O que Raios é o Construtivismo?

Tempo de leitura: 9 minutos

Uma dúvida muito freqüente entre os pais que pretendem matricular seus filhos em uma escola é quanto aos métodos ou às abordagens educacionais por elas adotados. No Brasil, sobretudo a partir dos anos 1980, a teoria de aprendizagem que serviu de fundamento para a educação pública e, posteriormente, também para a privada foi o construtivismo, concebido por pedagogos como Lev Vygotsky e Paulo Freire.

Mas, afinal, o que é o construtivismo?

A palavra construtivismo só pode ser usada com um sentido preciso e compartilhado universalmente em dois sentidos: quando designa um movimento artístico nascido na União Soviética após a revolução de 1917, tendo sido empregada pela primeira vez pelo teórico da arte russo Malevich para comentar o trabalho do artista Rodchenko, e na filosofia da matemática. Tanto na arte quanto na matemática a palavra construtivismo tem um significado preciso.

Já no campo da educação isso não ocorre. Há tantas definições de construtivismo quantas são as cabeças dos construtivistas. É praticamente impossível colocar-se de acordo sobre o que é o construtivismo em educação ou em pedagogia, porque o próprio fundamento da abordagem construtivista é flutuante e instável. Não há, pois, como definir o construtivismo no campo da educação: ele tem uma infinidade de significados. Por isso é tão difícil – ou mesmo impossível – que nos ponhamos de acordo sobre uma definição.

Por outro lado, exatamente por essa razão, ele é tão atraente. O construtivismo, um termo guarda-chuva, pode abrigar qualquer coisa. Além disso, tem um apelo atual, moderno, na medida em que engloba duas idéias que entraram na educação por intermédio da filosofia moderna: as idéias de autonomia e de emancipação. Portanto, em educação não é possível discutir construtivismo, ou melhor, só se pode discutir porque não há acordo, uma vez que o termo é fluido e tem uma base completamente instável.

O construtivismo do ponto de vista teórico

Que evidências temos a respeito dos impactos educacionais e dos resultados de aprendizagem produzidos por ações e práticas da abordagem construtivista? Do ponto de vista teórico, o que temos como elaboração teórica, hipótese, teoria ou modelo explicativo para o aprendizado?

Poderia apresentar muitas questões aqui, mas gostaria de recordar especialmente uma teoria desenvolvida e experimentada por um grande mestre de xadrez chamado Adriaan de Groot, holandês nascido em 1914 e falecido em 2006. Além de grande mestre de xadrez, de Groot era psicólogo cognitivo e publicou uma tese buscando responder quais são os mecanismos cognitivos postos em operação pelos grandes mestres ao jogarem xadrez.

Ele fez uma experiência muito célebre: apresentou tabuleiros de xadrez com jogadas em posições típicas, respeitando as regras do jogo. Mostrou então esses padrões de posições de repetições a experts e noviços. Depois de apresentá-los por alguns segundos, fez um teste para ver se as pessoas se lembravam dos padrões que haviam visto. Como resultado, ele obteve que, no caso da apresentação de padrões de posicionamento das peças que respeitavam as regras, os experts participantes da experiência foram muito superiores em relembrar os diversos quadros de posição apresentados, ao passo que os noviços falharam rotundamente.

Posteriormente, de Groot fez outra experiência em que mostrou padrões aleatórios de distribuição das peças a experts e noviços, fazendo depois o teste da memória dos padrões apresentados. Nesse segundo teste não houve diferença significativa entre experts e noviços.

Como interpretar os resultados dos dois experimentos? Aprende-se melhor e se resolve melhor os problemas quando se tem um padrão no qual encaixar os dados. E esse é exatamente o caso dos grandes mestres: eles têm um padrão estruturado no cérebro no qual vão encaixando as informações, ao passo que, se lhes são dadas informações aleatórias, elas dificilmente serão fixadas na memória e utilizadas depois para resolver problemas.

Portanto, antes de desenvolvermos capacidades e habilidades, é importante acumularmos conhecimentos e informações e, pouco a pouco, encaixá-los nos padrões que vão se estruturando no cérebro. Mas o construtivismo indica o caminho contrário ao pretender que a “cultura” da criança modele seu desenvolvimento cognitivo e que ela faça reflexões críticas antes mesmo de ter adquirido conhecimentos positivos, algo análogo a esperar que faça uma boa digestão alguém que mal deu a primeira garfada.

Do ponto de vista teórico, todas as proposições e equacionamentos elaborados pelo construtivismo – tal qual utilizado na educação – fracassam teórica e praticamente ao tentar explicar o problema do aprendizado. Não há nenhuma teoria experimentada e sólida que dê guarida às formulações construtivistas.

O construtivismo do ponto de vista prático

Consideremos agora as evidências científicas experimentais. Ao comparar procedimentos, abordagens e materiais de ensino baseados numa perspectiva construtivista com procedimentos, abordagens e materiais baseados numa perspectiva instrutivista, não há nenhum experimento no mundo que tenha mostrado a superioridade dos primeiros sobre os últimos. Não há estudo que prove que as abordagens construtivistas geram mais aprendizado do que as abordagens instrutivistas.

O mais célebre experimento prático em pedagogia foi realizado nos EUA como parte do projeto Follow Through, em que ficou cabalmente provado que abordagens, procedimentos e materiais de ensino que seguem o equacionamento instrutivista geram mais aprendizado em tempo menor e a um custo cognitivo menor do que as abordagens construtivistas. Isso está cabal e definitivamente demonstrado no campo empírico com crianças reais, em salas de aulas reais, com professores reais. Infelizmente, como os nossos educadores não estão habituados a trabalhar com evidências científicas, desconhecem o maior experimento prático pedagógico já realizado na história da educação.

Assim, tanto o avanço teórico nas ciências cognitivas quanto o avanço no conhecimento experimental das práticas pedagógicas confirmam a tradição pedagógica ao evidenciar que procedimentos não dirigidos, centrados no interesse do aluno, que dão ênfase à participação e que vão do complexo para o simples são inferiores se comparados a procedimentos centrados no conteúdo, dirigidos pelo professor, que vão do simples para o complexo, que fazem rememorações e que levam em conta o que o aluno já sabe.

Se a superioridade das abordagens instrutivistas ante as abordagens construtivistas é corroborada pela experiência e pela teoria, isso não tem nada que ver com tradicionalismo, passadismo ou autoritarismo. A afirmação dessa superioridade é antes a solidificação de uma tradição pedagógica – e tradição pedagógica não é o mesmo que tradicionalismo pedagógico. Não se trata de tradicionalismo, e sim de observar que a tradição pedagógica, acolhendo os novos avanços teóricos da ciência ao longo do tempo e os achados consolidados e sistemáticos dos experimentos pedagógicos, vai sendo confirmada. Trata-se de observar o que é mais eficaz e o que faz com que um maior número de crianças de diversos tipos, em diversas circunstâncias, em diversas culturas, aprendam mais e a um custo cognitivo menor.

Letramento e whole language

O termo “letramento” foi inventado no Brasil e tem sido empregado como substituto do termo “literacia”. Com ele ocorre o mesmo que com o construtivismo: é um termo impreciso, sem uma definição operacional. Letramento é tudo e qualquer coisa. Por isso ficamos tão perdidos!

Em suma, letramento não é senão a abordagem construtivista aplicada ao problema do aprendizado da leitura. Quando ouvir falar em letramento, pense, portanto, na aplicação de uma abordagem reconhecida e comprovadamente ineficaz equacionada ao problema da leitura.

Tal aplicação do relativismo construtivista à questão do ensino da leitura tem também um sabor do whole language, movimento vindo dos EUA – especialmente da Califórnia – que reencontrou trabalhos de neurofisiologistas e neuropsicólogos como Luria e trabalhos teóricos de Vygotsky, ambientou-os num processo chamado de Neurociência Cognitiva e gerou, por fim, uma sorte de filosofia do aprendizado da leitura que resultou em um fracasso monstruoso quando aplicada obrigatoriamente nas escolas da Califórnia no fim da década de 80. Por decisão da autoridade educacional do estado da Califórnia, as escolas foram obrigadas a aplicar essa abordagem. Como conseqüência, a Califórnia, que tinha antes escores de leitura superiores aos dos demais estados americanos, em pouco tempo passou para o último lugar. Logo perceberam o que estava acontecendo, e a situação foi remediada.

Aprender a ler com base em textos, aprender a ler privilegiando as habilidades cognitivas superiores, aprender a ler do todo para a parte, aprender a ler dando valor à função social da linguagem, tudo isso é whole language, tudo isso é construtivismo aplicado à alfabetização, tudo isso é letramento. Ora, tentaram aplicar o whole language também em Israel. Mas, como o desempenho em leitura dos alunos israelenses começasse a cair, o Knesset, parlamento de Israel, formou um grupo coordenado pela cientista Rina Shapira para buscar entender o que estava acontecendo. Eles rapidamente identificaram a universidade de onde vinham as iniciativas de implementar essa abordagem pedagógica e fecharam seu departamento de letramento, demitindo todos os professores.

Se na Califórnia e em Israel o fracasso da aplicação de uma abordagem pedagógica ineficaz foi prontamente identificado e corrigido, no Brasil, contudo, décadas de estragos educacionais causados pelo construtivismo parecem não ter sido o bastante para afastar nosso sistema educacional do erro. Ainda hoje, a maioria de nossos pedagogos e profissionais da área da educação é formada para construir casas a partir do telhado, ignorando a fundação. Nutrindo uma preocupação desmedida com a socialização e as habilidades críticas da criança, esquecem-se do fundamental e empregam esforços imensos para erguer edifícios que, a depender dessa abordagem, jamais sairão do chão.


Quer saber mais sobre problemas na educação do Brasil? Leia este artigo do Prof. Carlos Nadalim.

Essas dicas foram úteis para você? Quais são as dificuldades que você enfrenta quanto aos métodos de ensino? Deixe um comentário aqui embaixo, nós adoraríamos saber sua opinião.

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56 Comentários


  1. Pronto! Está demonstrado!

    O Prof. Luiz Carlos escreveu: “Há tantas definições de construtivismo quantas são as cabeças dos construtivistas”. Na presente amostra de comentários, esta proposição figura-se como verdadeira, isso porque os construtivistas dos comentários não entraram num acordo; se pudessem, esbofeteariam-se. KKK!

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  2. Estou apavorado com os erros ortográficos de “professores construtivista” que ví nos comentários.
    Com esse legado de nosso sistema educacional o Brasil jamais sairá do atoleiro ideológico no qual se meteu.
    Israel é USA, quando identificaram erros no sistema educacional trataram com “remédios” adequados os responsáveis (demissão imediata).

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  3. Excelente texto. Guardei aqui para ler novamente!!

    É impressionante a quantidade de pessoas que constroem paginas em redes sociais para defender ideologias falhas ao invés de defender verdadeiramente a educação.

    Depois volto para ler os 50 e poucos comentários rsrs.

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  4. Lendo este texto consegui compreender muitíssimo melhor.

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  5. Parabens professor Carlos.Sua ajuda tem sido muito grande para nós pais na educação dos nossos filhos

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  6. Impressionante como pedagogos brasileiros se acham detentores da máxima sabedoria do ensino, e insistem no erro do sócio-construtivismo, deve ser por isso que a educação no Brasil está tão atrasada. Errar é humano, insistir no erro é burrice, humildade para os pedagogos brasileiros seria bom para todos.

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  7. Então professor, minha filha, estudando numa das maiores e mais antigas escolas particulares de Londrina, vem tendo grandes problemas na alfabetização; nas entregas de portfólio, me empurram um monte de atividades feitas, passarinhos de barro, bonecas de papelão, mas quando cobro sobre a alfabetização… Já tive, por iniciativa minha, reunião quando passou para o primeiro ano, no meio desse, outra ao fim do ano passado, onde não houve opção senão a reter no primeiro ano. É revoltante pagar caro para que a professora regente empurre a responsabilidade para a professora de reforço. A postura da escola é que a alfabetização irá “acontecer” no seu momento( como se fosse a chuva, ou algum outro evento natural e independente da ação humana). Ela começou a ter algum progresso quando iniciou o reforço, que trabalha a metodologia mista.

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  8. Eu li num artigo do Mídia sem Máscara que o Paulo Freire praticamente plagiou o método do missionário protestante norte-americano Frank Charles Laubach, conferindo-lhe, contudo, alma marxista.
    O objeto de sua crítica se atém à “obra” do Paulo Freire ou ela se estende também ao método usado pelo missionário?

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  9. Parabéns Professor Carlos pelo texto, nos faz refletir, ajudando nos a educar melhor nossos filhos.
    Obrigada.

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  10. Muito esclarecedor. Como é bom saber…
    Esse texto rapidamente me reportou ao livro de alfabetização entregue na escola de meu filho de seis anos… Quando vi o livro que serviria para alfabetiza-lo, achei muito estranho, um livro que mais parecia para alfabetização de adultos, pois o seu conteúdo baseava-se em conhecimentos adquiridos por adultos que sabem várias coisas porque as viveram, mas não sabem ler porque não foram alfabetizados… Compreendi o que o professor quis dizer com “construir casas a partir do telhado”… Mas, graças a esse livro comecei a procurar um método eficaz de alfabetização e por sorte encontrei o professor Carlos Nadalim…
    Obrigada professor Luiz Faria por desmistificar a “tradição pedagógica” neste trecho do texto: “A afirmação dessa superioridade é antes a solidificação de uma tradição pedagógica – e tradição pedagógica não é o mesmo que tradicionalismo pedagógico.”
    Enfim, obrigada por esclarecimentos tão necessários.

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  11. Que texto infeliz! O problema é o desconhecimento e o uso inadequado que se faz das contribuições do construtivismo e não o construtivismo em si. A produção científica é mais extensa do que estas às quais o texto faz referência. Ler isso sem senso crítico é um perigo aos desavisados…É uma pena que não é assim que se ajuda a nossa sofrida educação.

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    1. Olha pessoal, pra ser bem resumido, o indivíduo que constrói suas bases pautadas na palavra de DEUS este, jamais estará errando…. Será e muito abençoado e deveria ser esta a instrução das crianças, para uma sociedade melhor verdadeiramente!

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    2. É evidente que nossa educação tem se deteriorado desde 1980. Não querendo atribuir méritos ou desmeritos a um “ismo” qualquer ou a um pedagogo e suas teorias sobre educação das quais nossos filhos têm servido como cobaias por tanto tempo, creio que deveríamos seguir exemplos de sucesso na área educacional. Vamos investigar melhor o que fazem na Coreia do Sul, Finlândia, Japão e outros que levava educação a sério!!!

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  12. O texto muito elucidativo do Profº Luiz Carlos é uma luz nas trevas em que se encontra (ou se perde) a educação brasileira, hoje. Apenas senti falta da crítica dos trabalhos de Paulo Freire e Emília Ferreiro; dois expoentes balizares do construtivismo no Brasil.

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  13. Nao entendo muito sobre os métodos de ensino. Mas sei o que vejo pela comparação que faço da escola da minha sobrinha que é tradicional e elitizada para a da minha filha que é construtivista na educação infantil e sócio interacionista no fundamental.
    Na escola da minha sobrinha quando tem dia do circo os alunos sentam e assistem uma apresentação feita pelo professor, já na da minha filha eles fazem apetrechos e fazem uma apresentação para as outras salas.
    Minha sobrinha ia ao parque no último ano da educação infantil 1 vez por semana, não dava tempo, tinham que estudar. Minha filha vai todos os dias. Na da minha sobrinha usam o método tradicional para alfabetizar e lição de casa todos os dias. Na da minha filha rotina escolar so no 1 ano, então não tem dia certo para lição de casa. Porém minha filha já está alfabetizada ela estuda nessa escola desde o maternal e quase a sala inteira já sabe ler. E não só ler como também são letrados (letramento é vc compreender o que lê, ou quando não sabe ler compreender o uso das palavras na sociedade e entender o seu significado).
    Então não sei se prefiro o tradicional, essa alfabetização onde enchem os pequenos de lições e compromissos. As escolas tradicionais que visitei não davam valor a aprender pular corda, amarelinha, igual davam a saber ler e escrever, a fazer lição.
    Constutivismo pode der ruim. Mas para mim esta sendo perfeito. Minha filha aprende sem deixar de lado o mais importante nessa fase que é ser criança. Brincar.

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    1. No texto ele não está defendendo a “escola tradicional”. Seja essa qual for, segundo a sua concepção que desconheço. Mas, fala de métodos comprovadamente melhores para aprender.

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    2. Pamela, os piores efeitos dos métodos construtivistas na aprendizagem são cumulativos e ainda não são tão perceptíveis logo cedo. Normalmente, um adolescente educado pelos métodos construtivistas apresenta, durante o ensino médio, aprendizagem pior do que qualquer outro adolescente educado pelos métodos mais tradicionais.

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  14. A maior desgraça da educação no Brasil é o Construtivismo nunca ter sido colocado em prática. Basta fazer uma visitinha às escolas para ver professores autoritários mandando seus alunos repetirem e decorarem o ba-be-bi-bo-bu e não terem um pingo de respeito e amizade por eles. Mas entendi tudo quando vi logo abaixo que o sujeito que indicou esse texto tem como professor o grande “filósofo” contemporâneo Olavo de Carvalho. Isso diz tudo.

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  15. Discordo totalmente. Eu como professora sempre trabalhei a partir da TEORIA construtivista., que não é um método e sempre tive muito sucesso. Hj meus filhos estão numa escola construtivista e o resultado é maravilhoso. Tradicional é coisa do passado tenho pena das crianças que ficam repetindo o BA BE Bi Bo bu

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  16. Ao ler este texto, comecei a entender por que em tempos idos o aprendizado era mais efetivo quando os professores ensinavam as bases (alfabetização, “as quatro operações” ) e hoje a dificuldade é maior. Devemos isso ao construtivismo.

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  17. Professor Luiz Faria…

    Antes mais deixa-me que lhe diga, costumo gostar de ler e refletir sobre os seus artigos, mas este artigo sobre o Construtivismo é um autêntico disparate.

    Queremos ou não, todos nós somos fruto do contrutivismo, ou seja, a nossa personalidade e maneira de ser é fruto do que adquirimos do dia a dia, por situações que passamos e passámos, por experiências que obtivemos, etc, e tudo isso é um conhecimento construído, daí a palavra construtivismo. Qualquer ser, aprende com a sua experiência, seja ela em que área for, independentemente a idade, local de aprendizagem ou forma de aprendizagem (seja ela mais severa ou mais ligeira), simplesmente, tanto a sua aprendizagem como o saber e a personalidade é feita através do construtivismo. Tão simples quanto isso.

    Vou dar-lhe vários exemplos:
    Eu, enquanto criança:
    Os meus pais tiveram de me deixar ao cuidado dos meus avós até a uma certa idade. Ao estar ao cuidado dos meus avós e a ver a forma como os meus tios tratavam os meus avós (com muito respeito e cuidado) ainda hoje, tenho esse mesmo cuidado ao tratar os meus pais e pessoas mais velhas, o que não é a mesma educação que a minha irmã tem (mais nova) que foi sempre criada pelos meus pais. E aprendi como: com observação e com experiência o que fez com que eu construísse a minha maneira de estar na sociedade.

    Eu, enquanto criança:
    Vivi um período de maus tratos por parte do meu pai. Eu poderia ter tomar n rumos à minha vida (álcool/droga/prostituição/etc.), mas em vez disso resolvi aprender com a minha experiência e aplicar de melhor forma, tentando ter atitudes corretas e dar um bom exemplo para quem passa pela mesma situação. E aprendi como: com observação e muita auto-refleção. Isso construiu mais um pouco a minha personalidade.

    Eu, enquanto criança:
    Fui escuteira. Aprendi a montar uma tenda, uma mesa, uma porta giratória, bancos, etc, através da tentativa e erro e através da observação. E isso fez com que hoje em dia seja mais virada para trabalhos mais práticos, artesanais, manualidades, e um pouco únicos pois não sigo muito as instruções, mas sim, tentativas e erros. E isso faz com que o meu saber seja construtivo, pois ele vai se desenvolvendo consoante a situação e a necessidade.

    Eu, enquanto mãe:
    Eu deixo o meu filho cair ao chão e de se magoar. Não estou sempre à volta dele e neste momento tem 3 anos de idade. Serei má mãe? Se calhar até sou! Mas garanto-vos uma coisa, depois de se magoar uma vez, raramente volta a fazer o mesmo. Se aprendeu? Garanto-lhe que sim! Fui eu que lhe disse ou ensinei? Não, não fui! Foi ele que aprendeu através da sua auto-aprendizagem, ou seja construiu o seu conhecimento. É claro que há certas situações que não deixo o meu filho arriscar (ex. beber detergente para a roupa), mas tudo aquilo que não existe perigo, deixo-o tentar, pois sei que assim ele aprende e não repete. Se me perguntar se o meu filho já bebeu vinho? A resposta é sim, com 2 anos! Resultado, não gostou e nunca mais bebeu, sem pedir, a bebida que esteja no copo das outras pessoas. Sempre que quer beber algo, quer que se enche um copo só para ele à frente dele, pois ele tem de ver e reconhecer a embalagem. Se eu ensinei isso? Não senhora! Simplesmente foi um meio que ele encontrou para não voltar a passar pela mesma situação. Como é que ele adquiriu? Através de uma aprendizagem construtivista.

    Eu, enquanto professora:
    Adoro quando os meus alunos chegam ao pé de mim e dizem-me “Consegui”/”Descobri”/”Já sei”. Para eles é uma festa, para mim, é uma grande satisfação pois cada vez estão mais autónomos e independentes. Dou as bases que são necessárias e indispensáveis, depois deixo que sejam eles a desenvolver, com a minha orientação, os seus conhecimentos e saberes, e construir o sua própria aprendizagem, maneira de ser, e acima de tudo, a sua personalidade.

    Eu poderia estar aqui a dar muito mais exemplos, pois há n exemplos. Agora gostava de saber como é que o construtivismo não é um bom método de aprendizagem quando é o central de tudo. Como é que podemos viver o dia a dia sem adquirir qualquer coisa através das nossas experiências do quotidiano?

    Por essa, este artigo não faz sentido algum.

    Bem haja a todos, independentemente, as suas opiniões.

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    1. Só pelo excesso de vírgulas e por colocar ” enquanto criança” no lugar de ” quando criança ” a senhora já deveria se calar ao invés de opinar .

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      1. “Quando criança”? É melhor reler com mais atenção, pois eu não estou a referir a nível temporal, mas sim, a nível posição/lugar de criança, por essa razão recorri à palavra “enquanto” e não “quando”.
        Em relação às vírgulas, é melhor reler o que eu escrevi, mas fazendo as devidas pausas, para ver se entende o que eu expus.
        Antes de criticar o meu “português” ou de uma outra pessoa, melhore primeiro o seu antes de o fazer.
        Cumprimentos…

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        1. Desculpe-me, mas o termo que empregou “eu, enquanto criança, vivi um período…”, está sim incorreto, uma vez que você refere-se ao tempo passado. Palavras como “escuteira”, ao invés de “escoteira” e “refleção”, ao invés de “reflexão”, nem se fala…, sendo você uma professora.
          Além do que, a sua concepção equivocada do que realmente significa o termo “construtivismo”, no campo educacional, realmente é preocupante…
          O autor refere-se ao ensino da leitura e escrita, que são códigos inventados pelo homem e portanto PRECISAM SER ENSINADOS de forma sistemática e gradual. Ele não defende a “escola tradicional”, mas um método eficaz de alfabetização, como o fônico, amplamente utilizado na Europa e EUA, inclusive na “Escola da Ponte” em Portugal.
          Construtivismo NÃO É “MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO”. Ponto. O fato de uma escola denominar-se “construtivista”, não significa, necessariamente, que ela não utilize um “método de alfabetização” e que este não seja eficaz. Significa, ou ao menos deveria significar, que sabe-se que a criança é um ser ativo na construção do seu conhecimento, que passa por etapas de aprendizagem graduais e “normais” ao longo do processo de alfabetização.
          Agora é fato que, muitos professores, infelizmente, ainda não sabem disso e ao se intitularem “construtivistas”, acreditam realmente que não há a necessidade de se ensinar os códigos da linguagem escrita de forma sistemática e gradual no processo inicial de alfabetização, com ênfase no desenvolvimento da consciência fonológica e o que vemos são crianças e jovens em séries adiantadas, com uma pobre consciência da relação fonema/grafema, dificuldades na leitura, escrita e interpretação, decorrentes de um processo de alfabetização deficitário.
          Agora, quanto ao exemplo do vinho, para o seu bebê de dois anos…sem comentários. Espero que não decida deixar a janela do seu apartamento aberta para que ele realize a experiência de jogar-se por ela, para dessa forma, aprender que não é uma boa ideia. Ou que ao menos, more em casa térrea.

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    2. Hayek explica isso, senhora.
      O conhecimento tratado no artigo é diferente do conhecimento que você trata.
      O artigo aponta para um conhecimento científico, para desenvolvimento cognitivo. Você fala sobre o conhecimento secular e casual, e embora seja construído, não tem nada de construtivismo nele.

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  18. Considero o fato de estarmos discutindo está questão um grande avanço. Muito obrigado por está oportunidade Professor Luiz Faria.

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  19. A minha experiência com meu filho está sendo maravilhosa, mudamos de um conceito tradicional para o construtivista e os resultados pedagógicos estão sendo fantásticos. É isso que me importa.

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    1. Catarina, como você está avaliando os resultados pedagógicos? Se o seu método de avaliação estiver errado (e eu acredito que realmente esteja), você deveria trocá-lo por outro.

      Saiba também que os piores efeitos negativos do construtivismo sobre a aprendizagem do indivíduo são *a longo prazo*.

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  20. Aterrador! Identifico nesse texto elementos de minha formação escolar. E agora? O que fazer?

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  21. Criticar o construtivismo sem de fato conhecê-lo é fácil, pois, no fim das contas é uma questão ideológica de manter privilégios e tradicionalismos. O senhor não explicou NADA sobre o construtivismo. Leiam Vygotski, Piaget, Paulo Freire, Feurstein. Eles sim poderão dar uma boa base do é de fato o construtivismo. Não se contentem com explicações furadas, que na verdade são apenas uma crítica vazia e infundada de Pseudointelectuais! Me poupe!

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    1. ,

      Gabriela,
      Li, conheço e entendo bem Piaget, você leu? Este construtivismo bastardo nada tem de Piaget, se observar seus experimentos verá que o contato da criança é com a realidade, ela precisa de informação para processar, informação objetiva. Como você quer que uma criança aprenda a ler sem dar as chaves para decodificar o código da linguagem escrita? Não faz sentido.
      Este construtivismo bastardo usurpa da fama do naturalista Piaget, indo contra seus próprios achados, é um lixo, difamação. O construtivismo deve ser banido das escolas, é ideologia sem base, somente ignorância.

      Responder

      1. Exato Gabriela, que absurdo descrever letramento como “Letramento é tudo e qualquer coisa. Por isso ficamos tão perdidos!” o fato do senhor não saber o que algo significa e como se utilizar deste instrumento, não lhe dá o direito de dizer que ele não é nada. Letramento é a capacidade que o indivíduo tem de ler o mundo, ou seja, através da capacidade cognitiva, se utilizar da alfabetização, ou seja da decodificação das letras e atribuir significado, possibilitar o letramento é capacitar este indivíduo pra interpretar, não só textos escritos, mas toda gama de outros formatos de textos que está a nossa volta!
        Quanto ao construtivismo, o erro que se deu foi que infelizmente, professores como o senhor, não tem capacidade de letramento e acabaram entendendo que o aprendizado se constrói sozinho, ignorando que o professor é importante mediador neste processo, absurdo preterir auxiliar na formação de alguém com essa fala sem conhecimento.

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        1. Fabiana Ulrich, você está equivocada. O erro de fato dos construtivistas é que, numa discussão real entre professores construtivistas, dois minutos após a senhorita ter feito seu comentário, apareceria outro professor afirmando que o aprendizado se constrói, de fato, sozinho e, em quatro minutos, apareceria outro “discordando” dos dois primeiros com a alegação de que cinco horas de socialização e 30 minutos resolvendo exercícios por dia letivo é a melhor prática pedagógica.

          O problema dos construtivistas é que todos eles crêem-se portadores da verdade mas absolutamente *nenhum* deles apresenta qualquer evidência científica. Todos eles são uma verdadeira desgraça e um desserviço à educação infantil.

          Professores que não trabalham a fundo com evidências científicas e usam a imaginação e os modelos descritivos subjetivos sem critério algum, a bel prazer, não chegam a nenhum consenso. Daí que, para além da educação infantil, o construtivismo também atenta contra a formação dos próprios professores e cientistas.

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    2. Concordo plenamente!
      Fiquei pasmo quando relacionou o construtivismo a Paulo Freire e Vigotsky.
      Na verdade, o construtivismo ( ou psicogenetica) foi desenvolvido por Piaget. Enquanto que Vigotsky desenvolveu o sociointeracionismo.
      Texto medonho!

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  22. Eu nunca concebi o porquê de tirar os métodos tradicionais de alfabetização, e colocar o sócio-construtivismo em seu lugar, que nem sequer é um método. Fiquei chocada na faculdade de Pedagogia ao perceber que as coisas estavam desse jeito. Triste hora em que acabaram com o curso de Magistério, e mais triste ainda os professores terem comprado essa falácia, e ver as escolas se gabando de serem construtivistas.

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  23. Primeiramente achei o uso da palavra “desgraça” um tanto quanto apelativo e de muito mal gosto.
    Segundo, achei esse texto um desserviço aos pais que não tem conhecimento sobre o assunto, e tem cheiro de “escola sem partido” .
    Sou estudante de Pedagogia e pesquisadora em Vigotski e em formação de professores, e, com todo respeito senhor Luiz, mas baseado nesse texto não acredito que o senhor seja expert em pedagogia.
    Construtivismo não é lá um bicho de sete cabeças, é uma teoria sobre a aprendizagem que tem como base a premissa de que o sujeito ao adquiriir um conhecimento novo e tenta “encaixar” nos seus conhecimentos prévios, construindo assim novos conhecimentos, um de seus proponentes foi Jean Piaget, que inclusive advogava que a aprendizagem tinha cunho genético, e não social.
    Ao que me parece, a teoria que o senhor atribui a má qualidade da educação e formação dos pedagogos é a abordagem vigotskiana histórica-cultural, que tem influências do materialismo dialético de Marx, e que Paulo Freire também defendia. Essa teoria da ênfase ao social na construção do conhecimento (aprendizagem), partindo princípio de que todo sujeito tem capacidade, independente de sua genética, porém se não for exposto a certos estímulos não irá aprender tão efetivamente quanto um outro que foi estimulado, e esses estímulos se dão socialmente, o que por sua vez será influenciado por vários fatores sociais (religião, classe social e etc)
    Por exemplo, como fazer uma criança vítima de violência doméstica, que vai pra escola só pra comer e ainda trabalha, entender que é importante ler ou aprender matemática? É preciso levar seu contexto social em consideração, tal como o exemplo que o senhor citou de De Groot, a informação é melhor assimilada a um padrão, ou contexto, já conhecido. Se a criança não conhece um livro antes de ir a escola e se ela não enxerga a utilidade de ler em sua vida, como fazê-la se interessar pela leitura? É pensando nesse tipo de situação, que talvez não estejam tão presentes em nossa realidade escolar como antigamente (e por isso precisamos de mais pesquisa e produção científica na área), que essa perspectiva histórico cultural se popularizou tanto na realidade brasileira, mais fortemente na educação pública, devido a seu caráter assistencialista.
    Concordo com o senhor que talvez os pedagogos estejam, em sua maioria, despreparados, mas não creio que isso tenha origem no entendimento de construtivismo abordado no texto, que visivelmente é diferente do meu, mas sim na falta de uma cientificidade da Pedagogia como campo de pesquisa para melhores práticas educativas e de investimento nessa área.
    Portanto deixo aqui minha contribuição do pouco que sei, e acredito que os pais devam sempre buscar segundas opiniões, eu como mãe faço isso.

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    1. arol,

      Sua explicação da teoria de equilibração de Piaget é péssima, o processo acontece no contato com a realidade objetiva, com a experiência. Uma criança diz que dois recipientes com o mesmo volume tem quantidades diferentes de um líquido pois um é mais alto e mais fino que outro, ela não tem o conceito de volume, é através da experiência, que nega o entendimento anterior, que ocorre a equilibração, o aprendizado do conceito de volume. Na alfabetização a realidade da lingua são as regras de decodificação da escrita, sem elas não é possível aprender a escrever.

      Leia Piaget, o próprio, não as asneiras de textos derivados oferecidos aos estudantes de pedagogia.

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  24. Texto fantástico!
    No YouTube tem um vídeo da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia intitulado “O Construtivismo não funciona” que indico para aqueles que tenham interesse: https://www.youtube.com/watch?v=KB7YuB3BH8w
    Como alternativa indico a Aprendizagem Significativa de David Ausubel.

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  25. [* Shield plugin marked this comment as “0”. Reason: Human SPAM filter found “excelent” in “comment_content” *]
    Excelente texto! O problema agora é, como excluiro construtivismo dos estabelecimentos de ensino.

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  26. Construtivismo é um assunto tão amplo que só os que tem uma mente e visão amplos podem compreender e colocar em prática, por isso que existe uma enorme dificuldade em colocar o construtivismo em prática, são poucos os que querem mudar a direção do olhar.

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    1. Jéssica, o que você acabou de escrever diz que qualquer aplicação do construtivismo fracassará, exceto em casos excepcionais. Dê-se conta disto.

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  27. Professor Luiz, o texto do senhor é muitíssimo esclarecedor. Não há dúvidas de que o construtivismo é uma desgraça para a educação. A minha pergunta ao senhor é a seguinte: quem foi “educado” pelo método construtivista (como foi o meu caso, creio eu, pois embora eu não me lembre de como fui educado, por ter nascido nos anos 90, creio que provavelmente fui por esse método) consegue remediar os estragos causados por ele?

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  28. 1) Questão: Acho estranho um texto sobre construtivismo que não cite Jean Piaget. Qual foi o motivo?

    2) Opinião/Comentário: O texto trata o construtivismo de forma muito banal e desonesta como o objeto de discussão em si. Ficou parecendo que é um “satanismo” aplicado à educação, na boa! Sou pedagogo e pesquisador na área de educação e tenho várias críticas hoje ao construtivismo enquanto perspectiva filosófica. Sei os males sociais que tem causado quando as pessoas o levam às últimas consequências. No entanto, algumas coisas precisam ficar claras aqui. Construtivismo é hoje uma perspectiva de análise em diversos campos da ciência (sociais, psicologia, pedagogia, filosofia, etc.), partindo do pressuposto de que diversas coisas, como a linguagem, a sexualidade, o gênero, a cultura, etc. são construções sociais e, como tais, podem também ser desconstruídas. Isso é destrutivo quando se tem por traz dessa perspectiva, por exemplo, um ideal de desconstrução de estruturas como a família, a heteronormatividade, talvez até mesmo a linguagem. No entanto, é inegável que boa parte de nossa sexualidade – dos papéis de gênero, por exemplo -, da linguagem (que é o assunto aqui discutido), da religião, das culturas, etc. são construções sociais e são melhor tratados na escola se levando isso em conta. É lógico que, levando-se isso em conta ou não, o que é realidade continua sendo realidade. Não há como mudar. Quando você alfabetiza uma criança pelo método fônico, por exemplo, queira você ou não, o que estará acontecendo é uma construção social e interativa (professor-aluno), totalmente mediada por uma linguagem previamente e socialmente aprendida, com significados previamente e socialmente apreendidos, além de representações, etc. Querendo você ou não, a criança vai se utilizar de você como professor a fim de acessar aquela cultura previamente e socialmente aprendida que é a escrita. É por isso que se diz que o letramento acontece antes ainda da alfabetização. Uma criança pode não saber ler tecnicamente, mas ela aprende socialmente pra que serve a leitura, qual é o conteúdo normalmente presente em cada suporte (livro, revista, site, catálogo, agenda, placas, etc.) e você há de convir comigo que isso é essencial no que diz respeito à inserção na cultura escrita. Eu não acho que isso seja mais importante que a alfabetização, mas é um processo tão importante quanto. Não adianta saber que /F/ + /A/ é igual a /FA/ se a importância disso numa palavra, frase ou texto não estiver previamente estabelecida.

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    1. Jaime,

      Se você leu Piaget, viu seus experimentos, devia ter entendido que os resultados apontam contra o construtivismo! Piaget é usado como um espantalho. Este construtivismo bastardo é contra as descobertas de Piaget.

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      1. Massa, mano. Mas a questão sobre os experimentos de Piaget é que ele levava em conta uma criança ideal e universal, como se seus filhos pudessem representar qualquer criança da face da terra. E na realidade as coisas não são bem assim. Ele deu uma contribuição espetacular para a Pedagogia, mas ignorou um aspecto importante e imprescindível na análise do desenvolvimento cognitivo: a questão sociocultural. Eu não ignoro que hajam muitos aspectos universais no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, no entanto, não dá pra ignorar o impacto que tem o contexto cultural do indivíduo nas formas como ele constrói sua cognição. E nesse caso, não dá pra ignorar as contribuições de Vygotsky, concordando ou não com seus ideais políticos: o desenvolvimento cognitivo de uma criança é construído em uma relação dialética, não somente com os objetos e a natureza em si, mas também com as representações sociais previamente estabelecidas e presentes na criança por meio da linguagem que, também por sua vez, é aprendida, mas já carregada de significados social e culturalmente construídos. É por isso que a criança não “aprende sozinha”, como alguns montessorianos e piagetianos defendem por aí, achando que é só soltar a criança na natureza ou ceder alguns objetos para ela interagir que ela “se desenvolve”.
        Agora, o que fazer com isso é que é a questão. Muitos educadores construtivistas vygotskyanos (talvez a maioria dos influenciados por sua teoria) constroem métodos educativos pouco ou nada eficazes além de, por inclinações políticas e ideológicas, não fazerem do ensino da norma culta da língua uma prioridade da escola, achando que seria dominação de cultura de classe. PS: isso que não é defendido nem mesmo por Magda Soares, uma das principais propositoras da ideia de letramento no Brasil (Vide seu livro “Linguagem e Escola: uma perspectiva social”). Acho que currículos como o da “Escola Plural” de Belo Horizonte são muito mais consequência de idealismos político-ideológicos do que de teorias pedagógicas construtivistas aplicadas.

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  29. A fundamentacao teorica do construtivismo deve pouco ao pensamento de Luria e de Vygotskii. Vejo muito mais uma generalizacao radical do espontaneismo piagetiano, onde os educadores encontram argumentos (falaciosos) para sustentar que a “descoberta” da leitura e da escrita se dao como consequencia de uma evolucao “natural” dos esquemas logicos da crianca, atualizados de forma “intuitiva”.
    Luria e outros neuropsicologos deram uma contribuicao muito maior as abordagens da aprendizagem social e outras praticas de ensino. Luria nao merece ser associado ao espontaneismo construtivista.

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    1. Espontaneismo piagetiano, onde na obra de Piaget está isso? Será que alguém leu Piaget? E se leu, entendeu?

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  30. Professor Luiz Faria,

    Primeiramente, obrigado por esse texto esclarecedor. Construtivismo é um assunto tão espinhoso, que se faz necessário ter acesso a esse tipo de texto: objetivo, claro e embasado.
    Contudo, fiquei com certa dúvida em um momento. Quando o senhor diz que “Aprender a ler com base em textos, aprender a ler privilegiando as habilidades cognitivas superiores, aprender a ler do todo para a parte, aprender a ler dando valor à função social da linguagem, tudo isso é whole language, tudo isso é construtivismo aplicado à alfabetização, tudo isso é letramento. ” O senhor poderia explicar melhor esse trecho? Aprender com base em textos não seria algo que a própria Alta Cultura exige? Por exemplo, aprender o idioma lendo os clássicos. Para mim ficou claro sobre o dar “valor à função social da linguagem”: os colégios hoje colocam como ideal de ensino o aprendizado de qualquer tipo de leitura; a Linguística Textual é a mãe dessa teoria. Todavia, quando se nega espaço a qualquer tipo de texto e se enaltece o texto literário, propiciando que o aluno aprenda a língua através dos textos clássicos não seria algo bom?

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    1. Caro Patrike, fiquei exatamente com a mesma dúvida. Espero que o Professor Luiz Faria nos esclareça.

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    2. Posso estar errado, mas parece-me que o aluno precisa aprender primeiro conceitos como frase, como moná-las, juntá-las a outras frases para formar parágrafos, relações entre parágrafos etc. para então compreender textos mais complexos. Parece-me que, hoje em dia, os professores que se baseiam nessas teorias negam a importância da gramática, ensinada passo a passo, e enfatizam uma leitura “global”, baseada em sua “função social”, como gêneros do discurso, práticas sociais que envolvem textos escritos etc. etc. etc. Os alunos não partem da base para aprender o todo.

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    3. Pâmela Arumaa

      Olá, Patrike! Aqui é a Pâmela, tudo bem?

      Obrigada por compartilhar suas impressões conosco. O professor Luiz responderá muito em breve aos principais questionamentos.

      Abraços.

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