publicados em forma de textos seria mais fácil e prático para que pudéssemos acompanhar todos os seus temas abordados aqui no blog.

    Responder

    1. Apoiadíssimo. Muitas vezes não temos disponibilidade de assistir o vídeo. Além do que é mais prático caminhar pelo texto explorando o que mais nos interessa.

      Responder

  3. Professor Carlos, como faço para adquirir o curso ” Como alfabetizar seus filhos em casa?’

    Responder

    1. Olá, Ellen. Aqui é a Pâmela, faço parte da equipe de suporte. Tudo bem?

      O curso “Ensine seus filhos a ler – Pré-alfabetização” está com as vagas fechadas. Sugiro que você entre para lista de espera, para receber informações sobre as próximas turmas: http://www.comoeducarseusfilhos.com.br/espera

      Temos previsão de uma nova turma para novembro deste ano. Esperamos por você! 🙂

      Abraços!

      Responder

      1. Ola Pamela. Eu realmente gostaria de saber qual problema da criança ser tagarela e remediar algum possível problema. Obrigada

        Responder

        1. Olá, Viviane. Tudo bem?

          O professor não diz que é um problema a criança falar demais. O que é abordado no vídeo é o fato de muitas vezes as palavras ditas por elas e, sobretudo, seus questionamentos não corresponderem exatamente ao pensamento infantil. Ele ensina então a interpretar os “porquês” das crianças. 🙂

          Abraços!

          Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *